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Novo remédio para emagrecer, retratrutida diminui desejo sexual, dizem usuários

Home | Época Negócios [Unofficial] April 6, 2026
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Novo remédio estaria diminuindo interesse e prazer dos usuários, segundo depoimentos FreePik Remédios para emagrecer da classe GLP-1 atuam no centro de recompensa do cérebro e podem alterar não só o apetite, mas também emoções e desejo sexual, segundo especialistas. Antes mesmo de receber aprovação regulatória, a retatrutida já ganhou fama nas redes sociais e não apenas pelos resultados na balança. O medicamento experimental da Eli Lilly, que age sobre três hormônios ligados ao apetite e ainda está em fase de testes, tem gerado relatos preocupantes de usuários. Eles descrevem uma espécie de embotamento emocional: perda de interesse, ausência de prazer e indiferença generalizada. A droga ainda está em fase de testes clínicos, mas parte dos usuários já a obtém de forma ilegal pela internet, segundo reportagem do site The Guardian. Vídeos no TikTok mostram pessoas relatando que o remédio "destruiu relacionamentos" e provocou o que chamam de "efeitos estranhos". Nos comentários, usuários descrevem desde a perda de desejos alimentares até uma anedonia severa, a incapacidade clínica de sentir prazer ou alegria. O que a ciência diz (e o que ainda não sabe) A retatrutida pertence a uma classe de medicamentos que inclui os chamados GLP-1 (glucagon-like peptide-1), os mesmos presentes em remédios já aprovados como o Mounjaro. Esses fármacos atuam no sistema mesolímbico, o centro de recompensa do cérebro e é aí que a questão se complica. O neurocientista Paul Kenny, do Instituto Icahn de Medicina do Monte Sinai, em Nova York, afirmou ao The Guardian que o mundo está no meio de um "enorme experimento" à medida que milhões de pessoas passam a usar esses medicamentos. Segundo ele, os pesquisadores ainda estão coletando dados sobre os efeitos comportamentais. "Ainda sabemos muito pouco sobre o que o GLP-1 faz no cérebro", disse o cientista, embora estudos emergentes sugiram que esses fármacos podem ter efeitos neuroprotetores e até potencial uso no tratamento de demência em estágio inicial. Kenny foi cauteloso ao comentar sobre os impactos emocionais e românticos, mas admitiu que não o surpreenderia descobrir que medicamentos tão conectados ao sistema de energia do organismo também moldam emoções e interações sociais. "Muito do comportamento animal é influenciado pela disponibilidade de energia, todas as coisas ligadas à sobrevivência", explicou. Libido, dopamina e hormônios femininos Os efeitos sobre a vida sexual também foram documentados. O médico Naveed Asif, clínico geral da London General Practice, explicou que os medicamentos GLP-1 afetam a musculatura lisa, o que pode influenciar a excitação e o orgasmo por alterar o fluxo sanguíneo na região genital. Além disso, há um componente dopaminérgico envolvido: a dopamina, hormônio liberado pelo cérebro em resposta a estímulos, pode diminuir com o uso desses fármacos, criando desafios relacionados ao desejo e à atração sexual. Asif destacou ainda que o GLP-1 pode interferir nos níveis de estrogênio, um hormônio sexual feminino cuja desregulação pode provocar distúrbios emocionais. Segundo ele, esse efeito parece ser mais pronunciado em mulheres, e muitas delas relatam efeitos colaterais intensos o suficiente para abandonar o tratamento, incluindo piora da depressão e da ansiedade. A médica Sophie Dix, da farmácia online MedExpress, ponderou que a conclusão de que o medicamento impede as pessoas de se apaixonar vai além do que a ciência atual sustenta. Para ela, o apego romântico é "um processo neurobiológico muito mais complexo do que uma única via de recompensa". Dix também lembrou que os efeitos sobre a libido são variados: alguns usuários relatam redução, outros, melhora — e muitas dessas mudanças têm explicações relacionadas a outros fatores, como a melhora da autoestima e da saúde metabólica que o emagrecimento pode proporcionar. Segundo ela, é provável que os medicamentos GLP-1 normalizem ou estabilizem o sistema de recompensa cerebral, em vez de simplesmente suprimi-lo. A médica, porém, reconheceu que a pesquisa ainda é incipiente e pediu que pacientes se sintam à vontade para discutir quaisquer mudanças emocionais ou sexuais com seus médicos. Mais Lidas

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