Novo implante cerebral poderá em breve substituir os aparelhos auditivos tradicionais
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May 17, 2026
Nova tecnologia permitirá aumentar o volume de determinados sons em detrimento de outros Freepik Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que 5% da população brasileira, ou 10 milhões de pessoas, apresentam alguma deficiência auditiva. A perda auditiva é tradicionalmente tratada com aparelhos auditivos removíveis que se encaixam sobre ou ao redor da orelha, captando o som por meio de um microfone e amplificando-o enquanto suprimem o ruído de fundo. No entanto, eles não conseguem separar e amplificar ruídos específicos, como uma conversa em uma festa lotada, o que pode dificultar que pessoas com perda auditiva se concentrem em uma voz determinada. Agora, pesquisadores da Universidade Columbia podem ter encontrado uma solução: um implante controlado pelo cérebro que poderá melhorar a audição mais do que os aparelhos auditivos tradicionais, relata o DailyMail. Durante o estudo, a equipe mediu a atividade cerebral de pacientes com eletrodos no cérebro enquanto se concentravam em uma de duas conversas simultâneas. O dispositivo foi capaz de detectar automaticamente em qual conversa o paciente estava prestando atenção e ajustar o volume em tempo real, aumentando o volume da mais relevante enquanto diminuía o da outra. Isso permitiu que os participantes se concentrassem em apenas uma pessoal dentre muitas, assim como faz o cérebro de alguém com audição normal. Os pesquisadores por trás do novo estudo, publicado na Nature Neuroscience, acreditam que a tecnologia pode ser adaptada para aparelhos auditivos mais avançados. "Desenvolvemos um sistema que atua como uma extensão neural do usuário, aproveitando a capacidade natural do cérebro de filtrar todos os sons em um ambiente complexo para isolar dinamicamente a conversa específica que ele deseja ouvir", disse o Nima Mesgarani, autor sênior do estudo e investigador principal do Instituto Zuckerman da Universidade Columbia. "Essa pesquisa nos permite pensar além dos aparelhos auditivos tradicionais, que simplesmente amplificam o som, em direção a um futuro onde a tecnologia possa restaurar a audição sofisticada e seletiva do cérebro humano." O novo estudo se baseia em uma descoberta de 2012 de Mesgarani e de Eddie Chang, neurocirurgião da Universidade da Califórnia, em São Francisco. A dupla descobriu que as ondas cerebrais no córtex auditivo, que processa os sons, são responsáveis por selecionar uma voz em meio a uma multidão e amplificá-la, filtrando as demais. Isso forneceu aos pesquisadores um padrão de atividade para observar, e assim identificar qual fonte sonora o usuário deseja ouvir. Para expandir essa descoberta, a equipe da Universidade Columbia analisou quatro indivíduos hospitalizados para tratamento de epilepsia. Esses pacientes, que tinham audição normal, foram escolhidos porque já possuíam eletrodos implantados no cérebro como parte do tratamento, o que permitiu aos pesquisadores monitorar os sinais provenientes do córtex auditivo. Dois alto-falantes foram colocados em frente a cada paciente, cada um reproduzindo uma conversa diferente. O dispositivo ajustava automaticamente o volume das conversas com base nas ondas cerebrais dos pacientes e identificava corretamente qual conversa a pessoa queria ouvir em até 90% das vezes. "A principal questão em aberto era se a tecnologia de audição controlada pelo cérebro poderia ir além de avanços incrementais, rumo a um protótipo que pudesse ajudar alguém a ouvir melhor em tempo real", disse Vishal Choudhari, primeiro autor do artigo e líder no desenvolvimento e avaliação do sistema auditivo. "Pela primeira vez, mostramos que um sistema que lê sinais cerebrais para aprimorar seletivamente as conversas pode proporcionar um benefício claro em tempo real. Isso leva a audição controlada pelo cérebro da teoria para a aplicação prática." Os pesquisadores observaram que, embora a precisão possa diminuir ao analisar as ondas cerebrais de pessoas com perda auditiva, isso pode ser aprimorado com mais pesquisas. "Os resultados representam um passo importante rumo a uma nova geração de tecnologias auditivas controladas pelo cérebro que se alinham à intenção do ouvinte, transformando potencialmente a maneira como as pessoas interagem em ambientes ruidosos e com múltiplas vozes", disse Choudhari.
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