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Pesquisa mostra que homens tendem a ser mais homofóbicos do que mulheres

Galileu [Unofficial] June 3, 2026
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Ao longo das últimas décadas, a população LGBTQIAPN+ conquistou avanços importantes em diversas partes do mundo, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a ampliação de direitos civis e o aumento da representatividade nos espaços públicos e na política. Apesar dessas mudanças, a homofobia continua presente em diferentes sociedades e ainda influencia a forma como milhões de pessoas enxergam a diversidade sexual. Uma nova pesquisa do Pew Research Center, feita entre janeiro e maio de 2025 e divulgada agora em março de 2026, mostra que esse preconceito não se distribui de maneira uniforme entre homens e mulheres. Realizado em 25 países e tendo ouvido mais de 30 mil entrevistados, o levantamento identificou que os homens tendem a demonstrar mais rejeição à homossexualidade do que as mulheres. Diferença na percepção entre homens e mulheres O estudo analisou opiniões sobre nove temas frequentemente associados a debates morais, entre eles aborto, divórcio, pornografia, consumo de álcool, uso de maconha e homossexualidade. Segundo os pesquisadores, em muitos dos países pesquisados, os homens são mais propensos do que as mulheres a dizer que a homossexualidade é “moralmente inaceitável”. A Grécia apresentou uma das disparidades mais expressivas encontradas pelo levantamento. No país, 40% dos homens consideram a homossexualidade como moralmente errada, contra 20% das mulheres. No Reino Unido, o índice é de 20% entre os homens e de 11% entre as mulheres. O padrão identificado chama atenção porque não se repete com a mesma intensidade em outras questões analisadas. Em temas como pornografia, jogos de azar, consumo de álcool e uso de maconha, por exemplo, são as mulheres que costumam adotar posições mais restritivas. A homossexualidade aparece, portanto, como uma exceção relevante dentro do conjunto de comportamentos avaliados. Tolerância varia em cada país A pesquisa revela um cenário global marcado por contrastes profundos. Em alguns países, a reprovação à homossexualidade tornou-se residual. É o caso da Alemanha e da Suécia, onde apenas 5% dos entrevistados afirmam que ela é moralmente inaceitável. Na outra ponta estão países como Nigéria e Indonésia, que registram alguns dos maiores índices de rejeição do levantamento. Neles, 96% e 93% da população, respectivamente, classificam a homossexualidade como moralmente inaceitável. O Brasil aparece em uma posição intermediária. Segundo o estudo, 28% dos brasileiros consideram a homossexualidade moralmente inaceitável. O percentual é inferior ao observado em países mais conservadores, mas ainda está distante dos níveis de aceitação encontrados em parte da Europa Ocidental. Veja outros países na tabela abaixo: Percepção da homossexualidade em diferentes partes do globo Pew Research Center A pesquisa identificou outros fatores associados a visões mais negativas sobre a homossexualidade. Pessoas mais velhas e com menor escolaridade tendem a expressar maior reprovação. A religião também exerce influência relevante. Em diversos países analisados, protestantes demonstram índices de rejeição superiores aos observados entre católicos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 59% dos protestantes consideram a homossexualidade moralmente errada, contra 34% dos católicos. Aceitação avança, mesmo que a passos lentos Apesar da persistência da homofobia em várias regiões, os dados apontam para uma tendência de mudança. Ao comparar os resultados atuais com pesquisas semelhantes realizadas em 2013, o Pew Research Center constatou que, em diversos países, caiu a proporção de pessoas que consideram a homossexualidade moralmente inaceitável. A conclusão sugere um avanço gradual da aceitação da diversidade sexual ao longo da última década. Esse movimento, porém, ocorre de forma desigual. Enquanto algumas sociedades caminham para níveis cada vez maiores de tolerância, outras continuam apresentando índices elevados de rejeição. O resultado é um cenário global em que a orientação sexual permanece como um dos temas mais polarizadores dos debates morais contemporâneos.

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