No Dia Internacional do Reggae, Núbia celebra a força da cena local: "O reggae maranhense é símbolo de força e resistência"
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July 1, 2026
Quando se fala em reggae, é comum que a Jamaica seja a primeira imagem que venha à mente. No Brasil, porém, foi em São Luís, no Maranhão, que o gênero encontrou uma de suas expressões mais autênticas. Conhecida como a "Jamaica Brasileira", a capital maranhense transformou o reggae em patrimônio cultural, criando tradições próprias que vão das radiolas ao "agarradinho", jeito característico de dançar que se tornou símbolo da identidade local. É dessa cena que faz parte a cantora e compositora Núbia, que atualmente percorre o país com a turnê do álbum Sabores. Nas canções, a artista aborda temas como ancestralidade, negritude, pertencimento e identidade, levando para o palco referências que, segundo ela, ajudam a explicar por que o reggae produzido no Maranhão é tão singular. "Além de ser uma forte identidade sociocultural do nosso estado, ele influencia a cultura, a moda e é um instrumento de afirmação do território maranhense. É símbolo de força e resistência", afirma. Núbia Danrlei Igor Embora o reggae seja historicamente um espaço de resistência, Núbia acredita que ainda há desafios quando o assunto é representatividade feminina. A artista, que em 2025 foi a única mulher indicada na categoria Reggae do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, vê avanços importantes, mas lembra que a presença de mulheres em posições de protagonismo ainda precisa crescer. "Temos nos fortalecido enquanto rede, e isso inviabiliza tentativas de deslegitimação ou apagamento das nossas histórias", diz. Neste Dia Internacional do Reggae, celebrado em 1º de julho, a cantora também chama atenção para outra dimensão do gênero: sua capacidade de acolher e transformar. Para ela, a música segue sendo uma ferramenta poderosa para lidar com emoções e atravessar momentos difíceis. "Ela permite transmutar situações dolorosas, acessar lugares internos e trazer força para seguir. É uma ferramenta de cura do dia a dia." A seguir, confira a entrevista completa. Núbia Danrlei Igor São Luís é conhecida como a "Jamaica Brasileira", mas quem não conhece a cena local talvez ainda associe o reggae apenas à Jamaica. O que torna o reggae maranhense único e quais elementos dessa identidade você leva para o seu trabalho? Acredito que aqui nós temos muitos elementos que trazem essa originalidade e tornam o reggae maranhense único. Para além de ser uma forte identidade sociocultural do nosso estado, temos o fato de ele se assimilar e se conectar com as manifestações culturais, ser uma paixão do povo maranhense e, assim, influenciar a cultura, a moda e também ser um instrumento de afirmação do território maranhense. É símbolo de força e resistência. Também houve o desenvolvimento de um movimento muito autêntico a partir do momento em que surgiu um sistema de som próprio, que são as radiolas, além de um jeito único de dançar reggae, o agarradinho, que é nosso patrimônio cultural. Há também o uso de estratégias que acabaram forjando essa cultura. O fato de existir um dialeto dentro desse universo também é muito interessante, como, por exemplo, o "melô", que é o apelido das músicas, e "pedra", que significa um reggae muito bom, de muita qualidade. Em 2025, você foi a única mulher indicada na categoria Reggae do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Como enxerga o espaço das mulheres dentro do reggae atualmente e quais mudanças ainda gostaria de ver acontecer? Acredito que nós, mulheres, temos ganhado muita força dentro do movimento. Mesmo com todas as barreiras relacionadas às questões de gênero, há uma crescente na presença feminina em espaços de protagonismo, autonomia, liderança e decisão dentro de toda a cadeia produtiva do reggae. Mas, às vezes, isso ainda acontece de forma isolada e reflete os enfrentamentos que vivenciamos na música por questões de gênero. Por exemplo, ser a única mulher indicada ao Prêmio da Música Brasileira é uma mostra disso. Sei que é motivo de orgulho para todas nós, mas, ainda assim, também traz um alerta e volta nossos olhares para a necessidade de continuar lutando por mais mulheres nesses espaços. Sinto que temos nos fortalecido mais enquanto rede, e isso inviabiliza tentativas de deslegitimação ou apagamento das nossas histórias. Núbia Danrlei Igor Em "Sabores", você fala sobre negritude, ancestralidade, pertencimento e identidade. Qual foi o tema mais difícil — ou mais transformador — de traduzir em música durante a criação do álbum? Acho que fazer música nesse sentido sempre é algo transformador. Mas a poesia também tem esse lugar de colocar para fora os nossos sentimentos e situações vividas. Como já mencionei, em Sabores eu falo de atravessamentos, e esse é um lugar delicado. Na realidade, esses temas se interseccionam. Esse álbum marca um movimento de retorno meu, depois de passar um tempo sem cantar, depois da pandemia e de tudo o que aconteceu. Então, escrever sobre isso, por mais que se trate de assuntos profundos, foi um movimento muito orgânico e natural para mim, tanto enquanto pessoa quanto como artista. O reggae sempre esteve ligado à resistência, mas também ao afeto, à espiritualidade e à cura. Em um momento de tantas discussões sobre saúde mental e bem-estar, que papel você acredita que a música pode desempenhar na vida das pessoas hoje? A música sempre foi uma forma de lidar com os sentimentos, expressar emoções e conectar pessoas. Acredito que ela permite essa capacidade de transmutar situações dolorosas, que causam desconforto ou vulnerabilidades. E, para além disso, acessa lugares internos, trazendo, muitas vezes, alento, identificação, força para seguir diante de um problema, paz e alegria. É uma ferramenta de cura também para o dia a dia. Então, estamos falando de frequências que se ligam aos estados emocionais, e tudo isso ajuda nesses processos de busca por bem-estar e saúde mental. Revistas Newsletter
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