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Saúde íntima: alimentos que ajudam a equilibrar o pH vaginal

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo March 19, 2026
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A relação entre alimentação e saúde íntima de pessoas que têm vagina vem ganhando espaço nos consultórios e na rotina de quem busca mais equilíbrio no dia a dia. Com pH naturalmente ácido e uma microbiota rica em bactérias benéficas, a vagina depende de diversos fatores para se manter protegida — e o que vai ao prato é um dos principais. Ex-BBB Eliezer revela que funcionária contratada era procurada pela polícia: 'Bandida' Após beijo viralizar, Cauã Reymond reage a vídeo com Luana Mandarino; conheça a influenciadora Essa conexão passa, antes de tudo, pelo intestino. “O que já sabemos hoje é que o ambiente criado no intestino é fundamental para o funcionamento do organismo. A microbiota intestinal tem um papel tão importante que, nas últimas décadas, houve um grande investimento em pesquisas na área”, explica o endocrinologista João Marcello Branco. Segundo ele, essa influência é mais ampla do que se imaginava. “Desde a década de 1990, o professor Michael Gershon já afirmava que o intestino funciona como o nosso ‘segundo cérebro’, justamente pela forte conexão com o sistema nervoso”, afirma. Esse eixo ajuda a entender por que desequilíbrios internos podem repercutir em diferentes regiões do corpo, incluindo a saúde íntima. De acordo com a nutricionista Gabriela Souza, pós-graduada em Nutrição Clínica e Funcional, o organismo responde diretamente aos padrões alimentares. “No nosso organismo existem bactérias benéficas e bactérias potencialmente prejudiciais e, dependendo do que ingerimos, favorecemos o crescimento de uma ou de outra. Ou seja, a alimentação influencia diretamente o equilíbrio da microbiota do nosso corpo”, explica. Quando esse equilíbrio é comprometido, os efeitos vão além do intestino. “Diversas doenças metabólicas e inflamatórias podem estar relacionadas a alterações na barreira intestinal. Quando há falhas nesse sistema de proteção, ocorre o aumento da permeabilidade intestinal”, diz João Marcello Branco. Esse cenário pode favorecer inflamação sistêmica e impactar, de forma indireta, a microbiota vaginal. Na prática, isso significa que uma alimentação rica em açúcares, gorduras de baixa qualidade e carboidratos refinados pode contribuir para a proliferação de microrganismos indesejáveis, como a Candida. O resultado pode aparecer não só na região íntima, mas também em sintomas como inchaço abdominal, gases, constipação e maior propensão a infecções recorrentes. Por outro lado, uma alimentação com perfil anti-inflamatório tende a atuar como aliada. Alimentos ricos em fibras, como aveia, alho, cebola e banana, ajudam a nutrir as bactérias benéficas do intestino. Frutas, vegetais e folhas verdes, especialmente os mais ricos em antioxidantes, contribuem para modular processos inflamatórios e fortalecer o sistema imunológico. A atuação da microbiota também vai além da digestão. “Algumas bactérias intestinais são responsáveis pela produção de vitaminas, especialmente as do complexo B, e participam da produção de substâncias como o triptofano e a serotonina, ligadas ao equilíbrio emocional”, acrescenta o endocrinologista. Alterações nesse sistema podem impactar não só o metabolismo, mas também o bem-estar geral. Fontes de gorduras boas, como abacate, azeite de oliva e oleaginosas, colaboram para o equilíbrio metabólico. Esse conjunto de hábitos costuma refletir em benefícios mais amplos, como melhora da composição corporal e redução de processos inflamatórios sistêmicos. No caminho oposto, o consumo frequente de ultraprocessados, excesso de doces, gorduras de baixa qualidade e carboidratos refinados favorece picos glicêmicos e inflamação. Bebidas alcoólicas em excesso e consumo elevado de café também entram nessa conta. “Esses fatores impactam negativamente o equilíbrio da microbiota intestinal e, indiretamente, da microbiota vaginal”, reforça Gabriela. A suplementação pode ter um papel complementar, mas não substitui a base alimentar. “No consultório, sempre deixo muito claro que a suplementação vem para somar, mas não substitui a base. Quando conseguimos ajustar a alimentação, especialmente com foco na modulação intestinal, os resultados são potencializados”, afirma. Nos últimos anos, formulações voltadas à saúde íntima passaram a concentrar diferentes nutrientes em uma única composição, com foco em praticidade e adesão. Outro movimento recente é a aposta em formatos mais simples de consumo, como gomas mastigáveis com probióticos, pensadas para facilitar a rotina. “Esse formato torna o consumo mais simples e ajuda muitas pessoas a manterem uma rotina mais consistente de cuidado com a saúde. Como sempre reforço, a suplementação funciona melhor quando vem associada a uma base bem ajustada, com alimentação equilibrada e mudanças no estilo de vida”, conclui a nutricionista.

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