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Empresa cria ‘ovos artificiais’ e avança em desafio científico para recriar aves extintas; veja

Um só Planeta [Unofficial] May 20, 2026
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Como incubar uma ave extinta há anos se já não existe nenhum animal capaz de chocar seus ovos? Uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos acredita ter encontrado parte da resposta em estruturas artificiais produzidas em impressoras 3D. A Colossal Biosciences anunciou, nesta terça-feira (19), o nascimento de 26 pintinhos desenvolvidos em sistemas artificiais projetados para reproduzir funções de cascas naturais. De acordo com a companhia, o avanço projeta pesquisas futuras com aves extintas, como o dodô e a moa-gigante da Nova Zelândia. O experimento faz parte da estratégia da empresa de investir em tecnologias associadas à chamada “desextinção”, área da biotecnologia que tenta recriar espécies desaparecidas por meio de engenharia genética, edição de DNA e sistemas artificiais de desenvolvimento embrionário. No caso da moa-gigante, o desafio inicial é diante do tamanho dos ovos, que chegam a ter um volume até 80 vezes maior que o de um ovo de galinha. Portanto, inviabilizaria o uso de aves atuais como hospedeiras naturais. “Não existe nenhuma ave hoje na Terra que conseguiria desenvolver um embrião de moa dentro de um desses ovos”, considerou o bioengenheiro da companhia, Trevor Snyder, em declaração reproduzida pelo Smithsonian Magazine. “Por isso precisamos desenvolver ovos artificiais”. Como funciona o sistema? Os pesquisadores criaram recipientes com estrutura semelhante a favos de mel e uma membrana transparente de silicone capaz de permitir a entrada de oxigênio, uma das funções exercidas naturalmente pela casca de um ovo. Embriões de galinha, além de gema e clara, foram transferidos para o sistema artificial entre 36 e 40 horas após a postura dos ovos naturais. Depois, os recipientes foram levados para incubadoras e passaram a receber suplementação de cálcio, mineral que normalmente seria absorvido da própria casca. Cerca de 18 dias depois, os pintinhos começaram a romper as estruturas artificiais até emergirem 100%. Em vídeo divulgado pela empresa, os animais aparecem vivos após o processo de incubação. A Colossal afirma que pretende expandir os testes para embriões de emas e avestruzes, aves escolhidas por produzirem ovos maiores. Pendências Apesar da repercussão do anúncio, a empresa ainda não publicou artigo científico revisado por pares nem apresentou detalhes completos sobre os resultados do experimento. A taxa de sucesso da incubação, por exemplo, não foi divulgada. Para parte da comunidade científica, isso significa que ainda é cedo para medir o alcance real da tecnologia. “Sem dados, é impossível avaliar o verdadeiro impacto disso”, afirmou o biólogo Paul Mozdziak, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, à revista Nature. Mas há potencial no sistema para reprodução de espécies ameaçadas e programas de manejo em zoológicos. “Existe um grupo imediato de pessoas em zoológicos e centros de conservação que poderia usar essa tecnologia”, disse o ecólogo da organização Revive & Restore, Ben Novak. O paleobiólogo Neil Gostling, da Universidade de Southampton, classificou o experimento como algo “de ficção científica”. “Estou impressionado”. “Isso é fantástico”. A corrida da “desextinção” Nos últimos anos, a Colossal Biosciences ganhou notoriedade ao anunciar projetos ligados à recriação de espécies desaparecidas, incluindo o mamute-lanoso, o tilacino, conhecido como tigre-da-tasmânia, e os chamados “lobos-terríveis”, inspirados em animais pré-históricos. As iniciativas, porém, seguem cercadas por debates científicos e éticos. Parte dos pesquisadores questiona se tecnologias voltadas à “desextinção” podem acabar desviando recursos e atenção da conservação de espécies que ainda existem, mas enfrentam risco real de desaparecer. Para o bioeticista Arthur Caplan, da Universidade de Nova York, uma das questões centrais permanece em aberto. “Em que ambiente esse animal vai viver?”. Mais Lidas

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