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Intestino preso pode estar ligado a estas duas bactérias, aponta estudo

Galileu [Unofficial] February 19, 2026
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Uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Nagoya, no Japão, identificou duas bactérias do intestino – Akkermansia muciniphila e Bacteroides thetaiotaomicron – que contribuem para a constipação crônica, ou o popular “intestino preso”. Juntas, as bactérias decompõem o muco intestinal, fluído importante para manter o cólon lubrificado e as fezes hidratadas. A degradação excessiva desses microrganismos leva à formação de fezes secas e imóveis, que, por sua vez, são as principais características que impedem a evacuação normal do cocô. Um estudo sobre o tema foi publicado na revista científica Gut Microbes nesta terça-feira (13). Um destaque do estudo é a relação entre as duas bactérias e a doença de Parkinson. Pesquisas anteriores já tinham revelado que pacientes da doença sofrem de constipação décadas antes de apresentarem os tremores. E embora o Parkinson seja uma doença tradicionalmente atribuída à degeneração nervosa, os pesquisadores descobriram que os pacientes apresentam níveis mais elevados da A. muciniphila e da B. thetaiotaomicron em suas mucosas intestinais. A descoberta finalmente explica o porquê de muitos dos tratamentos convencionais destinados à constipação crônica falharem para milhões de pessoas. Para os pacientes diagnosticados com a doença de Parkinson, as revelações sugerem que a atividade bacteriana também desempenha um papel crucial no desenvolvimento dos sintomas, podeondo contribuir com novos estudos na área. O que está por trás da saúde intestinal Assim como todas as pessoas perdem os seus dentes “de leite”, é esperado que, em algum momento da sua vida, você sofra de constipações, mas claro, por pouco tempo. Trata-se de um problema digestivo comum e que ocorre devido à lentidão dos movimentos intestinais. Má alimentação e hidratação escassa podem potencializar o quadro. Apesar das tentativas de diagnósticos, algumas pessoas sofrem de “intestino preso” que não tem causas identificáveis. Nesses casos, a condição é conhecida como constipação idiopática crônica (CIC). As duas bactérias que causam a constipação bacteriana, vistas no microscópio eletrônico. À esquerda, a Bacteroides thetaiotaomicron e, à direita, a Akkermansia muciniphila Tomonari Hamaguchi O novo estudo optou por um recorte diferente do utilizado por pesquisas anteriores feitas sobre a mesma temática. Antes, o foco eram os movimentos dos nervos e dos músculos intestinais. Mas, agora, a equipe optou por examinar o revestimento protetor do órgão. A escolha partiu da presença dessa substância – que, quanto à sua consistência, assemelha-se a um gel – nas fezes. Esse fluído, chamado mucina colônica, está presente no intestino grosso e reveste as paredes intestinais, sendo responsável por manter os excrementos úmidos e por proteger o órgão de microrganismos nocivos. Além disso, a mucina também auxilia na movimentação das fezes pelo trato digestivo. Em conjunto, a ação da dupla bacteriana é contra a mucina: a B. thetaiotaomicron utiliza enzimas para remover os grupos sulfato protetores da substância. Já a A. muciniphila decompõe e consome a mucina exposta. Na doença de Parkinson, a constipação geralmente precede os sintomas motores em 10 a 20 anos. Acredita-se que seja resultado da neurodegeneração no sistema nervoso entérico Village Green Apothecary São os grupos sulfato, ligados às moléculas de mucina colônica que normalmente impedem que as bactérias as degradem. Quando essa substância é destruída, as fezes ficam ressecadas e têm a sua movimentação pelo trato digestivo comprometida, levando à constipação. A partir dessas observações, os pesquisadores descobriram que o problema por trás do “intestino preso” não é apenas a lentidão dos movimentos musculares intestinais. Para os pacientes que sofrem de constipação crônica, o problema é a perda de mucina e, por isso, os laxantes e os medicamentos para motilidade intestinal convencionais costumam ser ineficazes. A descoberta revela uma nova fronteira para o tratamento da saúde intestinal. Em comunicado, Tomonari Hamaguchi, da Universidade de Nagoya, revelou como a equipe procedeu: “modificamos geneticamente a B. thetaiotaomicron para que ela não pudesse mais ativar a enzima sulfatase, responsável pela remoção dos grupos sulfato da mucina. [Depois], introduzimos essas bactérias modificadas em camundongos livres de germes juntamente com a A. muciniphila e, surpreendentemente, os camundongos não desenvolveram constipação; a mucina permaneceu protegida e intacta”. Esse experimento comprovou que o bloqueio da enzima sulfatase impede a degradação da mucosa intestinal pela ação bacteriana e, logo, medicamentos que sejam capazes de bloquear a sulfatase poderão ser utilizados para o tratar a constipação bacteriana em humanos e, futuramente, avançar nos estudos sobre a doença de Parkinson.

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