A importância do cuidado psicossocial frente a desastres ambientais
Galileu [Unofficial]
June 3, 2026
Desastres ambientais são responsáveis por deixar um rastro de destruição e gerar graves perdas materiais e humanas. Também podem instaurar um trauma coletivo na cidade ou região que precisa se recuperar da tragédia. Diante disso, atendimentos voltados à saúde mental são essenciais no apoio psicossocial a populações afetadas. É o que se observa em Rio Bonito do Iguaçu, cidade no Paraná atingida por um tornado em 7 de novembro de 2025. O desastre – que contou com ventos ultrapassando a velocidade de 250 km/h – teve casas destruídas, serviços interrompidos e vidas perdidas. Foi nesse cenário marcado pelo luto e pela insegurança que o projeto “Atenção Psicossocial em Desastres Socioambientais: o que o vento não leva!” nasceu. Desenvolvida pela Fiocruz Brasília em parceria com o Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Desmad) do Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde de Rio Bonito do Iguaçu, a iniciativa realiza atendimentos psicossociais a pessoas atingidas pelo tornado, oferecendo uma rede de saúde mental que incentive a presença, a escuta e a reconstrução de vínculos diante do trauma coletivo. Apoio psicossocial pós desastre “Durante a semana, nos atendimentos individuais, todas as pessoas trouxeram medo e insegurança diante das chuvas, do vento e do céu escuro daqueles dias. A frase ‘não sei o que fazer’ tem aparecido com frequência. Ela carrega não apenas uma dúvida prática, mas também uma sensação de desamparo diante da possibilidade de um novo evento extremo” relata Bianca Barbora, psicóloga envolvida no projeto, em comunicado da Fiocruz. O mesmo comunicado afirma que, antes mesmo da tragédia, a estrutura de serviço à saúde mental de Rio Bonito do Iguaçu não era o ideal: o município não possuía Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e contava apenas com duas psicólogas para atender toda a população. Com o desastre, a necessidade de cuidado a adoecimentos psíquicos aumentou significativamente. Segundo pesquisa da USP, o caso da catástrofe do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, também esteve associado ao crescimento de adoecimentos psíquicos na cidade Felipe Werneck/Ibama Com o mapeamento das demandas de saúde mental do município, os órgãos responsáveis foram capazes de desenvolver ações como estruturação dos atendimentos, instalação de contêineres para acolhimento da população, inserção de uma equipe de atenção psicossocial em contextos de desastres e emergências. “A atuação da equipe envolve acolhimento institucional, atendimentos psicológicos individuais com adultos, crianças e adolescentes, supervisão técnica, articulação com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), visitas domiciliares e aprofundamento teórico-clínico das equipes locais. Mas também vem exigindo um exercício contínuo de sensibilidade diante de dores que não cabiam apenas em protocolos”, diz o comunicado. El Niño é tópico preocupante Em atualizações da Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU, publicadas no dia 2 junho, foi afirmado que águas oceânicas excepcionalmente quentes associadas ao El Niño – variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do Pacífico tropical – devem ter influência no aumento de eventos climáticos extremos nos próximos meses. Leia mais notícias: “A ciência é clara: o El Niño chegará à nossa porta nos próximos meses com 90% de certeza. O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que é. Os impactos serão ainda mais severos, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora”, diz o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em declaração em vídeo. Com essas previsões, governos precisam ter em mente que, além de investir em ações de mitigação climática, direcionar atenção para o amparo psicossocial a populações que podem ser ou já foram afetadas por desastres é um passo importante na estruturação de redes permanentes de auxílio.
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