O guia de Mick Jagger para viver mais e melhor, segundo ele mesmo
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June 25, 2026
Quando Mick Jagger está se apresentando com os Rolling Stones — algo que ele ainda faz, milagrosamente, 64 anos após a formação da banda — precisa se lembrar de parar de se mover. “Porque nem todo mundo quer ver você se mexendo”, diz Jagger, enquanto conversamos em uma suíte clara de hotel em Londres, com uma chuva torrencial de verão castigando a calçada do lado de fora. “Quando você canta uma balada, para de se mover. E eu digo para mim mesmo: ‘Você não vai se mexer. Vai ficar parado aí. Mexa os braços! Só isso que você vai fazer’.” A imobilidade não lhe vem naturalmente. Quem já viu os Stones ao vivo sabe disso. Há quatro anos, no Hyde Park, vi Jagger — aos 78 anos! — marchar, desfilar, apontar, rebolar e sacudir o corpo por todo o enorme palco durante duas horas seguidas. Se ele realmente parou em algum momento, eu não percebi. Naquela noite, achei que estava assistindo a uma turnê de despedida. O baterista original da banda, Charlie Watts, havia morrido no ano anterior, desfazendo o quarteto central formado também por Keith Richards e Ronnie Wood. Mesmo assim, eles seguiram com as comemorações dos 60 anos da banda. Parecia um momento razoável para encerrar a trajetória — ainda mais porque não lançavam um álbum de músicas inéditas havia mais de uma década. Mas, incrivelmente, nos anos seguintes, a banda entrou em uma verdadeira fase de renascimento criativo. Foreign Tongues, o 33º álbum dos Rolling Stones — considerando apenas os discos com material majoritariamente original — será lançado poucas semanas antes do aniversário de 83 anos de Mick Jagger, em julho. É o segundo álbum em três anos e, assim como Hackney Diamonds, de 2023, é genuinamente excelente. Pessoalmente, Jagger é mais caloroso e reflexivo do que eu imaginava. Também ri com facilidade. O principal que quero perguntar a ele é: como consegue permanecer tão afiado, criativa e fisicamente? Bem, segundo ele, não pensa muito nisso além do óbvio: exercitar-se e não exagerar na bebida ou nas drogas. “Você só está fazendo o melhor que pode”, diz. GQ: Você e a banda vivem um ressurgimento criativo nos últimos anos — dois álbuns em três anos depois de uma longa pausa. A que você atribui isso? Mick Jagger: Acho que, antes de tudo, fomos muito preguiçosos e não fizemos muita coisa por muito tempo. Chegamos a um ponto em que percebemos que não estávamos indo na direção certa. Então tivemos uma conversa muito séria antes de Hackney Diamonds [álbum de 2023]. Eu disse: “Ok, é bem simples. Vamos trocar de produtor e estabelecer um prazo.” Fizemos isso. Fomos compor, ensaiar, fazer tudo da maneira correta. Charlie Watts está neste álbum, assim como estava no anterior. Mas houve esse período em que só restaram você, Keith e Ronnie. A morte dele mudou sua perspectiva sobre o tempo que passaram juntos? Você passou a valorizar mais isso? Sim. É obviamente diferente. Charlie estava na banda desde o começo. Às vezes, você quase o vê ali quando a cadeira está vazia. Mas seguimos em frente. Em um nível pessoal, claro que é diferente. Quando você é forçado a substituir alguém porque essa pessoa não está mais aqui, é difícil. O momento mais difícil foi subir ao palco na primeira turnê sem Charlie. Você nunca tinha tocado com outro baterista na vida toda. Isso foi duro, mas foi assim que aprendemos a seguir sem ele. Há colaborações incríveis neste álbum. Vi nos créditos que Bruno Mars toca cowbell. Estávamos em Los Angeles. Eu estava fazendo alguns ajustes vocais e Bruno apareceu para ouvir algumas faixas. Conheço ele há algum tempo. Então perguntei: “Bruno, o que você quer tocar? Escolha um instrumento de percussão.” Ele é percussionista. E a primeira coisa que disse foi: “Quero tocar cowbell.” Você trabalhou com muitas estrelas pop contemporâneas. Encontra inspiração em músicos atuais? Fiz uma faixa com Burna Boy. Foi hilário. Porque eu realmente gosto de afrobeats. Sempre gostei de Burna Boy. David Bowie era um ótimo exemplo de alguém que só queria ouvir o que estava acontecendo no presente. Mas isso dá muito trabalho. Muito trabalho mesmo. Grande parte é ruim. Então não ignoro o que está acontecendo, mas também não sou escravo disso. Tem se falado muito sobre o retorno do rock ao mainstream. Você conhece a banda Geese? Todo mundo fala deles. São muito experimentais, para uma banda de rock. Eu gosto. Ouvi todo o burburinho e, quando o álbum Getting Killed saiu, esperava algo mais indie. Não imaginava que fosse tão fora da curva. Mas admiro isso. Também há muitas cantoras excelentes surgindo. Veja o álbum Lux, da Rosalía. É algo muito conceitual, muito interessante. E ela realmente conseguiu executar a ideia. Admiro muito isso. Você também tem Paul McCartney tocando baixo no álbum. Como a relação de vocês evoluiu ao longo dos anos? Paul sempre foi o educado. John e eu éramos mais próximos, mas ele era o mais ácido. George era mais quieto, embora pudesse ser bastante provocador. E Ringo é o Ringo. Sempre tive uma boa relação