Estes cientistas querem que astronautas comam hommus no espaço
Galileu [Unofficial]
May 4, 2026
O futuro da exploração espacial envolve estabelecer uma presença permanente na Lua e, por tabela, encontrar um método consistente para manter a tripulação interplanetária de estômago cheio. Mas qual alimento será escolhido como base da alimentação espacial? Muito se fala nas batatas, mas uma equipe de pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, têm outra aposta: o grão-de-bico. Segundo a equipe descreve em um novo estudo, publicado na revista Scientific Reports em 5 de março, foi possível cultivar e colher grão-de-bico em um solo enriquecido de maneira semelhante ao solo lunar. “Queremos entender a viabilidade deles [grãos-de-bico] como fonte de alimento. Quão saudáveis eles são? Eles têm os nutrientes que os astronautas precisam? Se não forem seguros para consumo, quantas gerações serão necessárias para que sejam?”, explicou Jessica Atkin, pesquisadora da Universidade do Texas que integra o projeto, em comunicado. Caso as plantas se mostrem comestíveis, ela já tem uma missão: “serei a primeira a fazer um hommus lunar”. Plantando na Lua (ou quase isso) A qualidade do solo é uma das primeiras variantes que precisam ser checadas antes de plantar qualquer cultivo agrícola. Mas como simular um substrato de uma área no espaço, sem oxigênio e sem luz solar em quantidade suficiente? Interações entre grão-de-bico (GC), micorrizas arbusculares (MA) e vermicomposto (VC) na rizosfera Scientific Reports Como você deve imaginar, leitor, a terra lunar não é ideal para o cultivo de plantas. Conhecida como regolito, ela carece de microrganismos e da matéria orgânica necessários para a sua sobrevivência. E a sua condição pode piorar: essa terra contém metais pesados que podem ser nocivos a humanos. No entanto, a substância possui nutrientes importantes para o crescimento das plantas. Essa análise levou os pesquisadores a suspeitarem que o regolito poderia precisar apenas de um reforço simples e já bem conhecido pelos terrestres: fezes de minhocas. A equipe estava certa, mas antes da confirmação, eles obtiveram terra lunar artificial de um laboratório localizado na Flórida. Em seguida, misturaram quantidades variáveis do solo lunar com vermicomposto, uma substância produzida por minhocas californianas vermelhas após se alimentarem de matéria orgânica. Em entrevista à ABC News, Atkin afirmou que “a composição [da amostra] é 99% precisa”, o que permitiu resultados tão verossímeis à verdadeira superfície da Lua. O hommus é um alimento típico da cultura árabe feito a partir de grão-de-bico cozidos e espremido, tahine, azeite, limão, sal e alho Flickr Antes do plantio, alguns grãos-de-bico foram revestidos com micorrizas arbusculares, isto é, fungos microscópicos que ajudam muitas plantas a sobreviver. Os fungos também se beneficiam nessa troca: enquanto absorvem alguns nutrientes das plantas, eles as ajudam a diminuir a absorção de metais pesados presentes no solo. Durante o processo e as observações, Atkin disse que se perguntava “será que os mesmos mecanismos que ajudam essas plantas a fazer a transição do oceano para a terra firme poderiam nos ajudar na Lua?”, e a resposta, ao que o estudo indica, parece ser sim. Os pesquisadores também descobriram que solos com até 75% de regolito lunar artificial na sua composição são capazes de produzirem grãos-de-bico próprios para a colheita – quanto ao consumo, a equipe ainda tem testado se as leguminosas não contêm metais em excesso. Mas, o limite de 75% já é considerado como o máximo, uma vez que qualquer excesso de solo lunar causou sintomas de estresse e morte prematura das plantas. Apesar da morte de alguns exemplares, as plantas estressadas duraram mais tempo do que os grãos-de-bico sem fungos, sugerindo que esses microrganismos são cruciais para a saúde das plantas. Outra descoberta é que, em um cenário de cultivo real, os fungos que colonizaram e sobreviveram com sucesso na mistura de solo precisarão ser adicionados apenas uma vez. Os primeiros fãs de comida árabe a estabelecer colônias fora da Terra agradecem o empenho.
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