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Barriga que não volta depois da gravidez pode ser diástase: saiba quando tratar e quando operar

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… June 11, 2026
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Muitas mães chegam ao primeiro, segundo e até ao terceiro ano depois do parto com uma dúvida que não passa: por que a barriga ainda parece diferente, mesmo depois de perder o peso da gravidez? A resposta pode estar na diástase abdominal, uma condição muito mais comum do que se imagina e que acontece quando os músculos do abdômen se afastam durante a gestação e não retornam completamente ao lugar depois do parto. Veja quais são os principais fatores para ocorrer a diástase Magnific 14 mudanças (estranhas) que podem acontecer por todo o corpo na gravidez O problema é que poucas mulheres recebem orientação adequada sobre isso ainda na maternidade e muitas acabam tentando resolver com exercícios que, feitos de forma errada, podem piorar o quadro. Para entender o que é a diástase, como prevenir e quais são os caminhos de tratamento, a CRESCER conversou com Maiéve Corralo, cirurgiã plástica do Instituto Maiéve Corralo, no Rio de Janeiro. O que é diástase e por que ela acontece A diástase é o afastamento da musculatura principal do abdômen — tecnicamente chamada de músculo reto abdominal — que ocorre naturalmente durante a gestação para acomodar o crescimento do bebê. O problema aparece quando, depois do parto, essa musculatura não retorna ao lugar. "Quanto maior o tamanho do bebê, maior a quantidade de líquido, maior o peso atingido durante a gravidez, maior pode ser o afastamento. E muitas vezes, na recuperação pós-parto, essa musculatura não retorna ao lugar onde deveria e causa um abaulamento constante mesmo um ano depois do período do parto", explica Maiéve Corralo. Nem todas as mulheres têm o mesmo risco. Um fator que aumenta consideravelmente a chance de desenvolver uma diástase mais significativa é a presença de hérnia umbilical antes da gravidez. "Para as mulheres que estão pretendendo engravidar e perceberem um abaulamento na região do umbigo, é interessante agendar o tratamento da hérnia antes da gravidez", orienta a cirurgiã. Além disso, ganho de peso excessivo durante a gestação e múltiplas gestações são fatores que também contribuem para o afastamento maior da musculatura. Vale lembrar que a diástase não é um problema exclusivo de quem teve parto cesárea ou parto normal: ela pode acontecer independentemente da via de parto, já que o afastamento muscular ocorre ao longo dos nove meses de gestação, não no momento do nascimento em si. O que fazer nos primeiros meses pós-parto O período logo após o parto é decisivo para o retorno da musculatura abdominal e também o momento em que mais erros são cometidos por falta de orientação. Maiéve é direta: exercícios feitos de forma errada nessa fase podem piorar o afastamento, não melhorá-lo. "Exercícios de vácuo abdominal orientados por um profissional de educação física ou fisioterapeuta são recomendados, porque exercícios realizados de forma errada nesse período podem piorar o afastamento da musculatura." A fisioterapia respiratória é outro aliado importante nessa fase inicial e pode ser iniciada ainda nas primeiras semanas após o parto, com liberação médica. O uso de cinta abdominal também ajuda: "O uso de cintas logo após os primeiros 15, 20 ou 30 dias pós-parto ajuda no retorno da musculatura e na flacidez da pele", afirma a especialista. Para quem teve cesárea, o cuidado é ainda maior nos primeiros meses: evitar pesos, musculação e qualquer tipo de carga é fundamental para não aumentar o afastamento e evitar o surgimento de hérnias na cicatriz cirúrgica. Para a prevenção ainda durante a gravidez, o principal fator é o controle do ganho de peso. "A manutenção de peso vai ser o principal fator de prevenção da diástase", diz Maiéve. Manter atividade física regular, dar preferência a alimentos ricos em proteína, frutas e legumes, evitar açúcar e refrigerantes e manter a pele bem hidratada são medidas que ajudam tanto na prevenção da diástase quanto no surgimento de estrias, outra complicação frequente quando o afastamento muscular é maior. Como fechar diástase: tecnologia pode ajudar Freepik Manchas na gravidez: o que é melasma, como prevenir e quando tratar Quando a tecnologia e a cirurgia entram em cena Quando a fisioterapia e os exercícios orientados não são suficientes para promover o retorno da musculatura, existem tecnologias que podem potencializar o tratamento. "Existem tecnologias que geram campos eletromagnéticos para o fortalecimento dessa musculatura da parede abdominal. Orientadas de maneira correta, podem evitar a maioria das cirurgias pós-gestação por conta de diástase quando não existe uma flacidez abdominal associada", explica Maiéve. A cirurgia, no entanto, não é descartada: ela tem indicação precisa e momento certo para acontecer. "A estrutura óssea e muscular retorna à sua anatomia cerca de um ano, um ano e meio pós-parto. Então a gente sempre orienta que a paciente tente medidas não cirúrgicas nesse período", diz a cirurgiã. A indicação cirúrgica passa a ser considerada quando, após esse tempo, a musculatura não retornou adequadamente, ou quando há presença de hérnia associada, seja na região umbilical, seja na cicatriz da cesárea. Nesses casos, a cirurgia é indicada a partir de um ano pós-parto. Os resultados cirúrgicos, quando bem indicados, são significativos: além da correção do afastamento muscular, é possível tratar hérnias associadas e melhorar a aparência da região abdominal como um todo. Mas, Maiéve reforça que o caminho ideal começa muito antes do centro cirúrgico, começa ainda na gestação, com cuidados simples que fazem diferença real no pós-parto. E continua nas primeiras semanas depois do nascimento do bebê, com acompanhamento profissional adequado e paciência com o próprio corpo.

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