Ômega-3 protege seu cérebro do Alzheimer? O que diz este estudo
Galileu [Unofficial]
June 29, 2026
Muita gente recorre aos suplementos de ômega-3, como óleo de peixe ou de algas, com o objetivo de prevenir o Alzheimer e outras demências. Mas um novo estudo clínico traz dados que indicam que eles não melhoram a memória, a função cognitiva nem retardam a perda de células cerebrais. A pesquisa foi publicada em 18 de junho na revista científica eBioMedicine. Conduzido por especialistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, o estudo acompanhou, durante dois anos, 365 adultos com idade entre 55 e 80 anos que consumiam pouco peixe, uma das principais fontes alimentares de ômega-3. Todos apresentavam maior risco de desenvolver Alzheimer, e quase metade era portadora da variante genética APOE4, considerada o principal fator de risco hereditário para a forma mais comum da doença. Os participantes foram divididos aleatoriamente para receber, todos os dias, um suplemento com 2.000 mg de DHA (ácido docosahexaenoico) ou um placebo, sem que eles ou os pesquisadores soubessem quem estava em cada grupo até o fim do estudo. O DHA é um tipo de ácido graxo ômega 3 associado anteriormente à boa saúde do cérebro. Um dos primeiros objetivos da pesquisa foi verificar se o ácido docosahexaenoico (DHA) dos suplementos conseguia chegar ao cérebro. Para isso, os cientistas mediram a concentração do nutriente no líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinhal. Principais resultados Após seis meses, os níveis de DHA haviam aumentado, em média, 17%, confirmando que o nutriente atingiu o sistema nervoso central. Apesar disso, esse aumento não se traduziu em benefícios clínicos: ao final dos dois anos, os participantes que receberam o suplemento não apresentaram melhora na memória, no desempenho cognitivo nem em testes de raciocínio quando comparados ao grupo placebo. Os exames de imagem também mostraram que a suplementação não retardou a redução do volume do hipocampo, região cerebral fundamental para a formação das memórias e uma das primeiras a ser afetada pelo Alzheimer. "Todos nós gostaríamos que existisse uma solução milagrosa para prevenir o Alzheimer, mas nossas descobertas mostraram que os suplementos de óleo de peixe não parecem proteger a saúde do cérebro", disse em comunicado Hussein Naji Yassine, diretor do Centro de Saúde Cerebral Personalizada da USC e principal investigador do estudo. "Embora os ômega-3 desempenhem um papel importante na formação de conexões entre as células cerebrais necessárias para a cognição, nossos resultados não apoiam o uso de suplementos de óleo de peixe como medida preventiva contra o Alzheimer", acrescentou. A importância da dieta Os pesquisadores acreditam que isso não significa que o ômega-3 seja irrelevante para a saúde cerebral. Uma das hipóteses é que esses ácidos graxos sejam mais eficazes quando obtidos por meio de uma alimentação saudável, como a dieta mediterrânea — rica em peixes, azeite de oliva, frutas, verduras, legumes e oleaginosas — do que na forma de suplementos isolados. Segundo os autores, futuras pesquisas deverão investigar como fatores como idade, genética, estado geral de saúde e padrão alimentar influenciam a capacidade do cérebro de absorver e utilizar o ômega-3. Enquanto isso, a principal recomendação continua sendo investir em hábitos de vida saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e dormir bem. "Viver um estilo de vida saudável é o equivalente, para o cérebro, a fazer a manutenção regular do carro e trocar o óleo com frequência", compara Yassine. "O cérebro tem maior probabilidade de perder funções importantes se problemas de saúde em outras partes do corpo não forem tratados, da mesma forma que os motores dos carros param de funcionar se a manutenção regular for negligenciada".
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