Fabi Bang fala sobre dividir palco com a filha em "Shrek - O Musical": "Ela fez audição, não seria diferente"
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June 14, 2026
Com muito humor e imaginação, "Shrek - O Musical" reacria o divertido universo do ogro em uma produção impressionante, apresentada no Teatro Renault, em São Paulo, até 5 de julho. No elenco, Tiago Abravanel vive Shrek, Evelyn Castro interpreta o Burro, e Myra Ruiz e Fabi Bang se alternam no papel de Fiona. Já Raphael Baccic dá vida ao Lorde Farquaad. Fabi Bang e Isabel Instagram/@valdevitee e @edu.itakura Muitos outros atores já conhecidos dos grandes musicais brasileiros também sobem ao palco, em apresentações grandiosas. Ao todo são 30 artistas em cena, mais de 940 itens de figurino (totalizando 145 looks completos), 57 chapéus, 280 pares de sapatos em cena, 150 perucas, 15 trocas de cenários ao longo do espetáculo, 25 números musicais e um dragão de cerca de 9 metros. 'Shrek 5' é adiado para 2027 e ganha nova data de estreia 'Shrek 5' ganha primeiro teaser e revela Zendaya como filha do ogro; assista Ao lado do inseparável Burro Falante, Shrek vive uma aventura repleta de música, humor e descobertas. A jornada reforça uma mensagem poderosa: todos merecem ser aceitos e encontrar seu próprio final feliz, mesmo quando não se encaixam nos modelos tradicionais dos contos de fadas. Para Fabi Bang, o espetáculo tem um significado ainda mais especial. Além de ser uma das protagonistas, ela divide o palco com a filha, Isabel, de 7 anos, que faz sua estreia como Fiona criança. Para saber como tem sido viver essa experiência ao lado da pequena, a CRESCER conversou com a atriz em uma entrevista exclusiva. Confira! Crescer: Você anunciou a sua gravidez em 2018, quando estava apresentando o musical de "A Pequena Sereia" e agora você está dividindo o palco com a sua filha, a Isabel, no primeiro musical dela. Como tem sido esse momento para você? Fabi Bang: Esse anúncio da minha gravidez no último dia da temporada de um espetáculo muito amado pelas crianças, principalmente. Naquele momento, ter uma criança dentro de mim era muito emocionante, apesar de muito desafiador, porque eu tive que fazer várias adaptações para continuar conseguindo fazer todas essas tripulias que a personagem pedia. Então, eu não vi a hora de poder contar para o público aquela super novidade, a revelação da gravidez da minha primeira filha. Agora, a gente divide o palco, inclusive, a gente divide a mesma personagem, porque a Isabel interpreta a Fiona criança, tem uma outra atriz que interpreta a Fiona adolescente e eu interpreto a Fiona adulta. Eu imaginei que eu estaria aqui nessa função não só de atriz, mas de mãe, muito mais para ensinar a Isabel. A questão de estar dividindo funções toma conta dos meus pensamentos. Eu sou colega e sou mãe da Isabel nesse ambiente, no camarim, no teatro, no palco. São duas funções eh bem distintas e eu preciso encontrar uma linha ténue no que separa a colega e aonde entra em ação a mãe. Eu imaginei que eu estaria aqui na função de ensinar a minha filha e, pelo contrário, eu estou aprendendo muito com ela. Fabi e Isabel juntas em cena Reprodução Não que ela também não esteja aprendendo comigo, mas o que eu não esperava era ter uma aula de segurança, de condução de situações que, às vezes, a gente tem que lidar aqui dentro e que são imprevisíveis. Eu vejo a minha filha lidando com isso numa naturalidade, numa simplicidade que eu me sinto num lugar de observar e poder aprender muito com ela, tanto quanto talvez ela consegue aprender com a minha experiência. É muito lindo, mágico e enriquecedor para nós duas e eu acho que além de rico, isso estreita ainda mais o meu vínculo com a Isabel. Então, tem sido um momento inesquecível, tenho certeza, para sempre na nossa história. Crescer: Você acha que