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"Nossa, você que é a mãe?": cadeirante há 25 anos revela desafios e aprendizados de ser mãe de gêmeos

Crescer - O principal portal de notícias para pais, mães e gráv… March 2, 2026
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“Nossa, você que é a mãe?” — a pergunta quase sempre vem acompanhada de surpresa quando Vanessa Formolo, 41 anos, aparece com os gêmeos Vinícius e Antonella, de 3 anos. Cadeirante desde os 16 anos, quando fraturou a coluna cervical em um acidente de carro, em 2001, e ficou tetraplégica, ela aprendeu a conviver com os olhares curiosos e os questionamentos sobre gravidez e maternidade. “Muitas vezes, não encaro como preconceito. Talvez eu não enxergue maldade e, por isso, não me afete. Tento sempre mostrar que é possível ser mãe sendo cadeirante e, além disso, foi a maior transformação da minha vida”, afirma. "Tudo que tentei até hoje, eu consegui fazer", diz paranaense tetraplégica que engravidou naturalmente de gêmeos A paraense conheceu o marido, Moisés Miola, em 2017, e juntos decidiram ter filhos. Mas não esperavam que viessem dois de uma vez, e de forma natural. Em 2022, eles deram as boas-vindas às crianças, iniciando uma nova fase marcada por amor, dedicação e adaptação diária. Vanessa com seus gêmeos Arquivo pessoal A história de Vanessa já foi contada pela revista CRESCER logo após o nascimento dos filhos. Agora, ela compartilha como tem sido o dia a dia da maternidade e os aprendizados acumulados ao longo desses anos. Desafios e a busca por autonomia No primeiro ano dos bebês, Vanessa optou por ficar em casa, dedicando-se integralmente aos filhos. Foram meses intensos: noites mal dormidas, uma nova dinâmica familiar e a frustração ao perceber que não conseguiria dar conta de tudo sozinha devido às suas limitações físicas. “Quando eles eram bebês, não conseguia pegá-los sozinha do berço. Quando choravam e eu estava deitada, precisava que alguém os trouxesse até mim. O maior desafio era não conseguir socorrê-los imediatamente por conta própria.” Além disso, ela relembra que tarefas do dia a dia, como amamentar ou dar banho, eram mais difíceis de realizar sozinha nos primeiros meses. “Eles mamavam de três em três horas, durante os primeiros cinco meses. À noite, eu contava com a ajuda do meu marido, e durante o dia, com a de uma das avós”. Com o passar do tempo, a rotina foi se reorganizando. Vanessa voltou ao trabalho e as crianças começaram a frequentar a escolinha. Hoje, ela considera sua maior conquista algo que, para muitas mães, pode parecer simples: permanecer sozinha com os filhos por várias horas, conduzindo a rotina, mediando conflitos e sendo o porto seguro deles. “Meu maior orgulho é saber que sou eu quem eles procuram quando querem se acalmar ou para dormir. Sou o primeiro ponto de referência. Sou a pessoa em quem eles pensam para ajudá-los em qualquer situação”. Anos de transformações e aprendizado A chegada dos gêmeos reorganizou prioridades, rotina e a forma como Vanessa enxergava suas próprias limitações. “Tem sido os anos mais felizes e intensos da minha vida. A maternidade me ensinou sobre amor incondicional, paciência e uma força que eu nem sabia que tinha. Cresci junto com meus filhos e aprendi que posso muito mais do que todos imaginam. Sem dúvida, foi a jornada que mais me fez evoluir como ser humano”, destaca. Com o marido e os gêmeos Arquivo pessoal O vínculo com os filhos também se transformou ao longo do tempo. No início, era marcado pela dependência natural dos bebês. Hoje, ganhou companheirismo e cumplicidade. “Atualmente, temos bastante cumplicidade. Consigo ajudá-los na rotina e eles já entendem minhas dificuldades. Em algumas situações, são eles que me auxiliam, sem perder o respeito e a obediência. Hoje, eles já conseguem subir no meu colo sem ajuda e isso é uma grande conquista”. Maternidade em construção Ao aconselhar outras mulheres com deficiência que desejam ser mães, Vanessa prefere manter os pés no chão. Reconhece que há desafios físicos, emocionais e práticos, além de uma rotina que exige adaptações constantes. “As dificuldades existem, como acontece com todas as mulheres. Mas, com cuidado e com todo o amor que temos pelos filhos, é possível viver os bons momentos, sem esquecer das nossas próprias necessidades. É importante não se sobrecarregar e aproveitar as alegrias da maternidade”. Vanessa e sua família Arquivo pessoal Vanessa é cadeirante há 25 anos Arquivo pessoal Para ela, ser mãe tem sido um processo de construção diária, feito de ajustes, aprendizados e escolhas conscientes. “Tenho 41 anos, estou em uma cadeira de rodas há 24, mas só entendi o sentido da vida há três anos, com o nascimento dos meus filhos. Minha gravidez foi planejada, desejada e é um privilégio ser mãe de gêmeos”, finaliza. Initial plugin text

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