Mãe revela como está a filha 6 anos que nasceu com apenas 500g e passou 154 dias na UTI
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June 13, 2026
Quando a administradora Luthielle Corrêa Antonaccio, de Pelotas (RS), decidiu engravidar pela segunda vez, acreditava que viveria uma gestação tranquila. Depois de enfrentar o diagnóstico de uma doença rara do filho mais velho, Matteo, ela pensou que finalmente poderia experimentar uma maternidade sem grandes sobressaltos. Mas o destino reservava uma nova e inesperada batalha. Mãe e filha chamam atenção com condição genética rara: “Nunca passamos despercebidas” Anna Vittoria nasceu com apenas 23 semanas de gestação, considerada uma prematura extrema. Pesando pouco mais de meio quilo, ela iniciou uma luta pela sobrevivência que transformaria para sempre a vida da família. “Meu maior medo sempre foi perder a minha filha”, afirma Luthielle. Mãe revela como está a filha 6 anos após nascer com apenas 500g e passar 154 dias na UTI Arquivo pessoal Antes da prematuridade, uma batalha pela vida do filho mais velho O sonho de ser mãe sempre esteve presente na vida de Luthielle. No entanto, a maternidade chegou acompanhada de desafios que ela jamais imaginou enfrentar. Quando Matteo tinha apenas 2 anos, recebeu o diagnóstico da Síndrome de Cimitarra, uma cardiopatia congênita extremamente rara. A notícia trouxe medo, insegurança e uma sensação profunda de solidão. “Não conhecíamos outras famílias que passavam pela mesma situação. Não tínhamos com quem trocar experiências ou buscar referências”, relembra. A complexidade do caso levou a família a buscar tratamento em Boston, nos Estados Unidos. Matteo passou por uma cirurgia delicada aos 3 anos. Hoje, com 11, leva uma vida completamente normal e surpreendeu até os médicos. “Um dos especialistas chegou a dizer que ele nunca seria atleta. Hoje, ele joga tênis e pratica vários esportes”, conta a mãe. Ao olhar para trás, Luthielle acredita que toda aquela experiência acabou preparando emocionalmente a família para o que ainda estava por vir. “Ela vai nascer”: o dia em que tudo mudou A segunda gestação transcorria sem intercorrências. Os exames estavam normais e os planos para a chegada da bebê seguiam dentro do esperado. Até que, repentinamente, dores de cabeça intensas e contrações mudaram o rumo da história. Com apenas 23 semanas de gravidez, Luthielle ouviu do médico uma frase que jamais esqueceria. “Ela vai nascer.” A reação foi imediata. “Eu respondi que não. Ela não podia nascer porque era muito pequena. Eu nunca tinha ouvido falar sobre um bebê tão prematuro que havia sobrevivido”, lembra. Mas o nascimento era inevitável. Foi naquele instante que surgiu o nome completo da filha. “Sempre gostei de Anna, mas sentia que faltava algo. Quando o médico disse que seria uma vitória, encontrei o nome que faltava: Vittoria.” No dia seguinte ao parto, ao ver a filha pela primeira vez na incubadora da UTI Neonatal, ela teve uma certeza. “Quando dei o primeiro passo em direção à incubadora, senti a imensidão da minha missão como mãe. E também que ela tinha vindo para ficar.” Do parto para a UTI Arquivo pessoal Uma bebê de 500 gramas e uma sucessão de desafios Os meses seguintes foram marcados por uma sequência de diagnósticos e intercorrências que colocaram à prova a resistência da bebê e da família. Anna enfrentou enterocolite necrosante com perfuração intestinal, sepse, anemia da prematuridade, broncodisplasia pulmonar, apneias, retinopatia da prematuridade, leucomalácia periventricular bilateral e outras complicações comuns entre prematuros extremos. Foram oito transfusões de sangue, cirurgias, 52 dias entubada e mais 43 dias utilizando CPAP. Uma das fases mais difíceis