Imaflora firma parceria com chineses para certificação de carne sem desmatamento
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
June 3, 2026
O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) assinou hoje uma parceria com a Tianjin Meat Association (TMA), entidade representativa da cadeia da carne chinesa, para viabilizar a certificação de carne bovina sem desmatamento voltada ao mercado asiático. A iniciativa está vinculada ao sistema Beef on Track (BoT), lançado em outubro de 2025 com o objetivo de atender à demanda por carne livre de desmatamento em escala e sem aumento de preço. “Hoje (3/6), assinamos com a Tianjin Meat Association (TMA) a carta que dá início à parceria para testar a certificação BoT na China. Avançamos ainda na negociação com uma auditoria chinesa, chamada Chinese Quality Mark Certification Group (CQM), responsável pela verificação da cadeia de custódia dos produtos passíveis de certificação”, afirma, em nota, a diretora de Clima e Desmatamento Zero do Imaflora, Marina Guyot. O BoT foi estruturado a partir do interesse do mercado chinês, destino de mais de 50% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025. À época do lançamento, a Tianjin Meat Association, que reúne importadores chineses, confirmou a intenção de adquirir ao menos 50 mil toneladas de carne certificada até junho de 2026, volume equivalente a cerca de 2,5 mil contêineres de 20 toneladas. Segundo o Imaflora, a certificação não prevê auditoria direta nas fazendas, baseando-se em auditorias anuais em frigoríficos e outras unidades industriais. Cada planta de abate é verificada individualmente e precisa atingir níveis mínimos de conformidade com protocolos já existentes, como o Boi na Linha, do Ministério Público Federal, e o Protocolo do Cerrado. Frigoríficos com pelo menos 95% de conformidade nesses sistemas tornam-se elegíveis ao BoT. O desenvolvimento do BoT foi apresentado às vésperas da COP30, em Belém, quando a pecuária brasileira passou a ocupar espaço central nas discussões sobre emissões e desmatamento. A certificação foi concebida como um instrumento para demonstrar conformidade ambiental da cadeia da carne e facilitar o acesso a mercados com exigências mais rigorosas. Segundo dados apresentados no lançamento, cerca de 70% dos frigoríficos na Amazônia já são monitorados pelo Boi na Linha. No Cerrado, ao menos 24 unidades adotavam protocolos de rastreabilidade. Em biomas como a Mata Atlântica, onde o desmatamento já está consolidado, a adequação é considerada mais simples. O modelo foi desenhado para operar em larga escala e sem impacto no preço final, ao utilizar estruturas de auditoria já existentes. A proposta é ampliar gradualmente a cobertura até alcançar toda a produção nacional. O selo identifica a carne como livre de desmatamento ao longo da cadeia monitorada. A parceria com os chineses ocorre em um contexto de aumento da demanda por proteína bovina no país asiático. Segundo representantes do setor, o consumo pode crescer entre 35% e 40% nos próximos anos, impulsionado por mudanças no padrão alimentar da população. No lançamento do programa, a expectativa era de que as primeiras remessas certificadas fossem enviadas no início de 2026, em paralelo à entrada do selo no varejo brasileiro por meio de projetos-piloto. Além da China, o Imaflora também iniciou negociações com redes varejistas no Brasil e importadores da Europa e do Oriente Médio.
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