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Congresso de Oncologia: combinação de remédios e terapias para tratar câncer

Tribuna Online | Seu portal de Notícias [Unofficial] May 15, 2026
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Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, em Vitória, debate as novidades do setor e vai até hoje | Foto: Leone Iglesias/AT Com previsão de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, a doença se consolida cada vez mais como uma das principais causas de adoecimento e morte no País, aproximando-se das doenças cardiovasculares.Ao mesmo tempo em que os diagnósticos avançam, a medicina também vive uma transformação no tratamento oncológico: a combinação de diferentes medicamentos e terapias, ampliando as chances de cura, controle da doença e qualidade de vida dos pacientes.As novidades estão sendo debatidas durante o 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, que começou ontem e vai até hoje, em Vitória.De acordo com o oncologista Glaucio Bertollo, coordenador médico da Pesquisa Clínica do hospital, entre os principais avanços está a imunoterapia, tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais.“A gente pode chamar a imunoterapia de um dos grandes pilares dos novos tratamentos do câncer. Hoje já temos casos de vários tipos de câncer que conseguimos cura com imunoterapia e antes isso não era possível.”Outro ponto que tem mais chamado a atenção dos especialistas é a combinação entre diferentes estratégias terapêuticas.“A quimioterapia continua sendo um pilar importante. A imunoterapia é outro. As terapias-alvo também. E a combinação desses pilares é que vai montando esse quebra-cabeça e, no final, aumenta a chance de cura e de controle da doença dos nossos pacientes.”Nos casos de câncer de colo do útero e câncer de endométrio, a chegada da imunoterapia trouxe uma mudança importante. A oncologista Virgínia Altoé Sessa explica que, até pouco tempo atrás, a imunoterapia não era usada como tratamento para esses tipos de tumores. Ela destaca ainda que para o câncer de colo de útero são associadas a quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.Já no câncer de mama, um dos mais incidentes entre mulheres brasileiras, uma das recentes aprovações, segundo a médica, é do medicamento datopotamabe deruxtecana. “Foi aprovado para uso no câncer triplo-negativo, sendo mais um tratamento para uma doença tão agressiva.” Imunoterapia: tratamento | Foto: Freepik Saiba maisDefinição individualizadaImunoterapiaConsiderada atualmente um dos pilares mais modernos do tratamento oncológico, a estratégia estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células tumorais.Nos casos de câncer de colo do útero e de endométrio, por exemplo, a chegada da imunoterapia trouxe impacto direto na sobrevida e na qualidade de vida das pacientes.Terapias-alvoAtuam diretamente em mecanismos específicos que fazem o tumor crescer. Em vez de atacar indiscriminadamente células saudáveis e doentes, como acontece em alguns tratamentos tradicionais, essas terapias identificam alterações próprias do câncer e bloqueiam esse crescimento tumoral com moléculas mais direcionadas.Combinação de tratamentosA quimioterapia continua sendo importante, mas agora é frequentemente associada à imunoterapia, às terapias-alvo, à cirurgia e à radioterapia.A decisão sobre qual combinação utilizar é individualizada e costuma ser definida em reuniões multidisciplinares entre oncologistas clínicos, cirurgiões, radio-oncologistas e radiologistas.Aconselhamento genéticoNo câncer de ovário, o aconselhamento genético ganhou protagonismo, permitindo identificar mutações hereditárias que podem modificar o tratamento.Certificação para aplicar técnica modernaNovas tecnologias começam a chegar ao Espírito Santo e prometem mudar a rotina de pacientes oncológicos no Estado. Equipamentos mais precisos para radioterapia e a possibilidade de um tratamento inovador para cânceres hematológicos estão entre as novidades do Hospital Santa Rita.No fim do mês, um novo equipamento de radioterapia avançada será inaugurado no hospital. Segundo o médico radio-oncologista Carlos de Freitas Rebello, a tecnologia permite atingir o tumor de forma mais exata e reduzir danos em tecidos saudáveis.Segundo o especialista, o equipamento oferece precisão submilimétrica e consegue direcionar doses maiores diretamente ao tumor, reduzindo efeitos colaterais.A tecnologia é especialmente indicada para casos que exigem rigor extremo, como tumores cerebrais, câncer de pulmão (que sofre influência da respiração), próstata, mama e lesões na coluna.Além dos avanços na radioterapia, outra novidade pode colocar o Espírito Santo entre os estados com acesso a uma das terapias mais modernas do mundo para cânceres hematológicos: o CAR-T Cell. O tratamento consiste na modificação genética de células de defesa do próprio paciente para que elas consigam identificar e atacar células cancerígenas de forma mais eficiente.O Hospital Santa Rita iniciou o processo (que tem duração de seis a oito meses) para obter certificação e realizar o tratamento em pacientes com mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta a medula óssea, conforme explicou Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea da instituição.“Hoje, para mieloma múltiplo, o CAR-T tem resultados que são quase semelhantes à cura da doença, principalmente se for feito de forma precoce. É um tratamento com promessa de cura. E, hoje, o mieloma não tem cura, os tratamentos são baseados em medicamentos”, destacou.

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