Uso diário do celular entre meia-noite e quatro da manha prejudica sono dos adolescentes, diz estudo
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May 19, 2026
Um estudo publicado nesta segunda-feira (18/5) no periódico JAMA Pediatrics, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), apontou que quase metade dos adolescentes dos Estados Unidos acessa o celular entre meia-noite e 4h da manhã em dias de semana — horário em que deveriam estar dormindo. A pesquisa acompanhou 657 adolescentes com idade média de 15 anos participantes do Adolescent Brain Cognitive Development Study, o maior estudo longitudinal sobre desenvolvimento cerebral e saúde infantil nos Estados Unidos, com amostra racialmente e economicamente diversa. Em vez de depender de autorrelatos, os pesquisadores instalaram nos celulares dos participantes um aplicativo que rastreava o uso de tela de forma passiva. Os jovens passaram, em média, mais de 50 minutos usando o celular entre 22h e 6h nas noites anteriores a dias de aula. "Eu já sabia que muita gente usa o celular antes de dormir, mas fiquei surpreso que quase metade dos adolescentes ainda está no celular entre meia-noite e 4h", disse Jason Nagata, professor associado de pediatria na UCSF e autor principal do estudo, ao The Washington Post. "É uma janela crítica para o sono, especialmente em noites de semana." O uso se concentrou, em sua maior parte, em redes sociais como YouTube, Instagram e TikTok. Uma parcela dos jovens também assistia a serviços de streaming ou jogava jogos, como Roblox e Clash Royale. Nagata aponta que alguns fatores são os principais ativadores do uso do celular pelos jovens mesmo durante a madrugada. Dentre eles, o pesquisador destaca notificações que acordam os jovens no meio da noite; insônia, que os leva a pegar o celular; ou o reflexo de checar a tela ao despertar naturalmente. E o impacto no sono vai além do tempo de tela em si. O uso de redes sociais, diz o pesquisador, "é muito emocionalmente estimulante", dificultando o processo de desaceleração mesmo depois de desligar o aparelho. Dois terços dos adolescentes acompanhados pelo mesmo estudo longitudinal relataram, em dados anteriores, que dormem com o celular ou outro dispositivo eletrônico no quarto. "Isso é o padrão para a maioria dos adolescentes nos Estados Unidos", afirma Nagata. A recomendação dos especialistas em sono é que adolescentes durmam entre 8 e 10 horas por noite, mas a maior parte já não cumpre essa meta. "O sono é essencial para o desenvolvimento cerebral na adolescência, para o aprendizado e para a saúde mental", diz Nagata. Deslocar esse tempo pelo rolagem indefinida de feeds preocupa também pelos efeitos colaterais conhecidos do uso excessivo de redes sociais, como o risco aumentado de depressão, ansiedade, problemas de atenção e prejuízo no desempenho acadêmico e cognitivo. A solução mais direta seria retirar as telas do quarto. Nagata aponta que essa medida isolada já está associada ao sono de melhor qualidade e maior duração. Mas para quem não consegue eliminar o celular do ambiente, desligá-lo completamente é mais eficaz do que deixá-lo no modo silencioso ou vibração, já que vibrações sutis e variações de luz podem interromper o sono. A Academia Americana de Pediatria recomenda que as famílias estabeleçam um plano coletivo de uso dos aparelhos, e que os pais sirvam de modelo. Pesquisas anteriores identificaram o comportamento parental diante das telas como um dos preditores mais fortes do uso de celular por pré-adolescentes. Para Kerri Anderson, terapeuta infantil e familiar consultada pela reportagem do Post, a abordagem prática com famílias passa pelo diálogo antes da imposição de regras. Os adolescentes, diz ela, frequentemente buscam conexão com os amigos ou um momento de descanso sem cobranças depois de um dia longo, e ignorar isso torna as soluções inviáveis. "Queremos que pareça apoio, não punição", disse Anderson. "Estamos tentando ensinar esses jovens — que em breve serão adultos — a navegar por essas coisas por conta própria." *Com supervisão de Marisa Adán Gil Mais Lidas
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