"Todo mundo na minha escola tem pai, menos eu": Mãe se emociona com desabafo do filho em vídeo viral
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February 27, 2026
Com um filho pequeno em casa, a dentista Gabriela Veronez Perez, 30, de São Paulo, viveu uma dor que nunca imaginou que iria passar: a perda de seu marido, Washington, aos 39 anos. Aos poucos, a dor foi diminuindo - ela e Heitor, hoje com 6 anos, aprenderam a conviver com a saudade e lidar com o luto. Mas a ausência do pai ainda dói para o garotinho. Gabriela e Heitor Arquivo pessoal Em vídeo recente publicado nas redes sociais, Gabriela mostrou um desses momentos que são ainda mais difíceis. Enquanto voltavam da escola, Heitor disse uma frase que a deixou de coração partido: "Todo mundo na minha escola tem pai, menos eu." A mãe não soube o que responder. "Eu não queria que o papai tivesse andado de moto", continua ele. "Nem eu", afirma ela. "E por que você não falou para ele não andar de moto?", questiona o menino. "Eu falei", defende Gabriela. "Agora meu sonho é ter um papai. Eu sonho todo dia que eu tenho um pai, mas eu nunca tenho. Eu queria que meus sonhos se tornassem realidade", lamenta Heitor. Puerpério e luto: mulher perde marido para o câncer três dias antes de dar à luz gêmeas, em SC Mãe descobre gravidez poucas semanas após perder marido: “Era o sonho dele” Mas ele também reforça o quanto é agradecido. "Eu sou grato por você, mamãe. Eu sou grato por tudo que tenho", finaliza. Na legenda, Gabriela explica que o vídeo não é só sobre a perda de Washington, é sobre a falta que um pai faz. "A ausência paterna deixa marcas silenciosas. Ela aparece nas perguntas que a criança não deveria precisar fazer. No coraçãozinho que tenta entender algo grande demais para a idade. Na forma como ela se vê no mundo, na confiança, nos vínculos, na segurança", escreve. 'A presença da mãe não anula a do pai' Gabriela, Heitor e Washington Arquivo pessoal O vídeo de Gabriela viralizou, alcançando mais de 12 milhões de visualizações no Instagram. Nos mais de 17 mil comentários, os internautas se emocionaram com o diálogo entre os dois. "Que dor! Que ele saiba que o papai dele estará sempre ao lado dele", diz um. "Imagino o coração da mãe segurando o choro durante essa conversa", comenta outro. "Só sabe o peso da falta de um pai, aquele que um dia olhou na arquibancada e viu entre os pais dos amigos, um lugar vazio… E entendeu que aquele vazio também estava em seu coração, para sempre", relata um terceiro. Gabriela nunca imaginava que a gravação teria tamanha repercussão. "Fiquei surpresa. Eu postei com uma intenção muito genuína de falar sobre a importância da presença do pai na vida de uma criança. Hoje existem crianças órfãs de pai vivo", diz, em entrevista exclusiva à CRESCER. "Por mais que a mãe consiga fazer muita coisa sozinha, a presença da mãe não anula a do pai. Essa ausência deixa marcas que não se explica em palavras. Eu vejo isso no Heitor. Na forma como ele se apega a figuras masculinas, na falta que sente no dia a dia, no buraco que fica", adiciona. Initial plugin text 'Era uma pessoa de coração muito bom' Gabriela e Washington se conheceram no trabalho, em 2016, em uma loja de venda de veículos. "Ele era gerente de vendas e eu era consultora técnica", diz. Curiosamente, ele a indicou para o emprego, mesmo sem conhecê-la. Um amigo em comum perguntou se havia vaga na empresa dele e sugeriu que ela trabalhasse com ele. Pouco depois, começaram a namorar. "Nossa relação era muito boa. Claro que tínhamos os desafios de todo casal. Mas, no geral, a gente tinha uma relação leve. Ele era uma pessoa de coração muito bom. Isso sempre foi claro para mim", lembra. Mãe de 6 fala sobre reconstrução após perda do marido no puerpério: "Tempo ao tempo" Eles se casaram e começaram a pensar em construir uma família. "Eu sempre quis ser mãe. Mas não sabia em que momento. Ele era 13 anos mais velho que eu, já era pai, teve a primeira filha aos 19 anos. Eu admirava muito a forma como ele era pai", afirma. 'Ele foi pai no sentido mais completo da palavra' Washington tinha uma relação muito próxima com Heitor Arquivo pessoal Algum tempo depois, Gabriela descobriu a gravidez de forma inesperada. "Eu tinha 23 anos e ele 36 quando engravidei. Não foi planejado, mas foi muito desejado a partir do momento em que soubemos. A gente ficou muito feliz", recorda. Washington participou de cada passo da gestação. "Acompanhou todos os exames da gravidez, vibrava em cada consulta. A gente comprou um aparelhinho para ouvir o coraçãozinho e todo dia quando chegávamos do trabalho, a gente escutava juntos", destaca. O pequeno Heitor nasceu em 23 de julho de 2019. A chegada de um bebê trouxe novos desafios para o casal. "Depois que nasce um filho, as prioridades mudam. Na verdade, mudam todas", diz. Mas eles sempre conseguiram superar os obstáculos e o amor seguia forte. Washington tinha uma relação muito próxima com Heitor. "Ele sempre sonhou em ter um menino. Ficava fazendo planos para ele: andar de skate, levar ele para ver corridas de carros... Ele