Espermatozoides nadam mais rápido em certas épocas do ano do que em outras
Galileu [Unofficial]
April 13, 2026
Entre as mudanças de estação, o corpo humano sofre mais do que baixas de imunidade e surtos virais. Uma pesquisa publicada na revista Reproductive Biology and Endocrinology, em 21 de fevereiro, revelou que a qualidade do esperma também pode variar a depender da época do ano – sendo o pico no verão e a baixa, no inverno. Compreender os padrões sazonais tem implicações práticas no tratamento da fertilidade masculina. Isso porque, a partir das descobertas, as clínicas médicas poderão otimizar os testes e as intervenções na assistência aos pacientes que procuram ajuda profissional para engravidar. “Por extensão, isso também pode significar que casais na Dinamarca e na Flórida que desejam ter um bebê teriam mais sucesso no verão. Mas isso é apenas uma teoria”, disse Allan Pacey, da Universidade de Manchester (Reino Unido), em entrevista ao site Live Science. Como foi feito o estudo Para explorar a qualidade do esperma ao longo do tempo, os pesquisadores analisaram amostras de sêmen de 15.581 homens com idades entre 18 e 45 anos que se candidataram a doadores de esperma entre 2018 e 2024. As amostras foram coletadas em quatro cidades dinamarquesas – Aarhus, Aalborg, Odense e Copenhague – e em Orlando, na Flórida. Em até uma hora, a equipe examinou todas as amostras por meio de um sistema computadorizado. A análise levou em conta a concentração de espermatozoides, a "motilidade espermática" – isto é, a capacidade dos espermatozoides de se moverem – e o volume de ejaculado ao longo do ano. Como os espermatozoides levam cerca de 74 dias para se desenvolver no corpo, os pesquisadores também examinaram as temperaturas nas semanas antecedentes. Eles as observaram durante o mês em que o esperma foi coletado e dois meses após a coleta, período em que começa o desenvolvimento inicial dos espermatozoides. Possivelmente, os homens teriam mais chances de serem aceitos como doadores de esperma se se candidatasse no verão, quando a qualidade do fluído está elevada Wikimedia Commons A idade do voluntário, as temperaturas externas e as mudanças de longo prazo foram consideradas na identificação das tendências sazonais. O estudo não encontrou alterações na concentração total de espermatozoides ou no volume do ejaculado por estações, mas sim na sua motilidade. A equipe também encontrou poucas evidências de que as temperaturas tivessem qualquer relação com a qualidade do esperma. Dentre as hipóteses, os cientistas defendem que as temperaturas influenciam a qualidade do esperma de maneira indireta ao afetar fatores de estilo de vida. Estilo de vida importa? Segundo Pacey, o que os surpreendeu foi a semelhança do padrão sazonal entre o clima quente da Flórida e o gélido da Dinamarca. “Mesmo onde as temperaturas permanecem elevadas, a motilidade dos espermatozoides atingiu o pico no verão e diminuiu no inverno, o que indica que a temperatura ambiente sozinha provavelmente não explica essas mudanças”, explicou. O espermograma é um dos principais exames utilizados para avaliar a fertilidade masculina Rodrigo da Rosa Filho/Mater Prime A partir dessa proximidade entre os resultados, os questionamentos sobre os hábitos e os estilos de vida vieram à tona. Essa especulação inclui dietas, exercícios físicos e exposição à luz solar e, por isso, requer que mais estudos sejam feitos. Outra hipótese, dessa vez mais ligada à sazonalidade e não à temperatura, acredita que o padrão sazonal pode ser um vestígio evolutivo. Muitos animais que vivem em climas temperados, por exemplo, reproduzem-se de maneira sincronizada para que os filhotes nasçam na primavera, quando as condições são mais favoráveis e os recursos mais abundantes. Se a qualidade do esperma atinge o pico no verão, essa sazonalidade poderia aumentar a probabilidade de nascimentos na primavera. Além da variação sazonal, a nova pesquisa também encontrou fortes ligações entre a qualidade do esperma e a idade: a motilidade dos espermatozoides foi maior entre os homens na faixa dos 30 anos e menor em homens com menos de 25 anos e mais de 40 anos. Já entre os dinamarqueses, foi notada uma queda significativa na qualidade do esperma entre os anos de 2019 e 2022, seguida por uma recuperação em 2023. Na cidade de Orlando, por sua vez, a qualidade do esperma aumentou gradualmente de 2018 a 2024. Essa tendência continua inexplicável, o que justifica a necessidade de estudos adicionais.
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