Ayahuasca não respondeu, mas a astrologia sim
Aconteceu novamente. O Cosmoliko foi deixado de lado. Não li livro nenhum, não li blog nenhum, mal acompanhei o feed do meu leitor RSS. Tava lá fora, fui parar numa cerimônia indígena, levei três cutucadas e um mapa astral respondeu uma pergunta.
Andei ocupado, vivendo intensamente. Enchendo a cara como se fosse adolescente, revendo amigos, usando drogas, pulando em shows, pegando estrada, conhecendo lugares novos, vendo as modificações em lugares antigos, trocando saliva com desconhecidos que nunca mais verei e segurando para não gorfar pelo caminho. Mas não foi uma depravação toda, também tive picos de produtividade, ideias se formaram - já trazendo esboços de caminhos a serem seguidos, novas compreensões surgiram, assim como significados para experiências que vivo e busco.
Esses períodos sempre me deixam meio desconectado. O tempo online se torna escasso. A vida de verdade acontece — tão mais legal que estar na internet a maior parte do dia.
Era pra ter sido só um bate volta na minha cidade natal para o chá revelação da minha irmã. Então soube que teria uma cerimônia de consagração de ayahuasca com os Huni Kuin no mesmo dia[[1]]. Fiquei.
Pensei. Desde que me sinto curado dos transtornos mentais, todas as minhas experiências com ayahuasca foram em algum lugar de suporte — ajudando a galera a meditar e até mesmo cambonando quando Exu resolve dar o ar da graça. E isso já tem mais de um ano. Como seria ter uma experiência fenomenal com as medicinas indígenas sendo a pessoa que sou hoje? Alguém tão diferente daquela que eu era quando tive a experiência que me fez decidir investigar a espiritualidade.
Meu processo de cura consagrando jurema e ayahuascaComo foi minha última experiência consagrando ayahuasca e como a medicina sagrada me livrou de um quadro depressivoCosmolikoEliel Guilhen
Essa experiência aqui. Esse texto, aliás, é o mais lido desse blog. O que mais traz mensagens de desconhecidos que sofrem com depressão.
Tive a expectativa de ter uma experiência visual. Até porque rolou sananga[[2]]. Na primeira vez em que tomei ayahuasca (em 2017, quando nem entendia de mediunidade), também rolou sananga. Enxerguei as entidades das pessoas incorporadas. Logo no início, vi um preto velho. Eu nem tinha contato com a umbanda, como eu sabia que estava vendo um preto velho? Foi apavorante e até hoje a experiência mais absurda que vivi na vida.
O que meus olhos veriam agora que eu não tenho medo da mediunidade, nem de entidades ou de outros planos que não sejam esse físico, muito menos da minha própria cabeça?
Nada. Não vi porra nenhuma. Um pouco desapontante, mas confio na madrecita. Às vezes, acho que a medicina também opera fora da ritualística. Acho que foi o caso agora.
Comecei a cerimônia mentalizando algumas perguntas. Já fiz isso antes.
(Na segunda vez que tomei o chá, totalmente freestyle, falei para os extraterrestres (kkkk) fazerem o que quiserem com o meu corpo, desde que me curassem do cigarro e da depressão. Foi incrível, vi esses seres fazerem uma cirurgia em mim em outra dimensão. Curaram meu vício nesse dia. A depressão continuou a mesma, mas acho que é porque eu não tinha que curar ela, e sim compreendê-la.)
Adoraria ter tido respostas para as minhas perguntas, principalmente respostas visuais, em outras dimensões, com seres que não faço ideia do que sejam. Só tive uma peia básica[[3]], fiz limpeza[[4]] e, na sequência, fiquei dançando de um jeito muito louco, controlado por vai saber o quê.
Pós-ritual, tomei uma sopa e troquei ideia com um garoto de 16 anos que estava lá. O menino ficou nuns papos de astrologia e eu dei muita corda. Senti uma cutucada, como se eu tivesse que investigar a respeito. Um dia vejo esses negócio aí.
No dia seguinte. Astrologia foi tema nos lugares digitais por onde passei. Outra cutucadinha. Achei estranho. Mas ok, deixa pra lá.
No outro dia, estava estudando esse texto do O Zigurate, Intervenção mágica e mudança interna, recém-publicado, e quando chegou na parte da astrologia… outra cutucada![[5]] Mas que caralhos. Vou ter que ver esse rolê de astrologia mesmo?
Eu costumava ter preconceito com astrologia e o menor interesse em abdicar de tempo estudando ciência para ler coisa mística de alinhamento de planetas em relação ao comportamento das pessoas. Contudo, depois que comecei a explorar o ocultismo, percebi que precisaria entender minimamente de astrologia — já que ela parece estar em todas as escolas de magia. Por ser um campo vasto, decidi que esse seria um dos últimos lugares que eu procuraria — também teve outros motivos específicos relacionados a pessoas que encontrei nas minhas andanças… Mas divago.
Depois desse terceiro dia seguido aparecendo astrologia para mim e a minha mente dizendo: “ô rapaz, vamo acelerar isso daí?”. Resolvi fazer meu mapa astral e passei horas estudando. Não é que assim encontrei a resposta para uma das perguntas que eu tinha feito na cerimônia com os Huni Kuin?
Lá vai eu, buscando assimilar mais conhecimento que antes jamais permitiria.
Essa descoberta culminou com o fim do meu período produtivo. Na sequência, vesti a identidade rolezeiro. Já nem tô mais em Botucatu. No momento em que escrevo, falo de São Paulo. Imunidade baixou hard depois de dias seguidos de inquietação e fogo no cu. Tô adiando ir embora desde terça, mas estou cheio de motivos para celebrar e ficar por aqui aproveitando a energia em que me encontro.
[[1]]: Novamente por intermedio da minha amiga Amália, dessa vez no espaço Lakshmi.
[[2]]: Outra medicina indígena, um colírio que ARDE DEMAIS os olhos e expande nossa visão.
[[3]]: Como é chamado o processo intenso e desconfortável de purgação física, emocional e espiritual que acontece nos rituais.
[[4]]: Como é chamado quando a gente caga e vomita no meio do ritual para botar pra fora as coisas ruins que a medicina está limpando.
[[5]]: Plmdds gente essa cutucada é simbólica tá? só pra passar a ideia do que eu tava sentindo mentalmente. Não senti uma cutucada física em momento algum.
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