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5 coisas que os pais precisam saber sobre o uso do Mounjaro em crianças e adolescentes

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… April 24, 2026
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A Anvisa acaba de aprovar o uso do Mounjaro (tirzepatida) para crianças e adolescentes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2. O medicamento já era autorizado para adultos no Brasil e, agora, passa a ser uma opção também para os mais jovens, quando outros tratamentos não foram suficientes para controlar a doença. Veja quais são os pontos de atenção listados por especialistas para o uso do Mounjaro em adolescentes Freepik Busca por canetas emagrecedoras cresce entre mães no pós-parto, revela pesquisa A novidade é significativa: hoje, cerca de 213 mil adolescentes vivem com diabetes tipo 2 no Brasil, e mais de 1,4 milhão já apresentam pré-diabetes. Ter uma nova alternativa aprovada amplia as possibilidades de tratamento para uma faixa etária que ainda tinha poucas opções. Mas, a aprovação também trouxe dúvidas e, é claro, alguns mitos. Afinal, esse medicamento ficou famoso entre adultos como "caneta emagrecedora", e agora chega para um público completamente diferente, ainda em fase de crescimento. Para entender o que essa novidade significa na prática, conversamos com Leticia Lara, nutricionista especializada em pediatria pelo Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP. Ela explica o que os pais precisam saber antes de qualquer conclusão. 1. Não é sobre emagrecer. É sobre tratar uma doença Essa é a primeira confusão que precisa ser desfeita. "No caso de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, o foco principal não é estético. O objetivo é tratar uma doença metabólica e evitar complicações futuras", esclarece Leticia. "A perda de peso pode acontecer como consequência do tratamento, mas ela não deve ser encarada como objetivo principal." Estamos falando de controle de glicemia e qualidade de vida, não de padrões estéticos ou cultura da dieta. 2. A caneta não faz o trabalho sozinha O remédio é um suporte. Mas ele só funciona bem quando faz parte de um cuidado maior. "A caneta não é um tratamento milagroso e nunca deve ser usada sem indicação médica. O uso precisa ser acompanhado por endocrinologista pediátrico e nutricionista para garantir segurança, adesão ao tratamento e manutenção do crescimento saudável", reforça Leticia. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade e apoio da família continuam sendo pilares insubstituíveis do tratamento. Obesidade na adolescência: quando usar a caneta emagrecedora? 3. A alimentação precisa ser reorganizada, com atenção redobrada Como o medicamento reduz o apetite e aumenta a saciedade, algumas crianças podem passar a comer muito menos do que precisam. Em fase de crescimento, isso é um ponto sério. "O principal cuidado é garantir que a criança continue consumindo nutrientes suficientes para crescer e se desenvolver adequadamente. Muitas vezes, é necessário reorganizar a rotina alimentar, priorizando refeições mais equilibradas e fracionadas ao longo do dia", explica a nutricionista. Os pais devem ficar atentos a sinais como perda de peso muito rápida, cansaço excessivo, fraqueza e mudanças no comportamento em relação à comida. 4. Náusea, vômito e diarreia são comuns no início. E a alimentação pode ajudar Esses efeitos colaterais aparecem enquanto o organismo está se adaptando ao medicamento. A boa notícia é que existem estratégias simples para minimizá-los. "Para náuseas e enjoos, oriento refeições menores e mais fracionadas ao longo do dia, evitando longos períodos em jejum e grandes volumes de comida de uma só vez. Alimentos mais leves e menos gordurosos ajudam, e algumas crianças relatam melhora com sabores mais cítricos", diz Leticia. Nos casos de vômito ou diarreia, a prioridade é a hidratação. Alimentos de fácil digestão, como arroz, frango, batata e caldos, são aliados nesse momento. Frituras, refrigerantes e ultraprocessados pioram os sintomas e devem ser evitados. Se os sintomas forem intensos ou persistentes, é hora de acionar o médico e o nutricionista. 5. Os pais são parte do tratamento Essa talvez seja a mensagem mais importante, e a que Leticia faz questão de reforçar em todas as consultas. "Os pais são os maiores exemplos. Crianças aprendem muito mais observando os hábitos da família do que apenas ouvindo orientações. O ambiente alimentar da casa precisa favorecer saúde, acolhimento e equilíbrio, sem culpa, sem restrições extremas e sem comparações", afirma. E ela vai além: "Meu maior alerta é: criança não precisa de cultura da dieta. Criança precisa de tratamento sério, individualizado e focado em saúde. Quando bem indicada, a medicação pode ajudar muito. Quando usada sem critério, pode trazer riscos físicos e emocionais."

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