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Juíza determina que Elon Musk não pode citar riscos da IA em depoimento, em mais um dia tenso no tribunal

Home | Época Negócios [Unofficial] April 30, 2026
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O julgamento entre Elon Musk e a OpenAI entrou em seu quarto dia nesta quinta-feira (30) com novos embates no tribunal e um endurecimento do tom entre acusação e defesa, em um caso que pode redefinir os rumos da indústria de inteligência artificial. O quarto dia do julgamento foi marcado por novos momentos de tensão. Durante o interrogatório conduzido pelo advogado da OpenAI, William Savitt, Musk voltou a se mostrar irritado e acusou o defensor de fazer perguntas “para induzir respostas”. A estratégia da defesa tem sido questionar a credibilidade do bilionário, apresentando e-mails, vídeos e documentos que sugerem que ele tinha conhecimento prévio da criação de um braço com fins lucrativos e até chegou a apoiar esse movimento em determinados momentos. Após três dias no banco de testemunhas, Musk concluiu seu depoimento reiterando a acusação de que foi “enganado” ao financiar a criação da OpenAI, em 2015, sob a promessa de que a organização operaria como uma entidade sem fins lucrativos voltada ao benefício da humanidade. Segundo ele, cerca de US$ 38 milhões foram aportados nesse contexto, valor que ajudou a estruturar o que hoje é uma das empresas mais valiosas do setor. “Fui um tolo ao fornecer financiamento gratuito para criar uma startup”, afirmou. No centro do processo está a transformação da OpenAI em uma estrutura com fins lucrativos, movimento que, segundo Musk, violou o acordo original com o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman. O empresário pede a reversão dessa mudança, a saída dos executivos e indenizações que podem chegar a até US$ 150 bilhões. Outro ponto explorado pelos advogados é a motivação de Musk para abrir o processo apenas anos depois de deixar a empresa, em 2018. A defesa sustenta que a ação ocorre em meio à intensificação da corrida por IA e ao avanço da própria xAI, companhia fundada pelo empresário em 2023, levantando dúvidas sobre conflito de interesses. O clima no tribunal levou a juíza Yvonne Gonzalez Rogers a intervir diversas vezes. Em uma das decisões mais relevantes do dia, conta o The New York Times, ela determinou que discussões sobre riscos existenciais da inteligência artificial -- um dos pilares do argumento de Musk -- não fariam parte do julgamento, restringindo o debate a questões contratuais e de governança. A OpenAI, por sua vez, nega as acusações e afirma que Musk sempre esteve ciente das discussões sobre a criação de uma estrutura comercial. A empresa também sustenta que o bilionário tentou assumir o controle da organização nos primeiros anos e que sua insatisfação atual está ligada ao crescimento da companhia e à competição no setor. Com duração prevista de até três semanas, o julgamento ainda deve ouvir outros nomes do ecossistema de tecnologia, incluindo o próprio Altman e executivos ligados à Microsoft, principal parceira da OpenAI. Além de revelar bastidores da criação da empresa, o caso é acompanhado de perto por investidores e especialistas por seu potencial de impactar diretamente modelos de governança e negócios em um mercado que já movimenta centenas de bilhões de dólares.

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