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Festas juninas: conheça a história por trás das receitas típicas

Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial] June 24, 2026
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Milho, amendoim, mandioca, pinhão e uma variedade de doces e bebidas ocupam lugar de destaque nas festas de São João em diferentes regiões do Brasil. Além de elementos tradicionais do cardápio junino, esses alimentos ajudam a contar parte da história da formação cultural do país e das relações entre território, agricultura e identidade popular. As festas juninas têm origem nas celebrações religiosas trazidas pelos colonizadores portugueses e difundidas no Brasil a partir do século XVI. Ao longo dos séculos, essas comemorações incorporaram elementos culturais de diferentes regiões do país, consolidando tradições que seguem presentes nas festividades atuais. Apesar de hoje serem frequentemente associadas ao interior do país, essa relação nem sempre existiu. Segundo Alberto Ikeda, professor aposentado do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista e especialista em Etnomusicologia e Cultura Popular, "a origem mais remota da festa junina no Brasil é urbana". O pesquisador explica que as celebrações aconteciam em paróquias e igrejas como parte do processo de difusão do cristianismo durante o período colonial, tanto nas cidades quanto nas áreas rurais. “Essa relação direta com a terra e com os alimentos faz com que a gente tenha essa presença tão marcante desse tipo de festividade”, afirma o pesquisador. Na alimentação, produtos como amendoim, pipoca, bolo de milho, canjica e quentão estão entre os principais símbolos do período e ativam memórias associadas ao paladar e ao olfato e contribuem para a construção de uma memória afetiva que não é apenas individual, mas também coletiva. Grande parte dos alimentos consumidos nessa época está ligada aos ciclos agrícolas. O milho, por exemplo, é um dos principais símbolos das festas por coincidir com o período de colheita em diversas regiões do país. A partir dele são produzidas receitas como pamonha, curau, canjica e bolo de milho, presentes em arraiais de norte a sul do Brasil. Além do milho, ingredientes como amendoim, mandioca e coco também fazem parte da tradição alimentar associada às festas juninas. Cada região desenvolveu preparações próprias, refletindo características locais e saberes transmitidos entre gerações. Nos dias de hoje Ao lado de pratos tradicionais feitos à base de milho, mandioca e amendoim, é comum encontrar alimentos como cachorro-quente, chocolate, doces industrializados e outras opções que não fazem parte da culinária junina original. Essa convivência entre o tradicional e o contemporâneo varia de acordo com o tipo de festa e o público envolvido. Para Rafael Gonçalves, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos coordenadores do projeto Comer Histórias, que utiliza os alimentos como ferramenta para o ensino de história, as receitas podem ser entendidas como documentos culturais. “Por essa capacidade de se reinventar e ainda se comunicar com as novas gerações”, afirma o pesquisador ao analisar a atualização das festas. Esse cenário também se relaciona às transformações mais amplas do sistema alimentar, marcado pela presença crescente da indústria na cadeia de produção e distribuição de alimentos. Produtos processados e industrializados passam a ocupar espaço em eventos populares, acompanhando mudanças nos hábitos de consumo. Ao observar os ingredientes presentes nas mesas juninas, é possível identificar influências de diferentes povos que contribuíram para a formação da culinária brasileira. Muitos dos pratos tradicionais carregam histórias relacionadas à agricultura, aos deslocamentos populacionais e às trocas culturais que marcaram a construção da sociedade brasileira. Receitas típicas para celebrar o São João Algumas receitas ajudam a ilustrar diferentes preparos que fazem parte desse repertório culinário, reunindo ingredientes e modos de fazer que carregam tradições. Receitas por Tudo Gostoso. Pamonha Doce Pamonha, prato muito famoso nas festas juninas feito de milho-verde Pexels Ingredientes (8 porções) 12 espigas de milho-verde com a palha; 1 copo de água; 2 xícaras de açúcar; 1 xícara de coco ralado fino; 1 pitada de sal. Modo de preparo (1h) Rale as espigas ou corte os grãos rente ao sabugo e bata no liquidificador com a água; Acrescente o coco ralado, o açúcar e misture bem; Distribua a massa nas palhas de milho e feche, amarrando bem; Em uma panela grande, ferva bastante água e coloque as pamonhas somente quando a fervura estiver intensa, para evitar que se desfaçam; Cozinhe por cerca de 40 minutos e retire com o auxílio de uma escumadeira; Deixe esfriar em local fresco; Sirva acompanhado de café e queijo ralado. Pé de moleque Pé de moleque: doce tradicional das festas de São João Pexels Ingredientes 1/2 kg de amendoim torrado e descascado; 1/2 kg de açúcar; 1 lata de leite condensado; 3 colheres de margarina. Modo de preparo (15min) Coloque na panela o amendoim, o açúcar e a margarina; Leve ao fogo, mexendo sempre. Quando começar a formar uma calda, acrescente o leite condensado; Mexa até desgrudar do fundo da panela, no ponto de brigadeiro; Despeje em um tabuleiro untado com margarina; Deixe esfriar e corte em pedaços. Curau Curau de milho um dos sabores mais tradicionais das festas de São João Pexels Ingredientes (10 porções) 4 espigas de milho-verde; 1 1/2 xícara de leite; 1 vidro de leite de coco; 1 lata de leite condensado; 1 colher de margarina; 1 pitada de sal; Canela em pó para polvilhar. Modo de preparo (20min) Retire os grãos do milho com uma faca; Bata no liquidificador com o leite e o leite de coco; Transfira para uma panela e adicione os demais ingredientes, exceto a canela; Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar; Coloque em uma travessa ou em tacinhas e polvilhe canela por cima; Se quiser, passe pela peneira antes de cozinhar (opcional).

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