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Quase 4 em cada 10 adolescentes já sofreram bullying no Brasil, aponta IBGE

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… July 2, 2026
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Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acabam de escancarar o que muitas famílias já suspeitavam: o bullying nas escolas brasileiras não está diminuindo — está piorando. Menino sendo alvo de bullying na escola Freepik Bullying por peso na infância é violência — e deixa marcas para a vida toda Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), quatro em cada dez adolescentes de 13 a 17 anos (39,8%) já foram vítimas de bullying. Mas o dado mais preocupante não é o volume total: é a intensidade. A proporção de alunos que sofreram humilhações duas ou mais vezes subiu mais de 4 pontos percentuais em relação ao último levantamento, o que indica que as agressões estão se tornando cada vez mais persistentes. Para a advogada Raphaella Marques, especialista em prevenção e combate ao bullying, os dados traduzem uma mudança comportamental grave. "O bullying deixou de ser um episódio isolado para se tornar uma agressão persistente e contínua. Quando vemos as agressões físicas subirem para 16,6% e a reincidência das humilhações aumentar de forma tão expressiva, estamos falando de um ambiente escolar que está adoecendo nossos jovens", alerta. A pesquisa revelou ainda um abismo entre o que os agressores confessam e o que as vítimas reconhecem publicamente: 12,1% dos agressores admitem atacar colegas por orientação sexual ou gênero, mas apenas 6,4% das vítimas assumem essa motivação. Para a especialista, o silêncio das vítimas não é coincidência — é medo. "Muitos adolescentes silenciam sobre o real motivo das agressões pelo receio de serem estigmatizados. É um instinto de autoproteção", explica. O cenário se agrava quando se observa a resposta das instituições de ensino: quase 60% das escolas falham em implementar ações preventivas. "Esse vácuo de autoridade valida o agressor e deixa a vítima desamparada. A intervenção da escola não pode ser apenas reativa quando o pior acontece. Ela precisa ser estrutural", pontua Raphaella.

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