ser mãe dentro e fora dos palcos facilita a experiência ou também tem seus desafios? Fabi Bang: Eu acho que acaba ensinando para nós duas em relação aos nossos limites mesmo. Até onde eu posso ir e até onde a Isabel pode também invadir o meu processo e vice-versa. Então, tem coisas que, pela minha experiência, eu estou farta de saber e eu consigo contribuir pro aprimoramento da performance dela, mas nem sempre a minha opinião é bem-vinda. Muitas vezes ela prefere a opinião do diretor ou do maestro do que a opinião da mãe. Talvez porque nesse momento ela me veja mais como mãe do que como uma colega experiente. Mas é um limite muito respeitoso e muito bonito também. Ela me ouve, mas sem sempre acolhe, ela tem uma personalidade muito forte e eu adoro essa característica nela. Aqui realmente precisa dançar conforma a música. E a música daqui quem toca não é a mamãe, é o maestro. Eu acho, eu acho que é lindo vê-la querer caminhar com as próprias pernas, apesar de, sim, ter uma referência dentro de casa, que, quando ela achar que for pertinente, ela acolhe. Crescer: A Isabel fez audição e passou por todas as etapas para conseguir o papel da Fiona criança. Como foi esse processo? Fabi Bang: Quando eu soube que nesse espetáculo teria a participação de uma criança, eu conversei com a Isabel, porque eu falei: "Opa, se eu não der essa oportunidade para ela, talvez ela fique magoada". Eu vejo nela, eu já via nela uma vontade muito grande de florescer no palco, além da curiosidade de poder estar sempre comigo nesses bastidores. Então, eu conversei com ela e estava muito aberta para o que ela me daria de retorno, no sentido de "quero fazer" ou "não quero fazer". Mas, quando eu falei para ela que tinha essa oportunidade, o olhinho dela brilhou. E uma vez que brilhou, eu expliquei para ela qual era a condição de estar aqui: passar por um processo de audição, como todas as crianças que fazem parte do elenco passaram. E não seria diferente com ela pelo fato dela ser a minha filha. Fiona, Shrek e Burro Divulgação/João Caldas Ela quis abraçar essa oportunidade de se preparar para esse processo. Ela não fazia ideia do que era de fato uma audição eu fui aos pouquinhos construindo para ela um ambiente imagético para que ela projetasse aquele momento e não fosse um bicho de sete cabeças na hora que ela se visse diante do maestro. São muitas coisas acontecendo. Tem um cenário, tem um figurino, tem uma peruca, tem um maestro e o principal, tem 1.500 pessoas te assistindo. Quando eu vi que ela de fato abraçou e que ela estava disposta a se dedicar tanto quanto o processo ia exigir dela, eu falei: "Então, vamos, mamãe vai estar do seu lado. Segura na minha mão e vamos estudar". Eu sei o tamanho do desafio que é você se expor na frente de uma banca e receber uma decisão sobre estar apto ou não para fazer uma personagem. Eu acompanhei esse processo muito de perto e também a preparei para a possibilidade de dar certo e de não dar certo. Hoje tenho 20 anos de carreira e recebi muito mais "nãos" do que "sims". Quando ela passou no teste e venceu a primeira fase — que era se expor na frente de uma pessoa que nunca tinha visto, cantando com um pianista com quem nunca tinha trabalhado —, ela já tinha superado várias etapas de desenvolvimento pessoal. 