era presente de verdade. Dava banho, trocava, fazia dormir, ficava com ele para eu resolver minhas coisas", ressalta. "Quando ele chegava do trabalho, o Heitor praticamente me esquecia. Eles tinham o momento deles. Tomavam banho juntos, brincavam, jantavam. Ele foi pai no sentido mais completo da palavra." O dia do acidente Até que, em 7 de abril de 2022, Gabriela recebeu um telefonema que nunca imaginava que receberia. Washington tinha saído do trabalho mais tarde devido a uma reunião. Às 21h17, enviou uma mensagem dizendo que estava indo embora, pegou sua moto e saiu. "Ele estava a dois quilômetros de casa quando um carro veio da direita, jogou para a esquerda e o atingiu. O motorista fugiu", conta. Quando os paramédicos chegaram, já era tarde demais. "Tentaram reanimá-lo por 38 minutos. Ele não respondeu", lamenta. As horas foram passando e Gabriela começou a estranhar a demora do marido. Mas, como ele era muito sociável, imaginou que poderia estar conversando com alguém. "Às vezes, ele falava que estava saindo e ainda ficava conversando. Eu não era de ficar pressionando", recorda. Mas quando deu 23h, resolveu ligar para ele. "Quem atendeu foi a médica. Na hora, eu nem entendi. Achei que fosse algum engano. Custei a entender. Ela só disse que eu precisava ir até o hospital no Ipiranga. Quando cheguei lá, eu recebi a notícia", lamenta. Mãe emociona após incluir marido falecido em seu ensaio de gestante: “Queria muito que ele estivesse presente”, diz Depois de ouvir as palavras que lhe deixaram sem chão, teve que fazer algo ainda mais doloroso: explicar o que aconteceu para o filho. "Ele tinha 2 anos e oito meses na época. Não entendia o que era morte", afirma. "Eu falei de forma lúdica, disse que o papai tinha virado uma estrelinha, que não ia mais voltar para casa, mas que ia morar no nosso coração. Ele ficou confuso. Ele não tinha dimensão do que aquilo significava. Hoje, entende", acrescenta. 'Eu me senti muito sozinha' Nos primeiros dias após o falecimento de Washington, Gabriela ficou em estado de choque. "Eu estava ali, mas parecia que não estava. Fiquei sem reação, confusa. Era como se o meu cérebro não conseguisse processar o que estava acontecendo", lembra. "Veio o medo. Muito medo, de não dar conta. Medo do futuro. Medo de criar um filho sozinha. Com o tempo, a ficha foi caindo. E junto veio o peso da maternidade solo", diz. Para somar à turbulência de emoções que Gabriela estava sentindo, também descobriu que seus pais, casados há 30 anos, se separaram. "Eu me senti muito sozinha. Foi como se todas as estruturas que eu conhecia tivessem desmoronado ao mesmo tempo. Mas, em algum momento, entendi que eu precisava me mover", recorda. A solução para ela foi mudar de casa. "Aluguei um apartamento. Recomecei do zero. Decidi que aquilo não ia ser o ponto final da minha história. Comecei a buscar sentido. A tentar entender o porquê. E, mesmo sem todas as respostas, escolhi dar um significado para a dor", afirma. Ela focou nos estudos e encontrou uma paixão na odontologia. "Eu comecei a enxergar propósito no que faço. Acredito muito que, por trás de grandes dores, existem grandes propósitos. Hoje quero ser luz na vida dos meus pacientes. Quero deixar um pedaço do meu coração em cada pessoa que atendo", diz. "Eu sei que ainda tenho muito para viver. Muitos sorrisos para transformar. E se a minha história puder alcançar outras mulheres que estão passando por algo parecido, então tudo isso ganha ainda mais sentido", adiciona. 'Eu só pensava que não podia desistir' Gabriela juntou as forças para estar presente para Heitor Arquivo pessoal Com o passar dos anos, a dor da perda de Washington foi esvaindo, mas ainda deixa marcas profundas, tanto em Gabriela quanto em Heitor. "No começo, ele sofria muito, pedia o papai de volta, gritava, perguntava quando ele ia voltar. Com o tempo, vieram outras perguntas", diz. "Hoje ele cria umas hipóteses. Pergunta se poderia ter avisado o pai para não sair de moto, se tivesse uma máquina do tempo. É a cabecinha dele tentando negociar a dor", adiciona. O caminho para a superação do luto é levar um dia de cada vez. "O apoio da minha família e amigos me ajudou muito. A minha faculdade também. Eu só pensava que não podia desistir. Eu tinha um filho. Eu mergulhei nos estudos e isso me ajudou demais. Me fez ressignificar meu lugar no mundo", afirma. Gestante que perdeu marido faz chá revelação com a foto dele e emociona, em SP Seguir em frente não significa esquecer. Gabriela e Heitor mantêm a memória de Washington viva todos os dias. "Falamos sobre ele. Com carinho. Com sorriso. O Heitor é a cara dele, então é impossível não lembrar", ressalta. "Eu tirei as fotos dele de casa por orientação da psicóloga, porque o Heitor sofria muito. Dormia com a foto, chorava. Hoje temos um álbum. Quando ele quer, a gente olha. Quando pergunta, eu respondo, às vezes tento deixar mais leve. Não forço lembrança. Eu respeito o tempinho dele", finaliza. Como falar sobre luto com as crianças? Heitor Arquivo pessoal C
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