Quem é o chef que fará expedição pela Groenlândia comendo apenas carne de foca
Galileu [Unofficial]
May 15, 2026
O explorador e chef britânico Mike Keen está prestes a embarcar em uma expedição incomum, que vai durar um mês: atravessar cerca de 320 quilômetros do norte da Groenlândia esquiando enquanto se alimenta apenas de carne de foca em decomposição. O objetivo é investigar como os inuítes (indígenas que viviam na Groenlândia) e outros povos indígenas originários do Ártico conseguiram sobreviver por milhares de anos em regiões árticas praticamente sem vegetais frescos. A iniciativa é coordenada pela microbiologista Aviâja Lyberth Hauptmann, da Universidade da Groenlândia. Durante a travessia, Keen coletará amostras de fezes suas e do cão que usa para puxar seu trenó, além de pequenos pedaços da carne de foca que for consumida. Os pesquisadores querem observar como a mudança de uma dieta ocidental para um dieta tradicional inuíte, assim como os microrganismos presentes na carne cruas e fermentadas de animais afetam o microbioma intestinal — conjunto de bactérias e outros micróbios que vivem no intestino. Segundo Hauptmann explicou à Science News, a dieta tradicional inuíte consiste em 98% de carne, já que nas regiões que habitam não há condições muito favoráveis para o cultivo de frutas e vegetais. Ainda assim, esse povo não apresentava doenças frequentemente associadas às dietas ricas em carne, como problemas cardiovasculares, digestivos e alguns tipos de câncer. A hipótese da pesquisadora é que o segredo pode estar justamente na fermentação da carne. Muitos povos do Ártico costumavam fermentar alimentos por meses, o que aumentaria a diversidade microbiana da carne e poderia beneficiar a saúde intestinal. A opção por carne de foca em decomposição pode fazer o explorador pode enfrentar riscos durante a expedição. Entre eles está o botulismo — doença causada por toxinas bacterianas que se não tratada rapidamente, pode levar à paralisia respiratória e à morte. Para evitar isso, Keen pretende controlar cuidadosamente a temperatura da carne: depois de retirar os ossos das focas fornecidas por caçadores locais, ele envolverá novamente a carne na própria pele do animal e colocará cada uma sobre um cobertor isolante para manter a temperatura acima do ponto de congelamento. A expedição atual dá continuidade a um projeto anterior realizado por Keen durante uma viagem de caiaque de 12 semanas pela Groenlândia. Durante esse período, ele consumiu apenas alimentos tradicionais inuítes, sem frutas ou vegetais. Keen documenta as experiências em seu perfil do Instagram: Initial plugin text “Houve uma mudança significativa nas variantes de micróbios que gostam de se alimentar de plantas e fibras. Esses [microrganismo] desapareceram do microbioma intestinal dele, e então Keen adquiriu micróbios muito mais adaptados a dietas ricas em gordura e proteína”, explicou Hauptmann. Para os pesquisadores, o estudo pode ajudar a entender como os humanos conseguiram se adaptar às rápidas mudanças de condições ambientais, uma vez que mudanças genéticas levam muitas gerações para acontecer, mas o microbioma intestinal pode mudar em poucos dias ou semanas. Para conhecer mais sobre a expedição e acompanhar essa jornada, acesse este link.
Discussion in the ATmosphere