aconteceu quando a bebê tinha apenas 20 dias e pesava cerca de 500 gramas. Ela precisou passar por uma cirurgia de emergência devido à enterocolite necrosante. “Ela perdeu oito centímetros do intestino. O intestino dela tinha a espessura da carga de uma caneta Bic. Era algo impossível de imaginar”, relata. Mesmo diante de tantas adversidades, a mãe se impressionava diariamente com a força da filha. “Eu olhava para aquela incubadora e pensava: como um bebê tão pequeno consegue lutar tanto?” O que significa ser uma mãe de UTI Ao longo dos 154 dias de internação, Luthielle precisou reconstruir completamente sua ideia de maternidade. Enquanto sonhava com o colo, a amamentação e a chegada da filha em casa, aprendeu a exercer o papel de mãe ao lado de uma incubadora. “Ser mãe de UTI é vestir-se de coragem”, resume. Ela conta que passou a comemorar conquistas que antes pareciam insignificantes: alguns gramas a mais na balança, um exame favorável ou simplesmente um dia sem intercorrências. “Escutar a palavra ‘estável’ se transforma em um alívio gigantesco. Porque significa que hoje seu bebê continuou lutando.” Segundo ela, a experiência deixou marcas profundas. “Depois de ser mãe de UTI eu nunca mais fui a mesma pessoa. A prematuridade me atravessou de uma forma impossível de explicar.” O irmão que enxerga possibilidades Hoje, aos 6 anos, Anna continua realizando terapias diariamente para estimular seu desenvolvimento. A rotina é intensa, mas também repleta de pequenas conquistas celebradas pela família. Um dos maiores apoiadores da menina é o irmão mais velho. “O Matteo nunca enxergou a Anna pelas limitações dela. Para ele, sempre foi apenas a irmã dele”, diz a mãe. Amor de irmãos Arquivo pessoal Ele participa das terapias, incentiva os exercícios e vibra a cada avanço da irmã. “Enquanto muita gente enxerga limitações, ele enxerga potência. Enquanto o mundo muitas vezes exclui, ele inclui naturalmente.” Transformando dor em esperança Logo após o nascimento da filha, Luthielle buscou na internet histórias de prematuros extremos que tivessem sobrevivido. Queria encontrar esperança para continuar. Mas encontrou poucas referências. “Quase ninguém mostrava como aquelas crianças estavam anos depois.” Quando a vida começou a ganhar alguma estabilidade, ela decidiu compartilhar a trajetória da filha nas redes sociais. O retorno veio rapidamente. Mensagens de mães que enfrentavam situações semelhantes passaram a chegar diariamente. “Foi quando percebi que nossa caminhada tinha um propósito muito maior do que nós.” Atualmente, além de produzir conteúdo sobre prematuridade extrema e maternidade atípica, ela atua como ativista da causa e integra a diretoria da Associação de Cuidado Integral à Prematuridade (ACIP). Sua missão é dar visibilidade aos desafios enfrentados por famílias de prematuros extremos e mostrar que existe vida além dos diagnósticos. “Quero mostrar que existe felicidade, amor e conquistas mesmo quando o caminho é diferente do que imaginamos.” Uma mensagem para quem está vivendo a UTI Neonatal Ao falar com mães que hoje ocupam o lugar que ela esteve anos atrás, Luthielle faz questão de deixar uma mensagem de acolhimento. “Eu sei exatamente a dor que você está sentindo. Sei como dói sair do hospital sem o seu bebê no colo.” Mas também reforça a importância de manter a esperança viva. “A UTI Neonatal é um lugar muito duro, mas também é um lugar onde milagres acontecem todos os dias.” E conclui com o aprendizado que carregou da própria experiência: “Seu bebê conhece sua voz, conhece seu cheiro e sente o seu amor. Por mais difícil que pareça agora, tente viver um dia de cada vez.” Família completa Arquivo pessoal
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