External Publication
Visit Post

Seu filho usa tablet todo dia? Estudo revela impacto no aprendizado antes da alfabetização

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… May 5, 2026
Source
Seu filho usa dispositivos digitais todos os dias? Se a sua resposta for sim, é preciso ficar atento. O Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (International Early Learning and Child Well-being Study - IELS), divulgado nesta terça-feira (5) durante coletiva de imprensa online, apontou uma associação entre o uso diário de telas e níveis mais baixos de aprendizado. Menino mexendo no celular Freepik Os pesquisadores alertam que os dados não indicam que o uso de tela cause diretamente menor desenvolvimento. No entanto, o excesso pode reduzir o tempo dedicado a atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como brincar, se exercitar, conversar, ouvir histórias e interagir com outras crianças e adultos. No Brasil, 50,4% das crianças utilizam dispositivos digitais todos os dias. Por outro lado, apenas 14% das famílias leem livros para os pequenos de 3 a 7 vezes por semana. Os dados fazem parte de um estudo desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e viabilizado no país por uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. 📈 Como o estudo foi feito? O objetivo do trabalho foi trazer dados inéditos sobre o desenvolvimento de crianças brasileiras entre 4 e 5 anos matriculadas na pré-escola. A pesquisa buscou avaliar três áreas de desenvolvimento: Aprendizagens fundamentais: literacia e numeracia emergentes. Funções executivas: memória de trabalho, flexibilidade mental e controle inibitório. Habilidades socioemocionais: empatia - identificação e atribuição de emoções -, confiança, comportamento pró-social e comportamento não disruptivo. No Brasil, o estudo foi coordenado por Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ). Participantes: 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas - 80% públicas e 20% privadas. Localidade: Ceará, Pará e São Paulo. Capitais (34,7%) e Interior (65,3%). Perfil da Amostra Sexo: 50,7% (meninos) e 49,3% (meninas). Cor e raça: 30,1% (brancas), 51,7% (pardas). 5,7% (pretas) 1,2% (amarela ou indígena). Bolsa Família: 51,5% recebem o benefício. Educação especial: 4,1% pertencem à Educação Especial. Principais resultados Como referência, os pesquisadores utilizaram a média de 500 pontos para apoiar o debate. Aprendizagens fundamentais Literacia emergente (conjunto de conhecimentos e habilidades que antecedem a alfabetização): o país apresentou uma pontuação média de 502 pontos, ligeiramente acima da média internacional. Neste domínio, houve pouca variação de resultados entre níveis socioeconômicos diferentes. Numeracia emergente (capacidade de identificar, compreender, contar e manipular números): aqui, os dados mostram um cenário preocupante. A média do país foi de 456 pontos, sendo inferior à média internacional (-44 pontos). Há também uma maior desigualdade nesse domínio. Enquanto 80% das crianças de nível socioeconômico alto dominam o reconhecimento dos numerais, esse índice cai para 68% no caso de crianças com nível social mais baixo. Habilidades socioemocionais: os domínios associados à empatia apresentaram as pontuações mais elevadas em relação à média internacional, com 501 pontos em atribuições de emoção e 491 pontos em identificação de emoções. Segundo os pesquisadores, atividades relacionadas à linguagem — como ouvir histórias, conversar e explorar livros — costumam ser mais frequentes tanto nas práticas pedagógicas como no convívio familiar. Enquanto experiências voltadas ao desenvolvimento do raciocínio matemático inicial — como brincar com números, explorar quantidades, padrões ou relações espaciais — tendem a ocorrer de forma menos sistemática. Mariane Koslinski destacou que o Brasil ficou próximo da média internacional em três campos: literacia emergente (502), empatia e identificação das emoções (491) e atribuição de emoções (501). "O Brasil é o país que tem menor desigualdade entre essas crianças para medida de literacia emergente", diz a pesquisadora. Onde não estamos bem? Mariane chama a atenção para numeracia emergente e para todas as medidas das funções executivas (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental). A