Demolição do 'resort' do Peixão: veja a cronologia da interferência política que adiou a operação por mais de um ano
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June 20, 2026
A demolição do “resort” de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP), ocorreu em março do ano passado. No entanto, a operação que colocou abaixo o símbolo dos luxos desfrutados por um dos criminosos mais procurados do estado deveria ter acontecido cerca de um ano e dois meses antes. A ação, prevista para dezembro de 2023, foi cancelada em razão de interferências políticas, como O GLOBO revelou ainda no ano passado. Nesta quinta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrou uma operação de busca e apreensão contra os suspeitos de articularem esse cancelamento. O deputado estadual Val Ceasa (PRD), o ex-vereador Ulisses Marins e um ex-assessor foram alvos da ação. Entenda como foi a cronologia do caso. Flagrante: Presos em operação por suspeita de ligação com o TCP foram nomeados na Rioluz; prefeitura anuncia exoneração Mensagens interceptadas: Chefão do CV, Doca já sugeriu cooptar Val Ceasa para a maior facção do Rio, rival do TCP 29 de novembro de 2023 — A primeira reunião sobre os imóveis de Peixão aconteceu na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro. O encontro teve como objetivo alinhar e planejar a demolição das construções ilegais erguidas na localidade de Parada de Lucas e identificadas pelos órgãos envolvidos. Participaram representantes do MPRJ e servidores da prefeitura. Durante a reunião, eles se debruçaram sobre um relatório elaborado pela Polícia Militar que apontava a utilização de imóveis por integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Val Ceasa: ex-assessor do deputado foi indiciado pela polícia em caso de homicídio encomendado por Coronel, chefe do TCP 6 de dezembro de 2023 — No dia 6, foi realizada uma nova reunião, desta vez com a participação de membros da Polícia Militar. Foi nesse encontro que ficou alinhada a parceria da PM para prestar apoio operacional às equipes responsáveis pela demolição. Na ocasião, também ficou acordado que a operação aconteceria no dia 14 de dezembro. 11 de dezembro de 2023 — De acordo com o MPRJ, foi nesse dia que o deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins foram ao 16º BPM (Olaria) para solicitar ao comandante do batalhão informações sobre a ação, que até então era sigilosa. Em depoimento, o comandante afirmou que Val Ceasa defendeu a manutenção do local, alegando que ele era utilizado para “ações sociais”, e que teria sido informado sobre a operação por integrantes da associação de moradores. Naquele mesmo dia, uma promotora de Justiça ligou para o então secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, e informou que a operação não poderia ser executada na data prevista porque havia sido vazada. Segundo o relato, parlamentares haviam procurado o comando da PM para afirmar que os imóveis eram utilizados para a realização de atividades de assistência a idosos e crianças. Monte de oração, câmera espiã e saída para fugas: Os imóveis usados por Peixão e o TCP em Parada de Lucas 12 de dezembro de 2023 — Em depoimento ao MPRJ, Brenno Carnevale afirmou que, um dia após o cancelamento da operação, foi procurado pelo ex-vereador Ulisses Marins para tratar do assunto. De acordo com ele, Marins defendeu a manutenção do espaço, alegando que ali funcionavam projetos sociais. Em seu depoimento, Carnevale também afirmou que Marins relatou que o deputado estadual Val Ceasa havia procurado o comandante do 16º BPM para questioná-lo sobre a operação prevista para Parada de Lucas. 15 de dezembro de 2023 — A Polícia Militar realizou uma nova operação na região do Complexo de Israel e constatou diversas mudanças nos imóveis que já haviam sido mapeados. Os agentes encontraram faixas instaladas fazendo alusão a projetos sociais que, segundo o Ministério Público, nunca haviam sido identificados no local. De acordo com o órgão, as alterações tinham como objetivo “disfarçar” a utilização do espaço por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Além da instalação de uma faixa fazendo referência a supostas atividades sociais, uma academia de ginástica foi desmontada e uma pintura alusiva à facção criminosa foi apagada. Novas tratativas Os órgãos envolvidos só retomaram as tratativas para a demolição do imóvel em 16 de outubro de 2024, em uma nova reunião entre o MPRJ e a prefeitura do Rio. A operação, que contaria com o apoio da PM, foi agendada para 29 de outubro. Entretanto, na semana anterior, uma ação policial na região terminou com três pessoas mortas por balas perdidas. Na época, as forças de segurança declararam que encontraram uma resistência acima do esperado. Por conta disso, a operação foi novamente cancelada. Após os dois cancelamentos, a demolição do resort foi concretizada em março do ano passado. Resort do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, em Parada de Lucas Gabriel de Paiva / Agência O Globo / 11-03-2025 Operação por ligação com o TCP O deputado estadual Val Ceasa, um ex-assessor e o ex-vereador Ulisses Marins foram alvos de uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Em endereços ligados ao parlamentar, foram apreendidos aproximadamente R$ 320 mil em dinheiro em espécie, segundo a Polícia Civil. Além disso, os agentes recolheram os celulares dos três alvos da ação. O ex-assessor e a companheira dele também foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Nas vísceras da Alerj: Entenda como o TCP se entranhou no Legislativo estadual, segundo o Ministério Público A investigação do caso foi aberta pela Procuradoria-Geral de Justiça após surgirem indícios de que parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados ao TCP em Parada de Lucas. No documento em que pediu a busca e apreensão dos alvos da operação desta quinta-feira, o procurador-geral de Justiça Antonio José Campos Moreira afirmou que, assim como o caso do então deputado TH Joias revelou a infiltração da facção criminosa Comando Vermelho na Alerj, a investigação sobre Val Ceasa e Ulisses Marins está a “desvendar” que o Terceiro Comando Puro também “se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”. Em nota, a Alerj afirma que "acompanha a operação" realizada pelo MPRJ, reiterando que "atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense". A Casa legislativa "reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações". Initial plugin text
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