com Paul. Sempre fomos amigos. Curiosamente, nunca havia tocado baixo com ele antes dessas sessões. Paul e John fizeram backing vocals em uma música dos Stones no fim dos anos 1960. O que você lembra daquela sessão? Lembro de gravarmos no Olympic Studios, em Londres. Queríamos muitas harmonias vocais e eles estavam por lá. Disseram: “Nós fazemos isso, cara.” Para mim, imaginar vocês quatro — John, Paul, Mick e Keith — no mesmo lugar fazendo música nos anos 1960 parece um acontecimento cósmico. Era muito bom. Saíamos bastante juntos. Mas não trabalhávamos muito juntos. Não era como hoje, quando todo mundo participa dos discos de todo mundo. Isso não acontecia tanto. Claro que havia duetos e coisas do tipo, mas hoje as participações são muito mais comuns. Você aprendeu muito observando outros artistas? Nos primeiros anos [de carreira], quando era jovem, eu observava todo mundo. Até artistas ruins. Sempre pensava: talvez eu possa roubar alguma coisa deles. Mas, claro, observava os grandes. Eu ia ver James Brown regularmente. Se ele passasse uma semana em Nova York, eu assistia várias vezes só para observar. Também fizemos turnê com Little Richard no começo da carreira. Acho que aprendi mais com ele do que com qualquer outra pessoa. Ele me ensinou a me conectar com o público. Havia você e as pessoas que vieram vê-lo. Richard fazia todos se sentirem parte do espetáculo. Fui ao show dos Stones no Hyde Park, em 2022, e notei que você não parou de se mover em nenhum momento. (Risos) Não. Você deve caminhar vários quilômetros. Como treina para isso? Bem, você caminha. Procura um espaço grande, mais ou menos do tamanho do palco. Ensaiamos a música primeiro. Depois, quando estamos seguros, vamos para um espaço maior e fazemos o show inteiro. Aí você percebe que sua condição física precisa melhorar muito, porque cantar exige fôlego. É preciso dividir a respiração entre cantar e se mover. Como é seu treinamento em geral? É parecido com tênis. Você se move muito rápido, para, anda, acelera de novo. Alta intensidade. Você está sempre em movimento. Você conhece o conceito de longevidade como tendência de saúde? Claro. Todo mundo está obcecado com isso. “Esse é o jeito certo.” “Não, aquele é o jeito certo.” Sua longevidade como artista é impressionante. As pessoas olham para você e pensam: “Ele deve estar fazendo algo certo.” É mesmo? O quê [eu faço certo]? Exatamente. O que você faz? Banheira de gelo? Não. Detesto banheira de gelo. É horrível. Não acho que seja uma moda que vá durar. Às vezes me preocupo com essas tendências passageiras. As pessoas parecem pensar mais do que nunca em viver mais tempo. Você pensa nisso? Viver mais e permanecer em forma. Existe um limite para o que você pode fazer. Sempre esperamos que apareça alguma novidade revolucionária, mas existe mesmo? Há inúmeras promessas surgindo o tempo todo. E quantas realmente chegam a algum lugar? Enquanto isso, você continua indo para a academia e para o estúdio de dança. Saunas estão na moda agora. Não gosto de ficar com calor por muito tempo. Então não existe um segredo para sua longevidade? Acho que, infelizmente, depois de certa idade, você não pode beber nem usar drogas em excesso. Infelizmente? Infelizmente. Porque é divertido. Mas, se você quer condicionamento físico e longevidade, não pode exagerar em drogas e bebida o tempo todo. Quando você parou com isso? Por volta dos 40 anos. Bom saber. Então até os 40 ainda dá. Você ainda pode fazer tudo que quer fazer depois disso! Só não pode exagerar o tempo todo como fazia quando era mais jovem. Porque alguma coisa acaba cobrando seu preço. E mesmo assim não há garantias. Você pode fazer tudo certo, treinar, se cuidar, ficar sóbrio, e ainda assim desenvolver uma doença grave. Mas, pelo menos, você fez o melhor que podia. Você ainda tem ressaca? Tenho. Ressacas terríveis. (Risos) Fica pior com a idade, não? Fica. Não melhora em nada. Quatro cinebiografias dos Beatles serão filmadas este ano. Uma abordagem parecida para os Stones lhe interessaria? Sim, me interessa. Existem muitas formas de fazer uma cinebiografia. Normalmente você escolhe um pequeno período da vida de alguém. Veja o filme sobre Bob Dylan: ele se concentra no momento em que Dylan eletrificou seu som. Você precisa decidir qual período quer explorar. E qual período da história dos Stones você escolheria? Não sei. É uma história muito longa. Já pensou em quem gostaria que o interpretasse? Não. Qual é o maior equívoco que as pessoas têm sobre você? As pessoas sempre têm ideias preconcebidas sobre os outros. Mesmo que você não seja famoso, alguém vai dizer: “Ela é meio antipática”. Todo mundo carrega alguma bagagem. A diferença é que qualquer pessoa pode me pesquisar no Google e descobrir muita coisa sobre mim. Eu pesquiso essa pessoa e não encontro nada. Antigamente, as pessoas nem imaginavam que um astro do rock pudesse falar direito. Achavam que músicos pop eram absurdamente burros e mal instruídos. Ficavam surpresos quando você conseguia formar uma frase com uma palavra de três sílabas.
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