pesquisadora ainda revela que, em geral a numeracia e literacia têm médias muito próximas nos outros países. No entanto, no Brasil, essas médias são bastantes diferentes. Durante a coletiva, Tiago Barthol chamou a atenção para as desigualdades em relação aos domínios de literacia e numeracia: Literacia Nível socioeconômico baixo: 487 pontos Nível socioeconômico alto: 521 Diferença: 34 pontos Numeracia Nível socioeconômico baixo: 429 Nível socioeconômico alto: 484 Diferença: 55 pontos Para a numeracia emergente, as desigualdades sociais explicam mais essas diferenças que estamos observando, diz o pesquisador Embora as crianças de nível socioeconômico alto apresentem índices mais elevados com relação à numeracia, o cenário ainda é preocupante. "As crianças [de nível mais alto] tiveram na média 484 pontos, ou seja, elas ficaram 16 pontos abaixo da média internacional", ressalta Tiago Barthol. Funções executivas Memória de trabalho (capacidade de armazenar e manipular informações): nesse domínio, a desigualdade se destaca: Uma diferença de 39 pontos entre crianças de nível socioeconômico alto e baixo, disparidade considerada alta. Além disso, as médias brasileiras nos três domínios (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental) situam-se abaixo da média internacional. Ambiente de aprendizagem em casa A leitura de livros ocorre com menor frequência: 53% das famílias nunca ou raramente realizam estas atividades. Enquanto apenas 14% dos responsáveis brasileiros realizam essa atividade entre 3 e 7 vezes por semana, a média internacional é de 54%. A realização de atividades ao ar livre – como caminhadas, brincadeiras livres e outras opções de lazer – é frequente para apenas 37% das famílias, abaixo da média de 46% nos países participantes do IELS. Mais da metade das famílias (56%) relata que conversa com as crianças sobre como elas se sentem entre 3 e 7 dias por semana. Embora seja a prática mais comum relatada pelos responsáveis brasileiros, as conversas ocorrem com menor frequência do que na média internacional, que chega a 76%. Tiago Bartholo menciona que a maior diferença de pontos entre a média brasileira e internacional é com relação à leitura compartilhada. "Na amostra brasileira, menos de 15% das famílias relataram realizar essa atividade três dias ou mais com as crianças. Na amostra internacional, aproximadamente 54%", afirma o pesquisador. Ao fazer um recorte por nível socioeconômico, a diferença não é tão acentuada. "As famílias de nível socioeconômico mais alto no Brasil, esse número salta de 14% para 24%. As famílias de nível socioeconômico mais alto leem, comparativamente com essas famílias dos outros países, menos da metade". Uso de dispositivos digitais As telas se tornaram comuns no dia a dia das crianças, mesmo a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendando, no máximo, 1 hora (com supervisão) de tela para crianças entre 2 e 5 anos. E, para os menores de 2 anos, zero. Ao longo da pesquisa do IELS, os pais ou responsáveis pelas crianças foram questionados sobre a frequência de uso de dispositivos digitais, incluindo computador, notebook, tablet ou celular, por parte das crianças. Frequência do uso de dispositivos digitais pelas crianças A média de todos os países participantes da pesquisa indica que 46% das famílias reportaram o uso diário de dispositivos digitais pelas crianças. Pontuação de crianças que utilizam dispositivos digitais todos os dias VS crianças que utilizam com menor frequência (menos do que diariamente). Apesar de não trazer um recorte por horas de uso, o estudo mostrou que há uma associação entre o uso diário de telas e níveis mais baixos de desenvolvimento em todos os domínios. Aproximadamente 10 pontos em literacia emergente Cerca de 11 pontos em numeracia emergente As crianças que fazem uso diário de [telas] apresentam um aprendizado médio menor, com destaque especial para numeracia e literacia Dados da população brasileira na primeira infância 0 a 3 anos: 10,5 milhões de crianças. 4 a 6 anos: 7,5 milhões de crianças. Total: 18 milhões de crianças — cerca de 9% da população do país. Crianças de 0 a 6 anos em famílias de baixa renda: 10 milhões — 55,4% do total.

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...