Irmãos mais velhos são realmente os mais bem-sucedidos? Veja o que diz a ciência
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June 19, 2026
Os irmãos mais velhos geralmente ganham a fama de serem os mais responsáveis e organizados. Um estudo extenso realizado pelo National Bureau of Economic Research indica que os primogênitos podem ganhar mais na vida adulta. Mas isso não está relacionado à personalidade. O motivo é surpreendente. Criança inteligente Magnific Os pesquisadores observaram que, na verdade, a explicação para este fenômeno está nos germes. As crianças costumam ficar doentes com frequência, especialmente nos primeiros anos de vida. Os autores se perguntaram se os filhos mais velhos poderiam atuar como vetores, expondo os pais e os irmãos mais novos a doenças. O que a ciência diz sobre as diferenças entre os irmãos Crianças que têm irmãos podem ser pessoas melhores diz pesquisa Com base em dados administrativos da Dinamarca, os pesquisadores concluíram que os irmãos mais novos tinham de duas a três vezes mais chances de serem hospitalizados por doenças respiratórias graves durante o primeiro ano de vida do que os irmãos mais velhos. Os efeitos de problemas de saúde nos primeiros anos de vida parecem persistir ao longo do tempo. As doenças podem prejudicar o desenvolvimento cerebral tanto de forma direta — ao provocar inflamações — quanto indireta, ao desviar energia que seria usada pelo cérebro para o combate à enfermidade. Os autores identificaram uma relação causal entre a exposição a doenças na primeira infância e salários mais baixos na vida adulta. Outros estudos também apontam que episódios de febre e doenças respiratórias durante a gestação podem afetar o desenvolvimento cerebral do feto. Os dados da Dinamarca indicam que as doenças na primeira infância podem explicar cerca de metade da diferença salarial de 1,9% observada entre o filho mais velho e o segundo filho na vida adulta. O restante da diferença pode estar relacionado à forma como os pais dividem sua atenção entre os filhos. Não é raro que os irmãos mais novos reclamem que os mais velhos receberam mais atenção — e os números sugerem que eles podem ter razão. Dados dos Estados Unidos mostram que, durante a infância, os primogênitos passam, em média, de 20 a 30 minutos a mais por dia em momentos de qualidade com os pais do que os irmãos mais novos tiveram na mesma idade. Para os filhos mais velhos, isso pode significar mais estímulos importantes para o desenvolvimento cerebral justamente nos primeiros anos de vida, período considerado crucial para a aprendizagem 'Não é uma sentença' Embora o estudo seja robusto e traga dados interessantes, especialistas alertam que não é preciso se alarmar. "O estudo mostra associações populacionais, não uma sentença para cada criança. O que se observa é algo que chama atenção para o que vemos todos os dias no consultório: irmãos mais velhos levam vírus da escola para casa, e os bebês acabam sendo expostos mais cedo", diz Paulo Telles, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele reforça que o desenvolvimento infantil depende de muitos fatores. "Genética, vínculo, estímulo, sono, alimentação, renda, escola, saúde mental dos pais e acesso à saúde. As infecções podem ser uma peça do quebra cabeça q é o desenvolvimento neurológico da criança, afirma. 6 razões comprovadas pela ciência de que ter irmãos faz bem Além disso, é preciso levar em consideração que os pesquisadores não avaliaram crianças brasileiras. "O estudo foi feito com dados da Dinamarca, um país com realidade social, acesso à saúde e estrutura familiar muito diferentes do Brasil", ressalta. Isa Minatel, neuropsicopedagoga e autora de "Crianças Sem Limites" e "Temperamentos Sem Limites", concorda que é necessário ter uma leitura cuidadosa do estudo. "Não é uma questão de inteligência inata, nem de os pais amarem mais um filho — é biologia de um período sensível. Para mim, a leitura honesta do estudo é essa: não é um ranking entre filhos, é um convite a olhar com mais carinho pros primeiros