Como a obesidade pode comprometer eficácia de vacinas, segundo este estudo
Galileu [Unofficial]
April 13, 2026
A obesidade pode afetar negativamente a resposta do organismo às vacinas. Uma pesquisa publicada na revista científica The Journal of Immunology, traz novas evidências de que pessoas obesas podem apresentar uma produção reduzida e menos duradoura de anticorpos, um dos principais mecanismos de proteção induzidos por vacinas tradicionais. Os experimentos, conduzidos em camundongos, analisaram a resposta imunológica a uma vacina contra a bactéria Pseudomonas aeruginosa, conhecida por causar infecções respiratórias graves, especialmente em pessoas com condições metabólicas. Os resultados indicaram que a obesidade prejudica o funcionamento dos chamados centros germinativos, estruturas temporárias do sistema imunológico onde células B amadurecem e produzem anticorpos. “Esperamos que essas descobertas mudem o foco do desenvolvimento de vacinas e levem a soluções mais eficazes e personalizadas para os milhões de pessoas que vivem com obesidade e que correm maior risco de infecções respiratórias graves”, afirmou Wendy L. Picking, professora da Universidade de Missouri, nos EUA, em comunicado. Apesar da queda na resposta de anticorpos, o estudo trouxe um dado promissor: a vacina foi capaz de estimular fortemente um outro tipo de defesa imunológica, as chamadas células T de memória residentes no tecido pulmonar. Ao contrário dos anticorpos, essas células permanecem nos pulmões e atuam diretamente no local onde a infecção ocorre. Essa resposta foi mais eficaz justamente nos camundongos com obesidade. Isso sugere que o organismo pode ativar mecanismos alternativos de proteção quando a produção de anticorpos falha. Experimentos com camundongos indicam que a obesidade compromete a produção de anticorpos, mas ativa mecanismos alternativos de defesa contra infecções respiratórias. Towfiqu barbhuiya/Unsplash “Em vez de apenas tentar aumentar os níveis de anticorpos no sangue, devemos projetar intencionalmente vacinas que priorizem a imunidade residente nos tecidos”, explicou Picking. “Assim, garantimos proteção diretamente no ponto de entrada de patógenos”. A descoberta é particularmente relevante diante do aumento da resistência a antibióticos, que tem dificultado o tratamento de infecções causadas por bactérias como a P. aeruginosa. Atualmente, ainda não existem vacinas amplamente eficazes contra esse tipo de patógeno, especialmente em populações com obesidade. Os pesquisadores agora pretendem avançar na identificação dos sinais moleculares que permitem a ativação dessas células T nos pulmões, mesmo em um ambiente de inflamação crônica, condição comum em indivíduos com obesidade. No futuro, o objetivo principal é viabilizar a criação de uma vacina que garanta proteção robusta para todos os indivíduos, independentemente de sua saúde metabólica.
Discussion in the ATmosphere