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'O life é esse mesmo’: influenciador ajudou a transformar a corrida em fenômeno entre jovens no Rio

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo June 22, 2026
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Quando boa parte da cidade ainda está no silêncio da madrugada, Leandro Junior, mais conhecido como LD, já está de pé. O despertador toca cedo, o morning shot (mistura de ingredientes naturais) vem primeiro, o tênis entra em cena logo depois. Em poucas horas, ele estará correndo pela orla, encontrando amigos para um café da manhã ou compartilhando com mais de 1,3 milhão de seguidores uma rotina que, até pouco tempo atrás, dificilmente seria associada a um influenciador de 24 anos. Nas redes sociais, porém, é justamente essa rotina que transformou LD Junior em um fenômeno. Conhecido inicialmente pelo humor, ele se tornou uma das principais referências de uma geração que passou a trocar parte das madrugadas por treinos ao amanhecer, da ressaca pelo pace e dos encontros em bares pelas conversas depois da corrida. Falta de transparência: Programas da Suderj e do Procon entram na mira do Governo do Estado Entenda: Príncipe é trancado para fora de palácio em Petrópolis em briga da Família Real que foi parar na Justiça “O life (abreviação de estilo de vida, em inglês) é esse mesmo”, repete em vídeos que acumulam milhões de visualizações.O bordão virou marca registrada. Mas, por trás dele, existe uma mudança de vida que aconteceu longe das câmeras. Nascido e criado na comunidade Cinco Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio, inicialmente ganhou popularidade na internet com seus vídeos de humor, destacando-se por bordões como "Sensação de poder" e "Tchê-tchê". — Eu já vivi muito a fase da balada, da madrugada e das noitadas. Não tenho nada contra, faz parte da vida. Mas percebi que aquilo não me entregava uma resposta positiva nem para o meu trabalho nem para a minha saúde. Quando comecei a correr, acordar cedo e me alimentar melhor, passei a ter mais disposição, criatividade e energia. Hoje sinto que produzo melhor, vivo melhor e sou mais feliz vivendo dessa forma — conta LD. Rio das Pedras: Última base da milícia na região é alvo do CV, que quer formar 'cinturão'; entenda a disputa territorial Para quem trabalha diariamente produzindo conteúdo para a internet, a mudança teve impacto direto. O humor continuou sendo sua principal atividade, mas a busca por mais energia e clareza mental acabou levando a uma reorganização completa da rotina. A corrida entrou primeiro. Depois vieram os cuidados com a alimentação, o sono mais regulado e os programas diurnos. Sem planejamento para virar referência em saúde, ele passou a mostrar naturalmente o que vivia. — Eu nunca tentei convencer ninguém de nada. Eu simplesmente fui mostrando a minha realidade. Acho que muita gente já queria entrar nesse lifestyle, mas faltava alguém mostrando isso de forma leve, divertida e sem parecer uma obrigação. Sequestrado por traficantes: Polícia busca suspeitos de torturar e esquartejar adolescente de 14 anos Parte do sucesso veio justamente por quebrar expectativas. Com 1,90 metro de altura e cerca de 103 quilos, LD costuma surpreender quem o vê correndo em ritmos fortes. O contraste entre o físico robusto e o desempenho nas provas despertou curiosidade nas redes sociais. Muitos chegaram pelos vídeos de corrida, mas acabram ficando pela rotina. Enquanto acompanhavam os desafios, os seguidores também passaram a observar o que existia antes e depois dos treinos: o horário de acordar, a alimentação, os encontros com amigos, os cafés da manhã e os hábitos que sustentavam aquele estilo de vida. O resultado aparece diariamente na caixa de mensagens. — Uma das coisas que mais me emocionam são as mensagens que recebo. Tem gente que fala que começou a correr por minha causa, que melhorou a alimentação, que passou a cuidar mais da saúde. Já recebi relatos de pessoas que estavam passando por momentos difíceis e encontraram na atividade física uma forma de se sentirem melhor. Há quem conte que comprou o primeiro tênis de corrida depois de acompanhar seus vídeos. Outros dizem que fizeram a primeira prova ou baixaram aplicativos de treino por influência dele. — Eu não sou profissional da saúde e nem quero dar lição de moral para ninguém. Sou só um cara compartilhando a minha rotina. Mas perceber que isso pode incentivar alguém a cuidar mais da própria vida é muito gratificante. A influência exercida por LD ajuda a ilustrar uma mudança silenciosa que vem ganhando força entre parte da juventude carioca. Durante anos, as redes sociais ajudaram a transformar a vida noturna em símbolo de status de vida boemia. Baladas, bebidas e madrugadas ocupavam o centro das narrativas aspiracionais. Hoje, para uma parcela crescente dos jovens, a admiração parece ter migrado para outro lugar. — Durante muito tempo ficou muito hypado o lifestyle da madrugada, da bebida e da noitada. Quando as pessoas começaram a ver que dava para se divertir, cuidar da saúde e ainda se sentir bem no dia seguinte, elas foram se identificando naturalmente com esse conteúdo — avalia. Mas reduzir o fenômeno apenas à busca por saúde seria simplificar demais a história. Segundo LD,a corrida passou a cumprir um papel que antes era ocupado por outros espaços de convivência. Nas pistas da Lagoa, no Aterro do Flamengo, nos calçadões de Copacabana e Ipanema ou nos grupos organizados por assessorias esportivas, surgem amizades, parcerias profissionais, relacionamentos e novas redes de contato. — Às vezes as pessoas acham que uma corrida é só uma corrida, mas não é. Você conhece pessoas, faz amizades e cria conexões. Depois vai tomar um café da manhã, senta para conversar e troca ideia. É um ambiente que reúne pessoas com pensamentos e objetivos parecidos. Para os solteiros, ele diz que o fenômeno é ainda mais evidente. — Você pode conhecer alguém que acorda cedo, que se preocupa com a saúde, que trabalha, que estuda e que busca evoluir. Isso já cria uma identificação muito grande. É por isso que, nas redes sociais, a brincadeira de que os grupos de corrida viraram o “novo Tinder” encontra cada vez mais adeptos. No fundo, acredita LD, o que atrai tanta gente não é apenas o exercício físico, mas a sensação de pertencimento. — Eu acho que o jovem hoje está procurando conexão de verdade. Não é só sair por sair. É estar em ambientes que agregam, que fazem bem e que ainda proporcionam momentos legais. Se antes a foto da madrugada era capaz de gerar admiração, hoje vídeos de treinos ao nascer do sol, garrafas de água, cafés da manhã elaborados e medalhas de corrida frequentemente ocupam o mesmo espaço. — Hoje em dia você acordar, postar seu morning shot, tomar um litro de água quando acorda, ir correr, ir treinar, praticar algum esporte pela manhã e depois tomar um café da manhã bonito e saudável virou uma espécie de status. Isso é algo que as pessoas admiram. O life é esse mesmo.

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