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Por que 90% dos humanos são destros? Um novo estudo respondeu

Galileu [Unofficial] May 18, 2026
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Você, leitor da GALILEU, é uma pessoa destra? As chances da sua resposta ser "sim" são altas. Não foi sorte ou palpite, mas estatística: enquanto 90% das pessoas são destras, apenas cerca de 10% das pessoas são canhotas. Acontece que a definição do nosso lado dominante – direito ou esquerdo – continua a ser um mistério. Esse enigma ganhou outra hipótese recentemente: pesquisadores revelaram que a preferência por um lado pode estar relacionada com as nossas pernas. Liderada pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e publicada na revista científica PLOS Biology em 27 de abril, a pesquisa também analisou como essa escolha é feita nos nossos parentes primatas. Ao contrário do que esperavam, os cientistas constataram que essa “escolha” é, na verdade, encontrada na maioria dos Homo sapiens e não em espécies de macacos e símios. Trata-se do primeiro estudo a testar as principais teorias elaboradas por biólogos evolucionistas e neurocientistas sobre o assunto. “Nossos resultados sugerem que ela provavelmente está ligada a algumas das principais características que nos tornam humanos, especialmente a postura ereta e a evolução de cérebros maiores”, contou Thomas Püsche, da Universidade de Oxford, em comunicado. Destreza Para chegar a essas conclusões, a equipe comparou características comportamentais, neurológicas e sociais de 41 espécies de hominoides com as dos seres humanos. Eles utilizaram simulações estatísticas focada em relações evolutivas interespecíficas e consideraram algumas das teorias mais reconhecidas sobre lateralidade, isto é, a preferência natural de uma pessoa em usar mais um lado do corpo do que o outro. Em seguida, os pesquisadores introduziram duas influências hipotéticas em suas comparações: o tamanho do cérebro e a proporção entre o comprimento das pernas e dos braços, considerada um ponto de referência padrão para o movimento bípede. Incluídas essas características, foi comprovado que cérebros grandes e pernas longas estão diretamente correlacionadas à dominância manual. As teorias de lateralidade estão relacionadas à aspectos dos seres humanos como dieta, habitat, massa corporal, estruturas sociais, uso de ferramentas e locomoção Wikimedia Commons A partir dessa abordagem, Püsche e sua equipe estimaram as preferências de lateralidade em ancestrais humanos extintos. Isso porque, segundo ele, “ao analisar diversas espécies de primatas, podemos começar a entender quais aspectos da lateralidade são ancestrais e compartilhados, e quais são exclusivamente humanos”. No fim, os resultados estavam alinhados com uma lenta mudança evolutiva em direção ao membro direito. Espécies de hominídeos primitivos, como o Ardipithecus e o Australopithecus apresentavam apenas uma leve tendência à dominância da mão direita. O aumento na dominância da mão direita veio com o Homo ergaster, Homo erectus e Neandertais. O ápice pode ser observado agora no Homo sapiens. Mas e as pernas? Agora, os pesquisadores acreditam que duas fases ocorreram na transição da humanidade para a predominância do uso da mão direita. Quando começaram a andar sobre os dois pés, os membros superiores dos hominídeos ficaram livres para a realização de outras tarefas. Conforme o cérebro se desenvolveu, o foco na destreza manual direita se consolidou. Por isso mesmo que os pesquisadores passaram a identificar o bipedismo e a expansão neuroanatômica como prováveis ​​fatores-chave da lateralização humana. Isso não quer dizer que os parentes primatas foram esquecidos, já que, ao mesmo tempo, foram essas as características que revelam padrões ecológicos mais amplos que moldam a dominância manual nos animais. Como próximas pesquisas, os pesquisadores esperam estudar como as culturas humanas consolidaram ainda mais a dominância da mão direita e se tendências semelhantes no desenvolvimento dos membros são observadas em outros animais que não os primatas.

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