"Gêmeos que não são gêmeos"? Mãe relata gravidez raríssima durante FIV
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March 29, 2026
A advogada Marcela Leal, 37, de Santana de Parnaíba, São Paulo, passou um longo tempo tentando engravidar naturalmente. Sem sucesso, ela e o marido decidiram ir por um outro caminho e recorreram à fertilização in vitro (FIV). Foi transferido apenas um embrião - e o desejado positivo veio. Mas Marcela foi pega de surpresa quando, no ultrassom, descobriu que estava grávida de gêmeos. O susto foi ainda maior quando a médica disse que eles eram bivitelinos, o que significa que ela tinha engravidado naturalmente antes da transferência do embrião. "Eu fiquei bem desesperada e meu marido muito calmo", diz, em entrevista à CRESCER. Marcela com os filhos Arquivo pessoal Marcela e o marido sonhavam em ter um segundo filho. Mas, durante as tentativas, ela sofreu três abortos espontâneos em apenas oito meses. "Fiquei com receio de não conseguir engravidar. Procurei um especialista e decidi que queria congelar embriões enquanto fazíamos as investigações do motivo por trás das minhas perdas. Coletei os óvulos em fevereiro de 2023 e continuamos tentando engravidar naturalmente", lembra. Mãe engravida duas vezes na mesma semana: naturalmente e por FIV "Nunca imaginei que eu poderia engravidar estando grávida", diz mãe de gêmeos 'Eu fiquei bem desesperada' Com os embriões congelados, eles seguiram nas tentativas. No entanto, em outubro daquele ano, ela já estava exausta emocionalmente de fazer tantos exames e nada de gravidez. Por isso, recorreram à FIV. "Eu tinha apenas dois embriões. Colocamos o primeiro logo em outubro e não deu certo. Restava apenas um, se não desse, teríamos que começar o zero", conta. Fizeram a transferência de um único embrião em novembro e, felizmente, o tão esperado positivo veio. Quando foi na médica para fazer o primeiro ultrassom, recebeu uma notícia inesperada: ela estava esperando gêmeos. Mas, segundo a médica, os bebês não eram univitelinos (idênticos), quando um único óvulo se divide em dois. Além disso, eles tinham placentas e sacos gestacionais diferentes. Marcela grávida Arquivo pessoal "A médica logo perguntou: 'Vocês aprontaram durante o tratamento né? Olha aí o resultado'. Foi inacreditável", conta. Ela explicou que os gêmeos eram bivitelinos, ou seja, gerados a partir de dois óvulos diferentes fecundados no mesmo ciclo. Marcela já estava grávida antes de realizar a transferência do segundo embrião, mas não sabia. "A idade gestacional deles tem uma diferença de cerca de cinco dias", afirma. "Minha primeira reação foi gritar: 'impossível'. Eu soltei um palavrão e comecei a chorar", lembra. Em seguida, o choque deu lugar ao medo de criar dois bebês ao mesmo tempo. "Eu fiquei bem desesperada e meu marido muito calmo. Quando saímos da clínica e entramos no carro, eu só pensava em como daríamos conta de cuidar de dois. Meu marido dizia que daríamos conta sim, que Deus não dá uma cruz maior do que a podemos carregar", destaca. Marcela grávida e o filho mais velho Arquivo pessoal 'Eles fazem tudo juntos' José e Pedro Arquivo pessoal Com o tempo, a tensão foi passando e Marcela conseguiu aproveitar a gestação. "Eu estava muito feliz, o começo foi bem tranquilo. Fiz pilates e musculação até o sexto mês. Depois tive muita dor na barriga, cheguei a ficar internada com suspeita de apendicite", recorda. A gravidez passou a ser acompanhada ainda mais de perto e os médicos decidiram agendar uma cesárea para 36 semanas, pois um dos gêmeos, José, estava pequeno e tinha risco de entrar em sofrimento. José Eduardo e Pedro Henrique nasceram em julho de 2024 e não tiveram nenhuma complicação. Poucos dias depois, já puderam ir para casa. Hoje, eles já tem 1 ano e desenvolveram uma relação muito especial. "Quando um não está presente, o outro fica perguntando sobre o irmão", conta. Em caso raríssimo, mulher engravida de um bebê por fertilização in vitro e de gêmeos naturalmente, ao mesmo tempo Viralizou! Marcela com José e Pedro Arquivo pessoal Marcela resolveu publicar um relato contando sua história nas redes sociais e viralizou, com milhares de visualizações. "Sou mãe de gêmeos que não são gêmeos", começa ela no vídeo. Nos comentários, os internautas ficaram chocados com a história e compartilharam situações semelhantes. "Aconteceu isso com uma vizinha minha e dos meus pais! A diferença que ela estava gravida, naturalmente, de gêmeas! Resultado: trigêmeas", conta um. "Aconteceu comigo", compartilha outro. "Que loucura! Não quiseram esperar, queriam vir juntinhos", escreve um terceiro. Marcela não imaginava que teria toda essa repercussão. "O mais legal foi que recebi muitas mensagens no particular trazendo relatos de fé de outras mães", finaliza. Initial plugin text É possível engravidar naturalmente e por FIV ao mesmo tempo? Sim, mas são casos extremamente raros! "Teoricamente, a transferência do embrião da fertilização é feita, muitas vezes, no ciclo natural da mulher, e ela segue ovulando normalmente. Se a mulher tiver relação sexual antes da transferência do embrião, pode acontecer de um espermatozoide encontrar o óvulo na trompa e formar um embrião naturalmente. Esse embrião segue o caminho até o útero, onde se implanta no endométrio", diz Wagner Hernandez, obstetra especialista em gestação de alto risco e gestações gemelares. "Se isso acontece próximo da data da transferência feita pela FIV, os dois processos podem coincidir — não exatamente ao mesmo tempo, mas dentro do mesmo período. Esse processo é chamado de superfecundação", acrescenta. Há diversas formas para identificar este fenômeno. "Quando você diagnostica gêmeos depois da transferência de um embrião, você tem duas possibilidades: o embrião se dividiu, gerando gêmeos idênticos, ou a mulher engravidou naturalmente junto da fertilização. Esse segundo caso pode acontecer se os bebês tiverem sexos distintos, dessa forma, não seriam geneticamente idênticos, descartando a primeira possibilidade", diz o especialista. Outros fatores entram na conta, como número de placentas e sacos gestacionais. "Hoje, a gente tem exames de sangue que conseguem mapear se os gêmeos são idênticos ou não pelo sangue materno, o NIPT", adiciona. Wagner Hernandez reforça que casos como o de Marcela são raríssimos. "É difícil até estimar com precisão com que frequência acontecem na população", afirma. Os bebês são considerados gêmeos? Sim! "Mesmo nesses casos, os bebês ainda são considerados gêmeos. A definição de uma gravidez gemelar é justamente ter dois ou mais embriões se desenvolvendo simultaneamente dentro do útero da mãe", esclarece. A mãe é acompanhada da mesma forma como qualquer outra gestação gemelar. "É importante levar em consideração que, em alguns casos, o embrião transferido pode ter passado por biópsia genética. Isso costuma trazer mais segurança em relação a possíveis alterações. No entanto, se houver um segundo embrião originado de uma gestação natural — que não passou por esse tipo de análise —, ele segue com os riscos genéticos esperados de uma gravidez espontânea", afirma.
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