Clarice Alves assume posto de produtora de filme sobre futebol feminino e destaca visibilidade: 'Mulheres talentosas sempre existiram'
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June 25, 2026
Faltando menos de um ano para a abertura da Copa do Mundo Feminina da FIFA, Clarice Alves lidera os trabalhos de pré-produção do longa-metragem "Virando o Jogo". Sob a direção de Tatiana Fragoso, a obra foca na inspiradora jornada de uma adolescente que luta para que sua equipe feminina possa disputar um campeonato tradicionalmente reservado aos meninos. O processo de desenvolvimento do filme acontece justamente no momento em que a atenção global se volta para os gramados devido à Copa do Mundo Masculina nos Estados Unidos, México e Canadá. Essa atmosfera prepara o terreno para a estreia oficial do longa em 2027, ano em que o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA, ampliando o impacto do longa-metragem, que trará debates fundamentais sobre preconceito de gênero, inclusão e empoderamento feminino através do futebol. À Glamour, a atriz conta que "Virando o Jogo" nasce do desejo de inspirar uma nova geração de meninas a acreditarem em si mesmas, seguirem seus sonhos e nunca deixarem de acreditar no próprio potencial. “Desenvolver esse projeto em um momento tão importante para o futebol feminino, com a Copa do Mundo chegando ao Brasil, é uma oportunidade de ampliar esse olhar, celebrar as conquistas das mulheres e continuar abrindo caminhos para as próximas gerações”. Clarice Alves Rubén Vega Leia também: A relação de Clarice com o esporte começou ainda na infância, quando começou a acompanhar o irmão, que jogava futebol de salão pelo Fluminense, nas partidas aos finais de semana. “Sempre gostei muito do futsal porque é um esporte muito emocionante. Tudo acontece muito rápido, uma partida pode mudar em segundos, e eu me envolvia muito torcendo por ele", disse. Como muitos brasileiros, ela também cresceu sendo cativada pelo clima das Copas do Mundo. “As ruas pintadas, as famílias reunidas, a expectativa antes dos jogos... Acho que a Copa faz parte da memória afetiva de muitos de nós. Tenho recordações muito felizes dessa época e de como o futebol era vivido de uma forma muito mágica”, afirmou. Além disso, a atriz e produtora é casada com o ex-jogador Marcelo Vieira e passou a viver o futebol de maneira mais próxima e intensa. “Vivi momentos muito emocionantes e inesquecíveis ao longo desses anos”, declarou. “Foi essa soma de experiências que me fez olhar para o futebol não apenas como um esporte, mas também como um universo cheio de histórias emocionantes que merecem ser contadas”. Clarice Alves e Marcelo Vieira Reprodução/Instagram Quando "Virando o Jogo” chegou até Clarice, ela compartilhou detalhes do projeto com o marido, que também entrou no projeto como produtor. “Nós vivemos muito de perto a realidade do esporte, dos jovens atletas, dos sonhos, dos desafios e de tudo o que existe por trás dessa trajetória”. Clarice destaca que Marcelo tem uma relação muito próxima com o futebol feminino desde muito jovem. “Ainda na categoria de base da Seleção Brasileira, treinava com a equipe principal feminina e conviveu com mulheres extremamente talentosas. Ao longo dos anos, acompanhou essa evolução e também viu muitas atletas extraordinárias não terem o reconhecimento que mereciam. Acho que essa vivência dele traz um olhar muito especial para esse projeto”. A artista afirma que a colaboração tem sido positiva e traz duas perspectivas diferentes para o filme. "Cada um aporta algo diferente, mas os dois acreditam muito nesse projeto e no que ele representa”. Clarice vem equilibrando diferentes mercados e funções nos últimos anos. Esse mês, a atriz estreou nos cinemas espanhóis com o filme "Todo Lo Que Nunca Fuimos", a adaptação cinematográfica do romance best-seller da escritora Alice Kellen, e estará no elenco da sétima temporada da série “Impuros”, do Disney+. “Tenho vivido um momento muito especial da minha carreira”, afirmou. “São projetos muito diferentes entre si e que reforçam justamente algo que me deixa muito orgulhosa: a possibilidade de transitar entre mercados, idiomas e narrativas distintas”. “Quero continuar seguindo esse caminho, porque acho que esse é um dos maiores presentes que a minha profissão me dá. Poder trabalhar no Brasil, em projetos internacionais, e colaborar com pessoas de culturas diferentes”, completou. Clarice Alves Rubén Vega A seguir, confira o papo completo: O que mais a motivou a contar uma história centrada no futebol feminino em "Virando o Jogo”? O que mais me motivou foi a vontade de contribuir para uma transformação que as mulheres vêm construindo há muito tempo. Não apenas no futebol, mas em todos os lugares onde nós precisamos conquistar espaço, oportunidades e igualdade. Acho que avançamos muito, mas sabemos que ainda há muito a ser feito. Mulheres talentosas e histórias inspiradoras sempre existiram no futebol. O que vem mudando, felizmente, é a visibilidade, o reconhecimento e as oportunidades que elas estão conquistando, e acredito que precisamos continuar incentivando esse movimento. De que forma a experiência de Marcelo nos campos contribui para a construção da narrativa? Marcelo começou a jogar futebol ainda criança, muito pequeno, e viveu tudo aquilo que a maioria dos jovens atletas vive: um sonho, muitos desafios e a consciência de que muito poucos conseguem “chegar lá”. Ao