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Quando a reprodução sexuada começou? Estudo aponta nova resposta

Galileu [Unofficial] June 2, 2026
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Um conjunto de fósseis de 567 milhões de anos encontrado nas Montanhas Mackenzie, no Canadá, está levando cientistas a revisar a cronologia de uma das maiores inovações da história da vida: a reprodução sexuada. Segundo um estudo publicado no dia 20 de maio na revista Science Advances, organismos capazes de se reproduzir por meio da combinação de material genético já existiam entre 5 e 10 milhões de anos antes do que indicavam os registros conhecidos até então. A descoberta também reforça a hipótese de que alguns dos primeiros avanços evolutivos dos animais ocorreram em ambientes marinhos profundos. No centro da descoberta está um organismo tubular de corpo mole que vivia ancorado ao fundo do mar durante o período Ediacarano e pertencia ao gênero Funisia sp. Embora sua aparência seja simples, ele tem sido considerado a evidência mais antiga conhecida de reprodução sexuada no registro fóssil. Os pesquisadores acreditam que esses organismos liberavam espermatozoides e óvulos na coluna d’água de forma sincronizada, em um processo semelhante ao observado atualmente em corais. Vale ressaltar que os resultados desse estudo são significativos sobretudo porque a reprodução sexuada transformou profundamente a trajetória da vida na Terra. Ao permitir a combinação de material genético de dois indivíduos, esse mecanismo aumentou a variabilidade biológica e criou novas possibilidades evolutivas. Como aponta o portal IFLScience, foi essa inovação que abriu caminho para a diversidade de organismos que hoje habitam o planeta, substituindo gradualmente um mundo dominado por formas de vida que se reproduziam principalmente por clonagem ou divisão celular. Sítio fossilífero que reescreve a história O exemplar de Funisia sp. foi encontrado em um sítio que preserva mais de 100 fósseis da biota ediacarana, conjunto de organismos multicelulares que viveu antes da explosão de diversidade animal registrada no período Cambriano. Além de ampliar o registro fóssil norte-americano, a descoberta revelou seis grupos nunca antes identificados no continente e forneceu as primeiras evidências do chamado conjunto do Mar Branco na América do Norte. Reconstrução de uma hipotética paleocomunidade de águas profundas a partir do novo sítio fossilífero nos Territórios do Noroeste do Canadá, com base em fósseis recuperados pelos pesquisadores Alex Boersma Os cientistas também reconheceram organismos como Dickinsonia, que se movia no fundo marinho absorvendo nutrientes diretamente do substrato; Kimberella, considerado um possível ancestral dos moluscos; e Eoandromeda, uma espécie que pode estar relacionada aos ancestrais das águas-vivas-de-pente. Juntos, esses fósseis ajudam a reconstruir um momento crucial da evolução animal, quando surgiram organismos maiores, mais diversos e capazes de comportamentos inéditos. “Durante 3 bilhões de anos, a vida na Terra foi dominada por micróbios. Então, de repente, surgem esses animais marinhos de aparência estranha, grandes o suficiente para serem vistos e capazes de comportamentos que nos seriam familiares hoje em dia”, afirma Scott Evans, autor principal do estudo e curador assistente de paleontologia de invertebrados do Museu Americano de História Natural, em comunicado à imprensa. “Se quisermos entender essa transição, quando a vida se tornou grande, complexa e inequivocamente animal, este novo sítio arqueológico tem um potencial enorme.” Papel das profundezas oceânicas na evolução Além da idade excepcional dos fósseis, o ambiente onde eles foram encontrados chamou a atenção da equipe. As análises indicam que esses organismos habitavam águas mais profundas do que aquelas tradicionalmente associadas aos fósseis do conjunto do Mar Branco. Para os especialistas, esse resultado fortalece a ideia de que importantes inovações evolutivas surgiram primeiro em regiões profundas dos oceanos e só depois se espalharam para áreas costeiras e mais rasas. A hipótese contraria a visão tradicional de que os primeiros passos da evolução animal ocorreram predominantemente próximos ao litoral. “Nossos resultados sugerem um padrão em que a inovação evolutiva começa em ambientes mais profundos e depois se espalha em direção à costa”, relata Evans. Segundo ele, a relativa estabilidade das profundezas oceânicas, com menores variações de temperatura e disponibilidade de oxigênio, pode ter criado condições favoráveis para o desenvolvimento das primeiras formas de vida animal complexa. Os autores apontam que a região ainda pode guardar muitas outras surpresas. As camadas fossilíferas encontradas são cobertas por centenas de metros de rochas potencialmente ricas em fósseis, o que abre a possibilidade de novas descobertas capazes de esclarecer não apenas quando a reprodução sexuada surgiu, mas também como os primeiros animais passaram a dominar os ecossistemas marinhos da Terra. O sítio arqueológico nos Territórios do Noroeste do Canadá, onde pesquisadores descobriram uma grande diversidade de fósseis representando a biota ediacarana Scott Evans

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