Frente partidária ameaça deixar plenário da Alerj se eleição para presidência mantiver voto aberto
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April 16, 2026
A frente partidária composta por nove partidos ligada ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) declarou que irá se retirar do plenário caso a eleição para a Presidência da Casa, prevista para amanhã, ocorra por meio de votos abertos. O bloco, que pretende lançar a candidatura do deputado estadual Vitor Junior (PDT), alega que a eleição sem votação secreta será "um jogo de cartas marcadas" por expor os parlamentares "a pressões, coações e eventuais retaliações". Leia: Deputados estaduais discutem após petista chamar Sérgio Moro de 'sabor Paraná' 'Ferrari dos prédios': imóvel de ex-presidente do BRB fica em edifício que reúne mais caros do Brasil; veja imagens "O voto fechado, ao contrário, garante a liberdade de escolha do parlamentar, protegendo a independência dos parlamentares e, por consequência, do próprio Poder Legislativo fluminense", afirmou, em nota pública divulgada nesta quinta-feira, o grupo formado pelos partidos PSD, MDB, PODEMOS, PT, PDT, PSB, CIDADANIA, PCdoB e PV. Após a janela partidária, o PL — que busca eleger o deputado Douglas Ruas, pré-candidato ao governo estadual — passou a ter 23 deputados. Somando este número às bancadas de União Brasil e PP, a aliança ultrapassa a barreira de 36 votos necessários para eleger um presidente da Casa. Por isso, em caso de votação aberta, a avaliação de lideranças é de uma vitória garantida de Ruas. O PDT, no entanto, acionou o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para que a votação seja secreta. A ação, assinada pelo próprio Vitor Junior e pela também deputada Martha Rocha, será analisada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães. Ela é vice do presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto, atual governador em exercício. Ainda conforme a frente partidária, a eleição para a Alerj "reproduz as mesmas peculiaridades institucionais e circunstanciais" do pedido ajuizado pelo PSD no Supremo Tribunal Federal (STF), que dispõe sobre as eleições para o mandato-tampão. "Essa frente partidária não irá legitimar um processo eleitoral de fachada, retirando-se do plenário caso mantido o voto aberto. Porém, havendo eleições limpas, com voto secreto e respeito às regras regimentais, apresentará a candidatura do deputado Estadual Vitor Junior para Presidente da Alerj", completa o comunicado. Entenda: Na véspera de eleição para presidente da Alerj, PL cogita manter interino enquanto grupo de Paes mira traições Mudança de posição Na semana passada, o PSD chegou a se manifestar contra o voto secreto na Alerj em outra hipótese, a de uma eleição indireta ao governo estadual. Na ocasião, a avaliação interna era de que Paes não teria maioria mesmo numa eleição secreta. Nos últimos dias, porém, aliados do ex-prefeito azeitaram a articulação para ampliar sua aliança, hoje com 22 votos em tese garantidos na Casa, o que renovou a procura por traições no grupo rival. Ainda assim, o entorno de Ruas avalia que o voto secreto também pode ajudá-lo a fazer o movimento inverso, conquistando apoios inclusive no partido de Paes. Em eleição anterior à presidência da Alerj, em março, anulada em seguida pela Justiça do Rio, parte dos parlamentares do PSD votou em Ruas. — Paes fez uma série de movimentos tentando passar por cima da Assembleia, e isso acaba unindo os deputados contra essa movimentação — opina o presidente estadual do PL, deputado Altineu Côrtes. Por ora, Rosenberg Reis (MDB) e Renata Souza (PSOL) também se posicionam como possíveis postulantes à principal cadeira da Casa. O grupo de Paes, entretanto, tem o objetivo de desmobilizar a candidatura psolista, atraindo os cinco votos da legenda, e também se articula junto a siglas nanicas, como Solidariedade e Avante, que chegaram a formar um bloco de cinco deputados no início do ano.
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