7 jeitos curiosos de proteger o cérebro do seu filho que não envolvem nenhuma tela
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June 30, 2026
Se você acha que proteger o cérebro do seu filho é coisa para depois, quando ele entrar na escola e começar a aprender a ler e escrever, pode rever esse conceito. Segundo o neurocirurgião e neurocientista Fernando Gomes, professor livre-docente da USP, essa proteção começa muito antes, literalmente desde o nascimento, quando o cérebro do bebê está formando bilhões de conexões neurais por segundo, moldadas justamente pelas experiências que ele vive. Criança sentada brincando Freepik Brasil atinge 7 mil superdotados e assume a oitava posição no ranking global; quase metade são crianças E a boa notícia é que as estratégias mais eficazes para isso não exigem nenhum aplicativo, brinquedo caro ou curso de estimulação precoce. Pelo contrário: muitas vezes, são contraintuitivas. 1. Deixar a criança "morrer de tédio" de vez em quando Pode parecer estranho, mas momentos de puro tédio são um dos melhores presentes que você pode dar ao cérebro do seu filho. Vivemos em uma cultura que tenta preencher cada minuto da infância com atividades, telas e estímulos prontos, só que, quando isso acontece o tempo todo, a criança nunca precisa criar suas próprias soluções. É justamente na ociosidade que o cérebro infantil aprende a inventar brincadeiras, resolver problemas sozinho e desenvolver autonomia cognitiva. Da próxima vez que seu filho disser "estou entediado", respire fundo antes de oferecer o tablet. 2. Conversar com o bebê antes mesmo de ele falar Parece óbvio, mas é uma das intervenções mais poderosas que existem e a maioria dos pais subestima. Mesmo antes de aprender a falar, o bebê já absorve padrões de linguagem, emoções e interações sociais só de ouvir e observar quem está ao redor. Nenhuma tela, por mais "educativa" que seja, reproduz a riqueza de uma conversa real, com expressões faciais, tom de voz, contato visual e troca emocional genuína. Narrar o que você está fazendo enquanto troca a fralda ou prepara a papinha já conta como estímulo neurológico de alto valor. 3. Priorizar bagunça ao ar livre em vez de brinquedos eletrônicos O cérebro humano foi moldado, ao longo de milhões de anos, em ambientes naturais, não diante de telas. Correr, subir em estruturas, pisar em texturas diferentes, observar formigas no chão: tudo isso fortalece circuitos relacionados à atenção, ao planejamento motor e à regulação emocional. Além disso, o movimento físico aumenta a produção de BDNF, uma proteína essencial para a formação de novas conexões neurais. Ou seja: aquele parquinho bagunçado pode estar fazendo mais pelo cérebro do seu filho do que horas de conteúdo educativo no celular. Irmãos mais velhos são realmente os mais bem-sucedidos? Veja o que diz a ciência O que a ciência diz sobre as diferenças entre os irmãos 4. Ler junto, mesmo que pareça repetitivo Quando um adulto lê para uma criança, múltiplas áreas do cérebro são ativadas ao mesmo tempo: linguagem, memória, imaginação, empatia e compreensão social. Poucas atividades cotidianas oferecem um estímulo tão amplo e integrado. E sim, ler o mesmo livro pela décima vez também conta, a repetição é parte do processo de consolidação de aprendizado. 5. Levar o sono a sério É durante o sono que o cérebro infantil consolida memórias, reorganiza circuitos neurais e processa tudo o que viveu durante o dia. Boa parte das dificuldades cognitivas e comportamentais observadas na infância pode estar relacionada, simplesmente, à privação de sono, um detalhe que muitas vezes passa despercebido em meio à correria da rotina familiar. 6. Trocar respostas prontas por perguntas Em vez de responder tudo de imediato, vale a pena devolver a pergunta: "O que você acha?", "Como você chegou a essa ideia?", "Será que existe outra explicação?". Esse tipo de conversa fortalece o córtex pré-frontal, região do cérebro ligada ao raciocínio, ao julgamento e à tomada de decisões e ajuda a construir, desde cedo, a capacidade de pensamento crítico. 7. Largar o próprio celular na frente dos filhos Por fim, talvez o conselho mais difícil de seguir: as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas regras. Se os adultos vivem permanentemente conectados às telas, o filho aprende que esse é o padrão natural de funcionamento da atenção humana. Criar momentos em família livres de celular, tablet e televisão pode ser uma das formas mais eficazes de proteger o cérebro infantil da fragmentação de atenção tão comum na era digital. Segundo Fernando, a melhor forma de proteger o cérebro de uma criança diante dos desafios do mundo moderno não é oferecer mais estímulos, é garantir experiências humanas de qualidade. Conversar, brincar, ler, explorar a natureza e aprender a pensar continuam sendo, paradoxalmente, algumas das tecnologias mais avançadas que existem para construir um cérebro saudável.
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