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Mãe descobre câncer na reta final da gravidez: "Escolhi não deixar a doença ofuscar a chegada do meu filho”

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… March 31, 2026
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Ser mãe era um desejo antigo da jornalista Caroline Stedile, 31, e do marido dela. “Sempre sonhamos em ter três filhos”, conta, em entrevista exclusiva a CRESCER. O primeiro passo para a realização deste propósito foi a chegada de Clara, hoje com 3 anos e 10 meses. Quando ela nasceu, Caroline tinha 27 anos. A segunda gestação também vinha acompanhada de expectativas e planos. Só que tudo mudou, depois de uma virada de ano marcante. Carol sempre quis ser mãe; ela descobriu um câncer de mama com 35 semanas da segunda gestação Reprodução/ Instagram Mesmo com histórico familiar de câncer, a maternidade sempre foi prioridade para Caroline. “Minha irmã teve câncer de mama jovem, então, era uma coisa que eu colocava na balança. Eu acompanhava de perto essa possibilidade de a doença acabar tirando meu sonho de ter filhos”, explica. Ainda assim, o casal decidiu não adiar. “Era uma prioridade nossa ter filhos jovem. Queríamos começar cedo”, conta. Um ano que começou diferente Foi na noite de 31 de dezembro do ano passado que Caroline, já grávida do segundo bebê, percebeu algo diferente. A família havia voltado mais cedo para casa por causa do sono de Clara. “A gente começou a ouvir os fogos. Fui para a sacada, coloquei a mão no meu peito e pensei: ‘Ué, que estranho, isso não estava aqui’”, lembra. O nódulo ficava próximo ao colo, em uma região mais alta da mama. Ela mostrou imediatamente ao marido. “Na hora, eu já mostrei e ele sentiu também. A gente imaginou que devia ser alguma coisa relacionada ao leite, porque eu tinha amamentado até poucos meses antes, mas já me acendeu um alerta”, afirma. Dois dias depois, decidiu investigar durante uma consulta que já estava agendada no hospital. No hospital, o exame foi feito imediatamente. “Pela reação dos médicos, eu já percebi que não era algo tão simples. Naquele momento, comecei a me preparar para um possível câncer”, lembra. A ficha caiu rápido e a confirmação oficial veio após a biópsia, com 35 semanas de gestação. Ela estava grávida e tinha câncer de mama. Apesar do impacto, a jornalista explica que o diagnóstico foi sendo assimilado aos poucos. “Eu digo que ele veio por partes. No primeiro dia, já senti que não era algo simples, depois o mastologista reforçou a suspeita, então fui me preparando psicologicamente”, relata. Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui): Initial plugin text Mudança de planos Com o diagnóstico praticamente certo, Caroline precisou rever tudo o que havia programa para o nascimento do segundo filho. “Eu havia planejado ter parto normal, amamentar, seguir minha vida. Mal sabia eu que tudo ia mudar”, destaca. O apoio do marido, Bruno, e o amor e convívio com os filhos são o motor para que a jornalista continue lutando Reprodução/ Instagram Uma das decisões mais difíceis foi abrir mão da amamentação. “Eu queria muito amamentar o Bernardo. Não só pela questão do afeto, mas também pela imunidade. Eu demorei um tempo para internalizar que eu não poderia”, conta. Ainda assim, a mãe decidiu focar no que era possível. “Se não tem solução, resolvido está”, diz ela. “Vamos fazer o melhor, a partir do que dá, e não do que a gente quer”, avaliou. Antes da hora Para iniciar a quimioterapia o quanto antes, o parto precisou ser antecipado. “A gente alinhou tudo e optou pela cesárea agendada, por ser o mais seguro tanto para o Bernardo, quanto para o meu tratamento”, explica. O bebê nasceu com 38 semanas, dentro do período considerado seguro. A chegada do filho veio acompanhada de muitas mudanças. “Partimos para o leite de fórmula, coisa que eu nunca tinha feito com a Clara”, compara. “Tive de aprender tudo de última hora, correr, comprar mamadeira, entender como funcionava”, lembra. Mesmo assim, a escolha foi consciente. “Eu resolvi que não ia deixar a doença ofuscar a felicidade desse momento”, afirma, determinada. Cada batalha conta. A conversa com a filha mais velha A pequena Clara, com apenas 3 anos, precisou de uma abordagem leve e adaptada à idade paras conseguir entender o que estava acontecendo. “Ela sabe que a mamãe tem um ‘dodói no tetê’”, diz a jornalista, que, aos poucos, foi explicando as mudanças, inclusive, a impossibilidade de amamentar o irmão. "Meu pensamento é: tem solução, então vamos atrás da solução”, afirma Reprodução/ Instagram Quando chegou o momento da queda de cabelo, Caroline temeu a reação da filha. “Um dos meus maiores medos era ela estranhar, mas eu a preparei tão bem que foi ela que raspou minha cabeça”, relata. A cena, que poderia ser difícil, virou um momento de união. “Foi bem legal para a nossa família. Tudo fluiu com mais leveza”, avalia. Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui): Initial plugin text O início da quimioterapia Dez dias depois do nascimento de Bernardo, Caroline iniciou a quimioterapia. “Confesso que essa era a parte que mais me assustava, fazer quimioterapia enquanto cuido de duas crianças”, diz ela. Apesar do receio, segundo ela, o cotidiano tem sido mais leve do que imaginava. “A gente está aprendendo como é ter duas crianças e como é viver a quimioterapia. Foram várias adaptações ao mesmo tempo”, conta. O apoio do companheiro tem sido fundamental. “Poder contar com ele de verdade me dá tranquilidade para fazer o tratamento”, explica. O câncer diagnosticado é agressivo e exigirá um tratamento prolongado. “Vou fazer quimioterapia, depois cirurgia e, provavelmente, uma mastectomia [cirurgia de retirada da mama]. Depois disso, provavelmente seguirei tomando medicamentos por anos”, conta. No total, o processo pode durar até sete anos. Mas Caroline se apega à possibilidade de cura. “Meu pensamento é: tem solução, então vamos atrás da solução”, diz ela. E logo na primeira etapa veio um sinal positivo. “Depois da primeira quimioterapia, eu já não conseguia mais sentir o caroço. O médico disse que isso significa que o tratamento está sendo eficaz”, comemora. A maternidade como força Em meio ao tratamento, a maternidade se tornou combustível emocional. “Eu estou vivendo a vida que eu queria viver, o nascimento do meu segundo filho, minha filha pequenininha”, destaca. Para ela, a presença das crianças muda a perspectiva. “Eu sempre falo que não tem como ser triste em uma casa com criança. Eu dou risada o dia inteiro com eles”, afirma. Desta forma, Caroline tem atravessado o momento mais difícil e também os mais bonitos de sua vida: sem negar a doença, mas sem deixar também que ela ocupe todo o espaço. “Ser mãe é a minha melhor versão. Meus filhos me dão uma força que não sei nem explicar”, completa.

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