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Pais também sofrem: ciência revela que depressão paterna pode surgir meses após o nascimento

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… May 20, 2026
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Nos primeiros meses depois do nascimento de um filho, os diagnósticos de transtornos psiquiátricos em pais podem até cair, mas, segundo dados obtidos de um estudo com mais de 1 milhão de pais na Suécia, publicado em março deste ano, ao final do primeiro ano de vida da criança, os casos de depressão e transtornos relacionados ao estresse aumentaram mais de 30% em relação aos níveis anteriores à paternidade. Veja dados de nova pesquisa sobre depressão pós-parto paterna Magnific Moises Chencinski: "O gás hélio e a licença-paternidade" Apesar de muito se falar sobre a depressão pós-parto das mães, por motivos incontestáveis, claro, uma pesquisa publicada no Journal of Affective Disorders em 2025 já havia alertado que cerca de 1 em cada 10 homens apresenta resultados positivos para depressão após o nascimento do filho. Se o pai não gesta e sente impactos físicos, por que ele também adoece? Diferente do que ocorre com as mães, a depressão pós-parto paterna pode acabar demorando a ser percebida pela diferença entre os sintomas mais comuns. "Em vez de tristeza evidente, alguns homens apresentam irritabilidade, distanciamento emocional, aumento do estresse, insônia, excesso de trabalho, isolamento, abuso de álcool ou até comportamentos impulsivos", lista o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da Doctoralia. Para a psicóloga Larissa Fonseca, essa diferença também tem raízes diretamente ligadas à cultura que idealiza a figura paterna como uma ‘fortaleza’ num momento em que ele “também está fragilizado e desconectado sem reconhecer o que é ser pai". "Nem percebe que sua irritabilidade pode ser depressão”, reflete ela. "Muitos homens sentem vergonha de admitir sofrimento emocional justamente em um momento que socialmente deveria ser apenas feliz”, acrescenta Oswaldo. Eles viveram a licença-paternidade estendida e isso mudou tudo: três pais contam como o tempo com o bebê os transformou Mesmo sem passar pelas alterações hormonais da gestação, a chegada de um filho representa uma transformação emocional, social e psicológica intensa para o pai. "O homem não vive a gestação no corpo, mas vive no cérebro e na responsabilidade. Muitas vezes, ele entra em estado constante de alerta. A rotina muda, o sono desaparece, aumenta a pressão financeira e surge um medo que não pode expressar de 'não dar conta'", reflete Larissa. A isso se soma o que Oswaldo chama de ‘sofrimento emocional compartilhado’. "Quando a mãe está emocionalmente fragilizada, o parceiro também pode adoecer psiquicamente, especialmente em relações afetivas muito próximas", disserta ele. Larissa ainda acrescenta que muitos homens sentem que perderam espaço na relação sem compreender que é momentâneo. "Existe redução da intimidade, menos tempo juntos e uma sensação de substituição emocional pelo bebê. Isso pode gerar solidão, insegurança e até culpa por sentir emoções negativas num momento em que todos esperam gratidão." Sinais de alerta Muitos pais não percebem que estão deprimidos porque não param para avaliar cuidadosamente seus sentimentos. A licença paternidade é mais curta e voltam para a rotina sem entender se estão emocionalmente desconectados. Os principais sinais se tornam alerta quando o homem demonstra: irritabilidade persistente; afastamento da família e do bebê; alterações importantes no sono; sensação constante de exaustão; falta de prazer em atividades antes agradáveis; aumento do consumo de álcool; sentimentos frequentes de fracasso ou incapacidade. "Compartilhar que também não está tudo bem, que não é tão forte e que está sendo um momento de medo e vulnerabilidade une o casal e mostra para a esposa que ela não está sozinha no sentimento”, lembra Larissa, que finaliza com um recado: "A saúde mental do pai impacta diretamente o vínculo com a criança, a relação do casal e até o desenvolvimento emocional do bebê". Betto Auge fala sobre paternidade e como criar hábitos saudáveis em família. "Tenho uma cozinha ao redor da casa", diz o influenciador Como fica o tratamento do pai? Neste caso, para Oswaldo, o primeiro passo é entender que sofrimento emocional no puerpério não é sinal de fraqueza. É uma condição humana e relativamente comum. O pai precisa abandonar a ideia de que deve suportar tudo sozinho. "Buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica precocemente faz diferença. Além do tratamento profissional, dividir responsabilidades, manter rede de apoio, preservar momentos mínimos de autocuidado e conversar abertamente sobre o que está sentindo ajudam muito no enfrentamento desse período", aponta ele.

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