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OMS debate uso experimental de vacina para conter surto de Ebola na África

Home | Época Negócios [Unofficial] May 19, 2026
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Em meio ao novo surto de Ebola na República Democrática do Congo causado pela variante Bundibugyo — que já acumula mais de 500 casos suspeitos e 131 mortes no país, além de dois casos confirmados em Uganda —, a Organização Mundial da Saúde reúne, nesta terça-feira (19/5), um grupo consultivo técnico de pesquisa e desenvolvimento voltado para elaborar plano de combate à epidemia. O objetivo da reunião é discutir opções de vacinas para combater a disseminação da doença. Conforme a OMS, não existe imunizante nem tratamento aprovado para a variante Bundibugyo, ao contrário do que ocorre com as cepas Zaire e Sudan. A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo — onde o atual surto ocorre — é a mesma que registrou o segundo maior surto de Ebola da história entre 2018 e 2019, causado pela Zaire. Mesmo com uma vacina aprovada disponível, aquele surto levou dois anos para ser controlado. De acordo com o STAT, a taxa de letalidade estimada para o Bundibugyo chega a até 50%. No entanto, antes da atual crise — decretada como emergência de saúde pública de importância internacional pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, no domingo (18/5) —, a Bundibugyo só havia causado dois surtos documentados anteriormente, em 2007 e 2012, o que limitou o desenvolvimento de imunizantes específicos. Da esperança aos riscos Uma das alternativas em pauta entre os especialistas é a vacina Ervebo, da farmacêutica Merck. Mas o imunizante foi desenvolvido para uma cepa diferente do vírus, a Zaire, e a única evidência de que poderia funcionar contra o Bundibugyo vem de um estudo com quatro macacos, publicado em 2011. Em entrevista ao STAT, o virologista e pesquisador Darryl Falzarano, da Universidade de Saskatchewan (que liderou o estudo de 2011), afirmou que a medida é arriscada. "Você estaria entrando quase às cegas, com muito poucos dados de suporte", declarou o cientista. Parte da comunidade científica se preocupa com a possibilidade do uso da Ervebo causar um fenômeno chamado antibody-dependent enhancement (potenciação dependente de anticorpos). A hipótese é de que anticorpos gerados contra a Zaire poderiam agravar a doença causada pela variante Bundibugyo — o que foi observado em estudos de laboratório, mas não confirmado em animais. Já Falzarano tem outra preocupação em mente. De acordo com o pesquisador, a vacina poderia acabar orientando o sistema imunológico a combater a Zaire enquanto o organismo enfrenta, na prática, a Bundibugyo. Do outro lado da discussão, o médico de emergências do Médicos Sem Fronteiras Armand Sprecher defendeu o uso da Ervebo em entrevista ao STAT. "O estudo em primatas não humanos é uma base razoável para dizer: vamos usar essa vacina, porque a temos disponível, sabemos que é segura e a plataforma funciona", disse. "Você usa o que tem, porque a alternativa é não fazer nada — e não acho isso aceitável." Decisão dos governos A organização Gavi, que mantém estoques de vacinas contra o Ebola, confirmou à Reuters que já há 2.000 doses da Ervebo na República Democrática do Congo, disponíveis caso os especialistas decidam iniciar um ensaio clínico. Mas a decisão final não cabe à OMS nem aos cientistas. Vasee Moorthy, chefe interino do grupo consultivo da OMS, disse ao STAT que "qualquer próximo passo caberá à República Democrática do Congo e a Uganda, com apoio da OMS", e acrescentou que há considerações éticas a ponderar, incluindo se a população na zona de surto estaria disposta a participar de um ensaio clínico. "Nossa preocupação com este surto é bastante alta", disse Richard Hatchett, diretor da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), à Reuters. "A situação de segurança é muito séria, e testar coisas em ensaios clínicos será desafiador, mas também necessário." *Com supervisão de Lia Hama Mais Lidas

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