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O que acontece com o cérebro quando bocejamos - e porque isso começa antes mesmo de você nascer

Home | Época Negócios [Unofficial] May 16, 2026
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Os bocejos são socialmente contagiosos e começam antes mesmo de você nascer Freepik Bocejar é contagioso. Você provavelmente já está com vontade de bocejar só de ler sobre isso, esteja com sono ou não. Você pode até pegar um bocejo de outros animais: é um fenômeno universal entre os vertebrados, que parece desempenhar uma função importante na manutenção do funcionamento de nossos cérebros. Bocejar tem um efeito incomum e inesperado no fluxo do fluido que protege o cérebro, revelou um estudo recente. De acordo com pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, as descobertas podem fornecer uma pista crucial para entender por que os humanos (e muitas outras espécies) desenvolveram a capacidade de bocejar, relata o Science Alert. A equipe de pesquisa usou ressonância magnética para escanear a cabeça e o pescoço de 22 participantes saudáveis ​​enquanto eles eram instruídos a bocejar, respirar fundo, reprimir bocejos e respirar normalmente. Dado que bocejar e respirar fundo compartilham mecanismos semelhantes, os pesquisadores esperavam que as imagens fossem parecidas. Surpreendentemente, as imagens revelaram uma diferença fundamental: o bocejo desviava para outro lugar do cérebro oo líquido cefalorraquidiano (LCR, fluido que mantém o sistema nervoso central funcionando corretamente, fornecendo nutrientes e removendo resíduos para fora do cérebro). "O bocejo desencadeava um movimento do LCR na direção oposta à da respiração profunda", disse o neurocientista Adam Martinac a James Woodford, da New Scientist. "E nós ficamos lá sentados, sem entender nada." A análise também revelou que tanto as respirações profundas quanto os bocejos aumentaram o fluxo sanguíneo que sai do cérebro, criando mais espaço para a entrada de sangue fresco. Uma possibilidade levantada pelos pesquisadores é que o bocejo tenha um papel específico na limpeza do cérebro. Outra ideia é que se trate de algum tipo de função de resfriamento cerebral. "Doenças neurodegenerativas estão associadas ao acúmulo de resíduos, e quanto mais velho você fica, maior a probabilidade de haver mais resíduos", afirma Martinac. "É quase como uma impressão digital; você poderia identificar alguém apenas pela idade, maior a probabilidade de haver mais resíduos", diz Martinac. "Não sabemos a força da ligação com a forma como o LCR é eliminado, mas nos últimos 10 anos já houve muitas pesquisas nessa área, e este pode ser mais um elemento." Os bocejos parecem estar intimamente ligados ao cérebro e ao sistema nervoso central – cérebros maiores geralmente levam a bocejos mais longos, por exemplo, talvez uma curiosidade que você possa compartilhar com amigos e familiares na próxima vez que bocejar por um longo período. Ainda no útero Agora, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Parma, na Itália, acaba de descobrir que o efeito contagioso do bocejo pode começar antes mesmo de nascermos. Até então, não estava claro se os fetos bocejavam puramente em seu próprio ritmo ou se começavam a sincronizar seus bocejos com os de pessoas importantes em suas vidas antes mesmo de saírem do útero. Agora sabemos que eles são sincronizados com os bocejos da mãe. Trinta e oito mulheres com idades entre 18 e 45 anos participaram do estudo. Cada mulher estava no terceiro trimestre de uma gravidez única e saudável (entre 28 e 32 semanas de gestação). Para os experimentos, as mães sentaram-se em uma sala silenciosa assistindo a uma tela enquanto seus rostos eram gravados e seus fetos monitorados por um aparelho de ultrassom. Inicialmente, as mães assistiram a um minuto de vídeos de paisagens neutras, fornecendo aos pesquisadores uma base de referência sobre o comportamento da mãe e do feto em repouso. Em seguida, foram mostrados às mães três vídeos diferentes de 6 minutos cada. Um mostrava pessoas bocejando; outro mostrava pessoas abrindo e fechando a boca em um movimento semelhante, mas não idêntico, a um bocejo verdadeiro; e um último vídeo mostrava rostos neutros em repouso. Para garantir que não houvesse viés na interpretação dos dados, as gravações das mães e dos fetos foram analisadas, quadro a quadro, por três assistentes que não sabiam quais vídeos as mães estavam assistindo no momento das gravações. A maioria das mães bocejou pelo menos uma vez enquanto assistia ao vídeo do bocejo e, entre essas, 18 pareciam ter provocado bocejos em seus fetos também. "O bocejo fetal aumenta seletivamente após bocejos maternos, mas não em condições de controle não contagiosas", relatam os autores. É difícil dizer se o vídeo contagioso foi de alguma forma necessário para que a onda de bocejos se propagasse da mãe para o feto, porque os bocejos quase não ocorreram fora dessa condição. Em todas as sessões de vídeo com bocejos, mães e fetos bocejaram em sincronia em metade dos casos e, em 33% dos casos, nenhum dos dois bocejou. Em apenas 14% dos casos, uma mãe bocejou sozinha enquanto assistia a imagens de bocejos, enquanto os fetos bocejaram sozinhos durante esse período experimental em apenas 3% das vezes. Curiosamente, a equipe observou que "as mães que bocejavam mais também tendiam a ter fetos que bocejavam mais, revelando uma forte associação positiva entre a frequência de bocejos maternos e fetais". Tudo isso sugere que o contágio do bocejo é profundo, começando em um estágio de vida mais precoce do que imaginávamos. É claro que a amostra é bastante pequena, com todos os participantes sendo pacientes de uma maternidade italiana. O estudo também se concentra em um período gestacional relativamente curto. Ainda não sabemos quando mães e fetos começam a sincronizar seus bocejos, ou mesmo se esse fenômeno ocorre de forma consistente em toda a população humana. Os autores defendem a realização de mais estudos em populações maiores e mais diversas para encontrar respostas mais claras para essas questões.

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