Desembolsos de crédito para agricultura empresarial seguem em queda na safra 2025/26
Globo Rural | O agro de ponta a ponta [Unofficial]
May 15, 2026
Os desembolsos de linhas de crédito rural voltadas à agricultura empresarial na parcial da safra 2025/26 - de julho do ano passado até o fim de abril deste ano - foram 5% menores do que no mesmo período da safra 2024/25, segundo boletim de desempenho do Plano Safra, divulgado pelo Ministério da Agricultura nesta sexta-feira (15/05). No mês passado, o ministério já havia reportado desembolsos mais baixos nesta safra em comparação à anterior. O montante chegou a R$ 391,2 bilhões, abaixo dos R$ 409,8 bilhões contabilizados no acumulado de dez meses da safra 2024/25. O ministério reportou quedas nos desembolsos de recursos para custeio (compra de insumos) da safra, comercialização (de produtos agrícolas) e investimentos, enquanto o crédito concedido para industrialização e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR) aumentou. As CPRs ganharam maior peso nas concessões desta safra, representando até o momento 43% de todo o crédito. O volume emprestado por meio do papel aumentou 10% na comparação anual, chegando a quase R$ 167 bilhões. Na safra 2024/25, as CPRs corresponderam a 37% do total liberado à agricultura empresarial, de acordo com o ministério. Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o crescimento da CPR reflete a migração dos produtores rurais e das tradings para instrumentos de mercado, em razão do elevado custo financeiro e das restrições ambientais associadas às linhas de crédito tradicionais. Para custeio, o volume desembolsado entre julho do ano passado e abril deste ano chega a R$ 125,6 bilhões, 14% menor do que no mesmo período do ciclo 2024/25. No caso das linhas para comercialização, o recuo foi de 29%, para R$ 41,6 bilhões. Para investimentos (linhas de longo prazo), o Ministério reportou redução de 22% nos desembolsos, que somaram R$ 28,6 bilhões. Em todas as linhas de investimentos, há redução superior a 20% dos recursos desembolsados. O crédito concedido pelo programa Moderfrota, de financiamento de máquinas agrícolas, foi 54% menor no acumulado da safra atual em comparação ao da anterior, somando R$ 3,6 bilhões. “A retração generalizada reflete a cautela do setor diante das taxas de juros elevadas, com perspectiva de queda da Selic (taxa básica de juros do Brasil, usada como referência para outras linhas de crédito) de aproximadamente 2 pontos percentuais até o fim de 2026”, disse o Ministério da Agricultura no boletim. “Adicionalmente, a conjuntura econômica do setor é reflexo das seguintes dimensões que pesam, negativamente, sobre a atividade agropecuária: instabilidade internacional, aumento na inadimplência, taxas de juros elevadas, custos de produção elevados, riscos climáticos e intempéries sucessivas, e instituições financeiras mais restritivas e seletivas para a concessão do crédito”, continuou o ministério. Contramão As concessões de crédito para industrialização de produtos agrícolas cresceram 66% em dez meses de safra, saindo de R$ 17,1 bilhões há um ano para R$ 28,4 bilhões nesta safra. “O resultado sinaliza expansão das cadeias agroindustriais e maior agregação de valor à produção agropecuária nacional, tendência alinhada à estratégia de modernização do setor”, disse o ministério, em nota. O total de crédito (custeio e investimentos) concedido a médios produtores por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cresceu 3%, para R$ 52,1 bilhões. Já para os grandes produtores, o montante total liberado diminuiu 17%, para R$ 172,1 bilhões. Nas linhas de crédito específicas para custeio, houve aumento dos desembolsos para os médios produtores, de 8%, chegando a R$ 47,8 bilhões liberados via Pronamp. Para os grandes produtores, os recursos foram 23% menores, somando R$ 77,8 bilhões. No boletim, o Ministério da Agricultura também reporta uma queda generalizada no número de contratos fechados, com exceção dos referentes a crédito para industrialização, que cresceram 18%, somando 1.081. Mesmo o número de contratos de CPR diminuiu, 19%, com 135.929 CPRs emitidas. Para a temporada 2026/27, que deve começar em julho, o ministério avalia que a projetada queda da taxa Selic, em aproximadamente dois pontos percentuais até o fim de 2026, deverá reduzir o custo do crédito rural e sustentar uma recuperação gradual das contratações de crédito, especialmente de programas que registraram as maiores retrações nesta safra. Initial plugin text
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