'Shrek 5' é confirmado e Burro vai ganhar seu próprio filme A partir dali veio a minha maior preocupação: como eu conduziria esse processo sendo ela minha filha. Talvez, para muita gente, isso pareça um facilitador. Mas eu durmo e acordo com a minha filha, então sei onde isso pode pegá-la pessoalmente. Talvez, para outras crianças, isso seja a realização de um sonho: ser filha da Fiona de verdade, da Pequena Sereia. Mas isso também traz uma responsabilidade imensa. É claro que esse vínculo abre uma porta de visibilidade inevitável, mas ela precisa estar aqui por merecimento, não por ser filha da Fiona ou filha da atriz. Essa é uma responsabilidade enorme porque, cada vez que a cortina abre, a vulnerabilidade da criança está ali. E o que isso pode gerar de comentários é muito delicado, principalmente para o futuro dela. Se ela não estivesse apta a estrear, eu teria que ser a primeira a protegê-la e dizer: "Não está na hora de expor minha filha." Fabi como Fiona Divulação/João Caldas Crescer: Ela já fala se quer seguir os seus passos e ter uma carreira no teatro musical? Fabi Bang: Ela oscila, ela está apaixonada pela experiência de brincar de um mundo lúdico, ela brinca de contar uma história. Eu vejo nela um potencial criativo absurdo, no qual eu admiro muito a liberdade que ela se dá em cena. Mas, ela ainda está naquele momento de explorar aí de descobrir e, às vezes, ela fica muito mais encantada com a possibilidade do cenário se montar diante dos olhos da plateia do que de fato interpretar. Eu quero proporcionar para ela a oportunidade de experimentar esse mundo do teatro, que é muito abrangente. O mundo está aí para ela desfrutar, explorar e fazer as escolhas dela, mas ela tem muito jeito. Eu olho para minha filha em cena e fico muito orgulhosa do que ela do que ela sugere, do que ela espontaneamente faz sozinha, sem me ajuda, porque se eu tô de casa não faz milagre. Ela faz lindamente. Agora, não sei por quanto tempo. Se ela quiser fazer para o resto da vida, eu vou dar todo o incentivo do mundo. Ela tem em mim uma referência e, se ela tiver interesse, vou sentar com ela a vida inteira para contar as facilidades, dificuldades, os desafios dessa carreira que são inúmeros, mas que ao mesmo tempo é uma força motriz da minha vida. Crescer: Ser artista no Brasil nem sempre é fácil. Você tem algum receio caso ela escolha essa profissão? Fabi Bang: Eu acho que todas as carreiras são desafiadoras. Eu acho que quando você tem paixão, devoção pelo que você faz, esse mergulho é prazerosíssimo. A carreira exige um processo. Nada é de um dia para o outro. Você se tornar uma referência em alguma coisa, vai levar muito tempo para esse processo acontecer, é um desabrochar, é realmente bagagem de vida. As escolhas são tão pessoais e quem sou eu para barrar uma escolha, por conta da dificuldade daquilo. Eu não me sinto merecedora de barrar a expectativa e o sonho de ninguém. Então, vamos abraçar e vamos embora, seja para onde for o caminho dela. Cena do Dragão encontrando Burro Divulgação/João Caldas Crescer: A maternidade teve algum impacto na sua carreira, transformou a forma como você vê seu trabalho ou a sua performance? Fabi Bang: A maternidade me fez muito mais comprometida com qualquer coisa, não só por uma questão social, mas por uma questão de ser um exemplo para a Isabel. É muito importante para mim que ela tenha uma referência de mulher 100% comprometida com o que faz e, consequentemente, 100% realizada. Um outro fator, que é o social, me leva para um lugar que a gente já viu muitas vezes ao longo da história e também ao longo da minha vida: situações em que a mulher foi colocada como alguém com quem talvez não se possa contar porque tem filhos. Então, quando você de fato tem um filho, também não quer que ninguém use esse argumento contra você. Tenho pessoas maravilhosas como rede de apoio, que me dão esse suporte. Mas eu nunca deixei fazer com que isso fosse um argumento contra a profissional que eu batalhei por tantos anos para ser reconhecida. Isso é uma transformação muito mágica, muito simbólica. É uma força que eu dou para ela e ela reflete em mim, aí eu me enriqueço ainda mais de combustível. Eu me sinto essa potência presente de conseguir abraçar os projetos em sua totalidade. Garotinha se transforma na princesa Fiona para comemorar seu aniversário de 3 anos com tema “Shrek” Crescer: A rotina de artista