Depois de ouvir que “não sabia correr”, menino com paralisia cerebral participará da Corrida Brasil Paralímpico neste domingo
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May 23, 2026
Diagnosticado desde os 8 meses com paralisia cerebral do tipo diparética espástica, Henrique Robertes, de 5 anos, sempre adorou esportes. No entanto, há cerca de cinco meses, chegou em casa chorando depois de ouvir de uma colega da escola que ele não sabia correr. Após o episódio, o pequeno pediu aos pais para tirar as órteses das pernas, pois “queria ficar igual a todo mundo”. Com o apoio da família, o menino reverteu sua história e participará da Corrida Brasil Paralímpico neste domingo (24). Henrique Robertes vai participar da corrida do CPB Arquivo Pessoal “Meu mundo parou quando soube que ela precisava de transplante”, diz mãe de bebê com câncer raro A trajetória de Henrique começou quando ele tinha apenas 25 dias de vida e teve uma bronquiolite, que evoluiu para pneumonia e, depois, para uma infecção generalizada. No processo, passou por uma lesão cerebral, que afetou os dois membros inferiores, um membro superior e, por um período, também a fala. A família já havia percebido dificuldades no membro superior direito e Renata Pessoa, 29, mãe do menino e fisioterapeuta, iniciou os estímulos em casa desde cedo. Aos 2 anos e 10 meses, depois de um longo processo judicial, Henrique passou a frequentar uma clínica de terapias intensivas, e aos 3 anos, começou a andar sem apoio. Foi aí que com a ajuda da família, de São Bernardo do Campo (SP), Henrique participou de sua primeira corrida, ganhou uma medalha e voltou para casa com uma palavra nova para descrever a si mesmo: orgulho. “Ele ficou super feliz e orgulhoso dele. Isso deixou a gente ainda mais feliz”, lembra a mãe. Desde então, o esporte passou a fazer parte da rotina do pequeno torcedor do Palmeiras, que já havia demonstrado vontade de treinar futebol. O desejo levou a família a conhecer o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), e depois da primeira corrida, a empolgação aumentou. Ele passou a pedir para treinar mais vezes na clínica, usar a esteira e caminhar com os pais na rua. Para Renata, o incentivo ao esporte se tornou uma forma de fortalecer o filho para lidar com os olhares e comentários que ainda podem aparecer pelo caminho. “A gente fortalece o nosso filho todos os dias para que ele não aceite esses olhares e esses comentários para o resto da vida dele. Que ele seja forte a ponto de conseguir olhar para essas pessoas e falar: eu consigo sim, eu consigo correr, eu posso correr, eu consigo chegar aonde eu quero”, comenta. Initial plugin text SBP faz alerta sobre whey protein e creatina para crianças e adolescentes; especialista explica riscos Importância do esporte para crianças com deficiência Esther Duarte, psicóloga do esporte no Comitê Paralímpico Brasileiro, destaca que é na infância que a criança começa a formar a imagem que tem de si mesma e a entender como se relaciona com o mundo. “O preconceito na infância pode gerar sentimentos de inferioridade, insegurança, vergonha da própria deficiência, medo de participar de atividades escolares, baixa autoestima, ansiedade, tristeza e uma dependência emocional de aprovação dos outros”, alerta. Por isso, a especialista afirma que o esporte pode funcionar como uma ferramenta importante para crianças com deficiência. “O esporte pode fortalecer a autoestima e a autonomia de crianças com deficiência ao mostrar, na prática, suas capacidades e potencialidades. Além de melhorar a saúde física e emocional, ele ajuda no desenvolvimento da confiança, da independência e das habilidades sociais”, explica. Os benefícios do esporte: Desenvolvimento da confiança Estímulo à autonomia Melhora da saúde física e emocional Desenvolvimento de habilidades sociais Criação de vínculos com outras crianças Senso de pertencimento Maior participação social Valorização das próprias capacidades Ressignificação da deficiência Como a família pode ajudar? Renata sabe da importância de criar um ambiente inclusivo. Antes mesmo de se tornar mãe, a fisioterapeuta cresceu próxima do universo paralímpico, pois seu pai trabalhou como professor de futsal de atletas com deficiência visual e integrou a comissão técnica da seleção brasileira nas Paralimpíadas de 2012. Essa vivência ajudou a moldar a criação de Henrique e também da irmã dele, que não tem deficiência. A menina acompanha a rotina do irmão na clínica e convive naturalmente com crianças que usam cadeira de rodas, andador ou outros recursos de apoio. “Ela não olha com olhar de piedade para uma criança que usa cadeira de rodas ou andador, porque não é assim que eu quero criar minha filha”, diz Renata. Esther concorda que família e escola têm papel central nesse processo. Segundo ela, incentivar a autonomia, reconhecer as capacidades da criança e combater o preconceito no dia a dia são atitudes essenciais para que a deficiência não seja vista como vergonha ou impedimento. “Cada pessoa é única no seu jeito de ser, e esse pensamento precisa ser trabalhado com as crianças com e sem deficiência”, reforça. Henrique começou a andar sem apoio aos 3 anos Arquivo Pessoal Mãe revela sinal de câncer do filho que passou despercebido: "Seu corpo tentou mostrar que não estava bem" Corrida Brasil Paralímpico Neste domingo, 24 de maio, Henrique e a família participam da Corrida Brasil Paralímpico, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O evento celebra os 10 anos do CT Paralímpico e reúne crianças e adultos, com e sem deficiência, em provas e vivências de modalidades como futebol de cegos e basquete em cadeira de rodas. Para José Antônio Freire, presidente do CPB, aproximar crianças do universo paralímpico desde cedo ajuda a mudar a forma como elas enxergam a deficiência. “O foco é a capacidade, não somente a limitação. A inclusão deve ser um processo natural, é errado pensar que deveria ser um esforço ou um projeto”, afirma. Além da corrida, o CPB mantém a Escola Paralímpica de Esportes, projeto gratuito voltado à iniciação de crianças e jovens de 7 a 17 anos com deficiência física, visual e intelectual. A iniciativa oferece 15 modalidades paralímpicas, como atletismo, badminton, bocha, futebol de cegos, goalball, judô, natação, tênis de mesa, tiro com arco e vôlei sentado. As atividades acontecem no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, duas vezes por semana, com uniforme, lanche e transporte em locais estratégicos de municípios parceiros. O evento também marcará a primeira aparição presencial dos Paramigos Imparáveis, série de animação criada pelo CPB para apresentar o universo dos esportes adaptados ao público infantil em formato de aventura. “Com os 'Paramigos Imparáveis', o CPB quer usar o lúdico para provocar a curiosidade saudável e a admiração. A inclusão acontece de verdade quando a criança se identifica com a história”, finaliza Freire.
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