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Após protestos, sindicalistas argentinos anunciam greve contra reforma trabalhista proposta por Milei

O GLOBO | Confira as principais notícias do Brasil e do mundo February 16, 2026
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A principal central sindical da Argentina convocou nesta segunda-feira uma greve geral no dia em que a Câmara dos Deputados debater a reforma trabalhista do presidente ultraliberal Javier Milei, já aprovado pelo Senado, anunciaram fontes da organização. Contexto: Governo argentino denuncia ao menos 17 por terrorismo após confrontos durante debate sobre reforma trabalhista O projeto, que pode ser debatido pelos deputados esta semana ou na próxima, reduz as indenizações por demissão, permite pagamentos em espécie (bens ou serviços), estende a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito à greve, entre outras disposições. A confederação que representa os trabalhadores do transporte anunciou que "apoia integralmente a medida", que promete paralisar o transporte terrestre, aéreo e fluvial de passageiros. Esta ação, a quarta contra as políticas do governo Milei, ocorre em meio à crescente agitação social, sinais de recessão econômica, declínio da atividade industrial e queda acentuada do consumo. "Regressivas" Os sindicatos filiados à Confederação Geral do Trabalho (CGT) consideram essas mudanças "regressivas" e "inconstitucionais" e prometem contestar a reforma na Justiça caso a lei seja aprovada. O governo afirma que as mudanças ajudarão a reduzir o emprego informal, que afeta mais de 40% do mercado de trabalho, e a criar empregos, ao reduzir a carga tributária sobre os patrões. A senadora Patricia Bullrich, presidente da Comissão do Trabalho no Congresso, reuniu-se com Milei nesta segunda-feira na residência presidencial em Olivos. Bullrich havia declarado anteriormente que não permitiriam alterações no texto aprovado pelo Senado; no entanto, no domingo, admitiu que consideram flexibilizar o polêmico artigo que reduz o salário do trabalhador à metade em afastamento por doença. Condenada a seis anos: Justiça argentina rejeita pedido de Cristina Kirchner para retirar tornozeleira eletrônica e flexibilizar regime de visitas O governo tenta impedir modificações no texto que o façam retornar ao Senado para aprovação, o que atrasaria a aprovação da lei desejada por Milei antes de seu discurso em 1º de março, quando inaugurará as sessões parlamentares ordinárias. Consenso e adesão "Há consenso coletivo para a realização de uma greve nacional", antecipou Cristian Jerónimo, secretário-geral da CGT (Confederação Geral do Trabalho), em entrevista à Rádio 10 no domingo, antes da reunião extraordinária da diretoria nesta segunda-feira, onde a medida foi decidida. A greve não incluirá convocação para mobilização. "Terá amplo apoio e demonstrará o descontentamento não apenas com este projeto de lei, mas também com o rumo político e econômico deste governo hoje na Argentina", disse Jerónimo. Fontes da CGT esclareceram que "como sempre, haverá liberdade de ação em cada sindicato". A convocação será formalizada na quarta-feira, ao meio-dia, em coletiva de imprensa. "Garantimos uma paralisação total do transporte de passageiros (...) no dia em que a reforma trabalhista for debatida na Câmara dos Deputados, não haverá transporte", anunciou a União Geral de Associações de Trabalhadores do Transporte (UGATT) nas redes sociais. Desde que Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023, 300 mil empregos foram perdidos e 21 mil empresas fecharam, segundo dados do setor industrial. Na última quarta-feira, milhares de pessoas protestaram em frente ao Congresso durante a votação do projeto de lei no Senado, que o aprovou por 42 votos a 30. Sindicatos, partidos de oposição e organizações sociais participaram de uma manifestação que terminou em confrontos com a polícia e cerca de 30 prisões. A última greve geral, realizada em 10 de abril de 2025, teve participação limitada, já que os sindicatos de transporte se recusaram a aderir devido à pressão do Ministério do Trabalho.

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