Câmeras noturnas flagram vida secreta na copa da floresta de forma inédita; veja vídeos
Galileu [Unofficial]
June 26, 2026
Durante a madrugada, quando a floresta tropical parece silenciosa, uma intensa atividade acontece no alto das árvores. É nesse ambiente escuro, denso e de difícil acesso que cientistas conseguiram registrar, pela primeira vez, vídeos longos e detalhados de pequenos mamíferos noturnos vivendo naturalmente na copa das florestas da América Latina. A novidade foi possível graças ao uso de binóculos térmicos e câmeras com sensor de movimento instalados em plataformas suspensas a cerca de 15 metros de altura, permitindo que pesquisadores observassem os animais praticamente no mesmo nível em que eles vivem. A técnica foi testada na Reserva Natural Cocobolo, no Panamá, e também no Peru, e descrita em um novo estudo publicado em 1º de abril na revista Journal of Tropical Ecology. Entre os animais registrados estão juparás (kinkajous), olingos, jaguatiricas, gatos-maracajá, preguiças, tamanduás-seda, porcos-espinhos-andinos e macacos-da-noite. Muitos desses mamíferos são considerados difíceis de estudar justamente porque passam quase toda a vida na copa das árvores e só ficam ativos durante a noite. Veja nos vídeo abaixo: Tradicionalmente, pesquisadores monitoram esses animais a partir do solo, iluminando as árvores com lanternas e procurando o reflexo dos olhos entre as folhas. No entanto, o método permite apenas observações rápidas e frequentemente altera o comportamento dos próprios animais. Como aponta a National Geographic, nos últimos anos, armadilhas fotográficas instaladas nas árvores passaram a ampliar esse conhecimento. Embora consigam registrar imagens tanto de dia quanto à noite, elas capturam apenas breves momentos, já que permanecem fixas enquanto os animais atravessam seu campo de visão. Outra tecnologia recente envolve drones equipados com sensores térmicos. Eles conseguem localizar rapidamente animais maiores, como preguiças e orangotangos, mas têm dificuldade para detectar espécies pequenas escondidas sob a vegetação densa da copa. A nova abordagem combina as vantagens dessas tecnologias: os pesquisadores permanecem em plataformas elevadas usando binóculos térmicos capazes de detectar o calor emitido pelos animais. Depois que um mamífero é localizado, ele pode ser acompanhado continuamente enquanto se desloca, se alimenta ou interage com outros indivíduos. Segundo a ecóloga Lucy Hughes, da Universidade Edinburgh Napier, na Escócia, autora principal do estudo, muitos dos animais sequer parecem perceber a presença dos pesquisadores, permitindo a observação de comportamentos completamente naturais. A nova técnica já revelou descobertas importantes. Os pesquisadores observaram, por exemplo, porcos-espinhos-andinos interagindo antes do acasalamento. A espécie é tão pouco conhecida que ainda é classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como "com dados insuficientes", categoria usada quando não há informações suficientes para determinar seu risco de extinção. As observações sugerem que esses animais são mais sociáveis do que se imaginava. Outra surpresa veio dos macacos-da-noite panamenhos. Até então, acreditava-se que sua alimentação fosse baseada principalmente em frutas. No entanto, as gravações mostraram indivíduos farejando galhos e capturando insetos, indicando que esses alimentos podem ter um papel mais importante em sua dieta do que se pensava. Segundo o site IFLScience, também foram registrados juparás descansando sobre galhos, tamanduás-seda procurando alimento entre a vegetação e diversas outras espécies realizando atividades cotidianas, como alimentação, deslocamento, descanso e reprodução. Os pesquisadores destacam que muitas espécies arborícolas noturnas (que vivem em árvores) permanecem pouco estudadas justamente porque são difíceis de observar. Sem informações sobre alimentação, reprodução e comportamento, fica mais complicado definir estratégias eficazes de conservação. Sem evidências suficientes sobre sua situação, elas tendem a receber menos atenção em políticas públicas e programas de conservação. Além disso, entender como esses animais utilizam a floresta ajuda a identificar quais ambientes precisam ser preservados. Algumas espécies podem depender de árvores antigas com cavidades, enquanto outras necessitam de plantas específicas ou áreas úmidas próximas para sobreviver.
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