longo da vida, acompanhou a trajetória de muitos companheiros e conhece bem o que existe por trás desse caminho. E, como falei, ele também teve a oportunidade de conviver muito de perto com mulheres incríveis no futebol e enxergar a diferença enorme que existia entre o masculino e o feminino, entre as oportunidades e as possibilidades que cada um tinha. Toda essa vivência traz um olhar muito especial para esse projeto e para a importância de falar sobre esse tema. Para você, qual é a importância de ter cada vez mais mulheres envolvidas em narrativas esportivas no audiovisual? Eu acho muito importante que as mulheres ocupem cada vez mais espaços, não só na frente das câmeras, mas também por trás delas: dirigindo, produzindo, escrevendo e participando das decisões. E isso não vale apenas para o audiovisual, mas para todas as áreas. O que não me parece natural é que a maioria desses espaços continue sendo ocupada apenas por homens. No esporte, isso fica ainda mais evidente. Durante muito tempo, essas histórias foram contadas a partir de um olhar amplamente masculino, e eu acho importante poder trazer outras perspectivas, outra sensibilidade e um olhar diferente sobre a trajetória das mulheres. Isso não invalida nenhum outro olhar; pelo contrário, soma e amplia a forma como as histórias são contadas e torna essas narrativas mais diversas e mais próximas da realidade. Clarice Alves Rubén Vega O filme vai abordar temas como preconceito de gênero, inclusão e empoderamento feminino através do futebol. De que formas esses temas marcaram a sua trajetória? Acho que, como praticamente todas as mulheres, eu acompanhei ao longo da minha trajetória ambientes em que havia uma predominância masculina, tanto no audiovisual quanto no esporte. E hoje vemos cada vez mais mulheres ocupando espaços e assumindo posições de liderança. Isso é muito importante, porque quando uma mulher ocupa um espaço, ela também abre caminho para que outras possam ocupar. Eu demorei para ter a oportunidade de trabalhar com uma diretora mulher, e hoje estou produzindo um filme que fala sobre tudo isso, e que será dirigido por uma mulher. Isso também é uma escolha e, para mim, tem um significado. Como o cinema é capaz de contribuir na ampliação desse debate na sociedade? Eu acho que o cinema tem a capacidade de levar as pessoas a viverem uma experiência através de uma narrativa. De aproximá-las de histórias e de realidades que, muitas vezes, não fazem parte do seu dia a dia e fazer com que elas enxerguem essas questões por uma outra perspectiva. No caso do nosso filme, queremos reunir a família, diferentes gerações, para assistir juntas e compartilhar reflexões a partir dessa história. Leia também: O lançamento do projeto está previsto para 2027, ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina. Qual impacto você espera que o filme tenha na forma como o público enxerga o futebol feminino e suas atletas? Eu desejo que o público desfrute do filme, se divirta, se identifique com essa história e se aproxime ainda mais desse universo. Que possa enxergar toda a dedicação, a disciplina e o trabalho que existem por trás dessas atletas e de tudo o que elas precisaram enfrentar para chegar até ali. E acho que lançar esse projeto em 2027, com a Copa do Mundo Feminina acontecendo no Brasil, torna tudo ainda mais especial. Vamos estar vivendo um momento único, respirando futebol e acompanhando mulheres que batalharam muito para estar ali. Clarice Alves Rubén Vega Espero que o filme possa contribuir para aproximar ainda mais as pessoas dessa realidade e acompanhar esse movimento de crescimento, visibilidade e cada vez mais apoio ao futebol feminino. Qual tem sido o maior desafio nessa fase de pré-produção? Acho que um dos maiores desafios tem sido justamente coincidir com um período muito marcado pela Copa do Mundo Masculina. É natural que grande parte da atenção e dos investimentos esteja voltada para ela, e isso reforça ainda mais a importância de continuarmos acreditando nesse projeto e contribuindo para que o futebol feminino tenha cada vez mais visibilidade e espaço. E existe também um desafio muito bonito, que é a construção do elenco. Estamos em busca dessas meninas, dessas atrizes e também de jovens que tenham essa vivência, essa experiência e essa familiaridade com o futebol. Queremos construir um elenco diverso e verdadeiro, e isso é um desafio, mas também uma das partes mais prazerosas desse processo. Você está equilibrando diferentes mercados e funções em sua carreira. Quais são os próximos objetivos que você ainda deseja alcançar dentro do audiovisual? Como atriz, desejo continuar me desafiando e participando de projetos que me tirem da minha zona de conforto. E acho que essa primeira experiência como produtora também me anima a seguir em busca de histórias que me inspirem e que eu queira contar. Um desejo que eu tenho é poder realizar coproduções internacionais, unindo artistas de diferentes culturas e construindo histórias que atravessem fronteiras. Acredito muito no poder do audiovisual de conectar pessoas por meio de experiências universais, independentemente do idioma ou do lugar de onde elas vêm. Revistas Newsletter Canal da Glamour Quer saber tudo o que rola de mais quente na beleza, na moda, no entretenimento e na cultura sem precisar se mexer? Conheça e siga o novo canal da Glamour no WhatsApp.
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