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Como Elon Musk usou a SpaceX para beneficiar a si mesmo e seus negócios

Home | Época Negócios [Unofficial] April 24, 2026
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Em janeiro de 2018, Elon Musk precisava de US$ 100 milhões. Em vez de recorrer a um banco, ele se voltou para a SpaceX, a empresa de foguetes que fundou e onde atua como CEO. Nos três anos seguintes, Musk tomou emprestado um total de US$ 500 milhões de sua empresa. As condições dos empréstimos eram significativamente mais vantajosas do que as oferecidas pela maioria dos bancos, com uma taxa de juros que variava de menos de 1% a quase 3%, segundo documentos internos da SpaceX obtidos pelo jornal The New York Times. Os documentos não informavam como Musk planejava usar o dinheiro, que foi devolvido à SpaceX até o final de 2021. Os empréstimos e suas condições excepcionalmente favoráveis, que não são permitidas em empresas de capital aberto, só foram possíveis porque a SpaceX é uma empresa privada. Essa foi apenas uma das maneiras pelas quais Musk usou a SpaceX como uma espécie de caixa dois nas últimas duas décadas, de acordo com uma investigação do NYT baseada em documentos corporativos, processos judiciais, documentos internos e entrevistas com pessoas próximas à empresa. O NYT descobriu que Musk não apenas obteve empréstimos da SpaceX para si mesmo, como também contou com a empresa para sustentar pelo menos três negócios problemáticos em sua órbita. Isso inclui o empréstimo da SpaceX para sua fabricante de carros elétricos, a Tesla, quando esta precisava de capital; a injeção de fundos na SolarCity, uma empresa de energia solar em dificuldades na qual ele detinha uma participação significativa; e a compra de sua empresa de inteligência artificial deficitária, a xAI. As ações beneficiaram Musk pessoalmente e seus outros negócios de uma forma incomum, mesmo no opaco mundo das empresas privadas. Alguns investidores da SpaceX — incluindo o Founders Fund, a empresa de capital de risco cofundada por Peter Thiel — demonstraram preocupação, em certos momentos, com o fato de Musk priorizar seus próprios interesses em detrimento dos demais acionistas, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto, que não estavam autorizadas a falar sobre discussões confidenciais. “Essas são transações com conflito de interesses”, afirmou Ann Lipton, professora de direito da Universidade do Colorado em Boulder. Ela acrescentou que tais conflitos representam um “risco” inerente ao investimento em alguém que administra diversas empresas. Fundada em 2002 com o objetivo de levar humanos a Marte, a SpaceX domina o setor espacial com seu negócio de foguetes e o serviço de internet via satélite Starlink. Com um valor superior a US$ 1 trilhão, a empresa é a joia do império empresarial de Musk e lhe conferiu enorme influência geopolítica. O empresário de 54 anos constantemente descreve a SpaceX como “incrível” e como a “expansão da consciência às estrelas”. Agora que Musk se prepara para abrir o capital da SpaceX, no que provavelmente será uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) da história, ele terá que prestar contas cada vez mais a Wall Street e a outros investidores. A SpaceX, uma importante contratada do governo federal, será obrigada a detalhar seu desempenho financeiro e as transações com Musk e outras empresas com as quais ele tem vínculos. Musk, Tesla e SpaceX não responderam aos pedidos de comentários do NYT. Posts racistas Em outro episódio polêmico, Musk tem voltado crescentemente sua atenção para questões raciais, com posts que defendem a Supremacia Branca. O bilionário publicou 850 vezes sobre o tema nos últimos meses, quase o triplo da média dos dois anos anteriores, aponta um levantamento do Washington Post. Nos últimos meses, o bilionário tem reclamado de perseguição aos brancos. "Os brancos são uma minoria que está desaparecendo rapidamente", escreveu Musk em janeiro, em uma publicação em sua rede social X, que obteve mais de 17 milhões de visualizações e 150 mil curtidas. Em uma publicação de fevereiro, curtida por mais de 365 mil pessoas, Musk declarou que "tem havido ódio implacável e propaganda tóxica no Ocidente contra qualquer pessoa branca, heterossexual ou do sexo masculino na última década ou mais", acrescentando: "Chega de manipulação emocional. BASTA." O feed do Musk no Google X tem servido, há anos, como um megafone para suas visões conservadoras, especialmente desde que ele se tornou um dos apoiadores mais proeminentes de Donald Trump na campanha presidencial de 2024. Mas uma análise do Washington Post descobriu que Musk aumentou significativamente a frequência de suas postagens online sobre raça e suas preocupações com as ameaças percebidas aos brancos ou o que ele considera incitações a um "genocídio" contra pessoas brancas. Além de afirmar que pessoas brancas são alvo de hostilidade implacável, Musk sugeriu que a raça desempenha um papel prejudicial nas contratações, exaltou o papel das pessoas brancas na eliminação da escravidão e acusou figuras públicas e até mesmo uma ferramenta de IA concorrente de seu próprio chatbot, Grok, de racismo contra pessoas brancas e asiáticas. Ele se envolveu em debates políticos sobre sua terra natal, a África do Sul, que, segundo ele, "discriminou amplamente pessoas brancas na era pós-apartheid". Siga a Epoca Negócios:

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