é bem intensa. Como você e a Bebel conseguem conciliar tudo? Fabi Bang: São dois meses de ensaio para a gente conseguir estrear um espetáculo dessa magnitude. Então, é muito tempo. Eu e o pai da Isabel temos uma parceria e uma relação maravilhosa que permite esses precedentes para dizer: 'Hoje, não conte comigo porque tenho oito horas de ensaio'. Então, ele está lá por mim, e vice-versa. Nesse caso, como a Isabel fazia parte dos ensaios, ele podia contar mais comigo, porque eu também estava aqui dando suporte. Foi muito bacana poder compartilhar um pouco desse momento que normalmente me rouba bastante da rotina de casa, que são os ensaios. Trazer a Isabel para dentro desse universo foi prazeroso e também facilitou muita coisa, confesso. Lorde Farquaad e Biscoito Divulgação/João Caldas Crescer: Ano passado você teve uma temporada como Glinda, que teve uma recepção enorme do público, e agora você estrela como Fiona. Como foi essa transição para você? Fabi Bang: Eu tive um intervalinho de final de ano para fazer essa transição e acaba que a Glinda já está tão consolidada, a gente já tem tanta intimidade, é uma década contracenando com essa personagem. Então, a chave do liga e desliga com a Glinda não é mais tão desafiadora. O mais desafiador são as personagens novas que acabam aparecendo para mim. Pode existir uma familiaridade entre uma personagem e outra, porque sou uma atriz que traz bastante da própria personalidade para os papéis. Mas são histórias e trajetórias diferentes. Já interpretei personagens mais densas, que vivem em contextos bem diferentes dos contos de fadas. É um processo de atriz, e eu trago uma bagagem de vida que me permite acessar lugares distintos. Mas as heroínas e princesas acabam tendo algumas coisas em comum. Então, entre ligar a chave de uma e desligar a da outra, existe um lugar em que elas também se emprestam coisas. A Fiona rouba um pouquinho da Glinda, e agora a Glinda que vou interpretar no segundo semestre também vai roubar um pouco dessa Fiona. É um intercâmbio de princesas que acontece e contribui para a próxima personagem. Fiona criança, adulta e adolescente na torre Divulgação/João Caldas Crescer: Falando um pouco sobre "Shrek - O Musical", o espetáculo conquista as crianças? E os pais? Fabi Bang: "Shrek" traz uma amplitude de público muito gostosa, porque você vê, de fato, as crianças que estão na plateia rindo de doer a barriga e os adultos estão pescando outra coisa. Eles também percebem um outro subtexto que está sendo trazido ali, algo que as crianças não captam, mas que é tão engraçado quanto. É um espetáculo para a família inteira. Muita gente me pergunta: 'Mas é infantil, não é?'. E eu respondo: não, é para a família toda. E não é só uma forma de falar. Os adultos saem daqui com a barriga doendo de rir tanto quanto as crianças. As personagens são muito envolventes. O Shrek é muito envolvente, o Burro é extremamente presente durante a peça e é o grande ponto de humor. As crianças adoram ver personagens que conhecem dentro desse contexto. A Cuca, a Elfa, o Peter Pan estão nessa história, e elas ficam encantadas ao ver personagens tão familiares participando de uma trama que não é necessariamente a deles. Shrek 5: mudanças na animação causa polêmica na web Os personagens interagem, brincam com isso. Enquanto isso, os adultos percebem a complexidade da essência do ogro: um cara incompreendido, que vive à margem da sociedade porque não é aceito, apesar de ser cheio de carinho e sensibilidade. O Shrek é um ursão. Um cara sensível com uma carcaça grande, assustadora e intimidadora. E o adulto consegue enxergar a complexidade e os desafios desse personagem. Por isso é um espetáculo tão rico e encantador para todas as idades. Casamento de Shrek e Fiona Divulgação/João Caldas
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