meses de vida", afirma. Mariana Ruske, especialista em neurociência pedagoga e fundadora da Senses Montessori School (SP), reforça que os pais não precisam se desesperar. "A posição na fila dos irmãos não decide inteligência nem futuro. Quem pesa é o ambiente, o enredo da gestação, o momento em que cada filho chega numa família que nunca é a mesma duas vezes", destaca. Também é preciso lembrar que é um estudo robusto, que reúne 37 anos de dados, analisando milhares de pessoas. "Estatística de população não é horóscopo e nem destino de bebê", diz. Impactos de doenças graves no desenvolvimento do cérebro Contrair doenças graves nos primeiros anos de vida, em que o cérebro está em uma fase muito intesa de crescimento, pode ter um impacto. "O cérebro do bebê está num ritmo de construção que ele nunca mais terá. Boa parte da energia que o bebê consome nessa fase vai para o crescimento neural — é literalmente uma obra acontecendo", diz Isa Minatel. "Quando o bebê fica gravemente doente, acontecem duas coisas: o corpo desvia energia que iria pra essa obra do cérebro pra lutar contra a doença, e a própria resposta inflamatória pode atrapalhar esse desenvolvimento", acrescenta. Mas isso apenas se torna um problema real em casos de infecções graves. "É muito importante separar as coisas: um resfriado comum, uma virose leve ou episódios habituais de infância não devem ser vistos como ameaça ao cérebro. A preocupação maior é com infecções graves repetidas, ou associadas a vulnerabilidade social, prematuridade, desnutrição ou falta de acesso a cuidados", esclarece Paulo Telles. Ter um irmão ameniza sofrimento das crianças em caso de conflito familiar 'Criança precisa de criança' Os especialistas reforçam que ter um irmão mais velho não é uma condenação. Inclusive, há muitos benefícios nessa relação. "O segundo filho ganha uma coisa que o primeiro não teve — um irmão. O estudo não mede o vínculo, a companhia, a vida afetiva inteira que vem com ter um irmão em casa. Vale lembrar disso antes de transformar uma estatística pequena numa preocupação grande", diz Isa Minatel. Ter irmãos ajuda no desenvolvimento emocional, social e afetivo, contribuindo para o desenvolvimento da linguagem, brincadeira e imitação. "Esse estudo não deve gerar culpa nos pais. E muito menos desincentivar ter mais de um filho! Irmãos mais velhos não são um risco para o bebê, são sim, parte da rede afetiva da criança. O que precisamos combater não é a convivência entre irmãos, mas as infecções graves", afirma Paulo Telles. A solução não é tirar o filho do convívio, segundo Mariana Ruske. "Criança precisa de criança. Faz parte do desenvolvimento social e faz parte até do amadurecimento do sistema imune, que aprende justamente convivendo. Segurar uma criança longe do mundo para livrá-la de vírus é trocar um risco pequeno por um prejuízo grande", reforça. Reação do primogênito à chegada do irmão viraliza Dicas para melhorar a imunidade das crianças Para os especialistas a mensagem mais importante é tomar um cuidado redobrado com a saúde dos pequenos nos primeiros anos de vida. Veja algumas dicas para melhor a imunidade das crianças: Aleitamento materno: o leite materno carrega anticorpos da mãe que reduzem o risco de o bebê pegar vírus. O estudo encontrou que durações mais longas de amamentação amortecem bastante esse efeito sobre as internações no primeiro ano; Lavar bem as mãos do filho mais velho quando chega em casa: reduz o risco de levar vírus, bactérias e outras sujeiras para dentro de casa, ajudando a proteger o bebê. Também pode ser interessante trocar as roupas; Manter a distância em caso de gripe: vita a transmissão de vírus por gotículas respiratórias; Manter vacinação em dia: isso vale para as crianças e os adultos da casa. Também é importante vacinar gestantes conforme calendário, incluindo influenza, coqueluche , covid e VSR. Higienizar e ventilar a casa com frequência: ajuda a reduzir a circulação de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.
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