Monique Alfradique sobre Festival de Cannes: "Experiência intensa e inspiradora"
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May 23, 2026
Pela segunda vez no Festival de Cannes, Monique Alfradique retorna à Riviera Francesa em uma fase de maior aproximação com o cinema autoral. A artista desembarcou no destino para acompanhar produções que estavam na sua lista há algum tempo e mergulhar na atmosfera que toma conta da cidade durante a mostra. “Você entra em contato com diferentes olhares, culturas e maneiras de contar histórias. Como atriz, isso me alimenta criativamente”, dispara, em entrevista à Glamour. A experiência no festival também reforça para Monique as transformações que vêm acontecendo no audiovisual. Ela destaca a presença crescente de diretoras na programação e vê o movimento como uma mudança importante. “O mais bonito é perceber que essas mulheres estão trazendo narrativas diversas, íntimas, políticas, emocionais e com perspectivas muito particulares sobre o mundo”, afirma. Ao falar sobre o cinema nacional, a atriz define o momento atual como “muito potente criativamente”, impulsionado por histórias diversas e profissionais talentosos. Depois da passagem por Cannes, Monique já se prepara para novos desafios e adianta um projeto para a Universal+, ainda mantido em sigilo. “Eu adoro estar em movimento, sempre me desafiando artisticamente.” Confira a entrevista abaixo! O que significa voltar a Cannes pela segunda vez? Tem um significado muito especial. Vim para acompanhar alguns filmes que estavam na minha lista há bastante tempo e também para viver essa troca tão rica que o festival proporciona. Este ano, estou especialmente animada para assistir a Coward, do diretor Lukas Dhont, e The Dreamed Adventure, da cineasta Valeska Grisebach. São dois filmes que me interessam muito porque falam de relações humanas de forma muito sensível, mas sem respostas fáceis. O cinema do Lukas Dhont me toca pela delicadeza emocional, e a Valeska é uma diretora que eu admiro muito pela maneira como ela observa os personagens e os silêncios. São filmes que me inspiram como atriz e também nesse meu momento de olhar mais para projetos de cinema autoral. Qual é a estreia que está mais ansiosa pra assistir? The Birthday Party, da Léa Mysius. Gosto muito da forma como ela constrói personagens femininas complexas, sensíveis e cheias de camadas emocionais. Parece um filme que mistura delicadeza com tensão emocional de um jeito muito cinematográfico, e esse tipo de narrativa sempre me interessa muito. Monique Alfradique usa vestido da grife Maria Lucia Hohan: "A inspiração foi trazer um visual sofisticado, mas com movimento e personalidade, conversando com a atmosfera de Cannes" @farhat Como é viver o festival de dentro, acompanhando as estreias de perto? É uma experiência muito intensa e inspiradora. O Festival de Cannes transforma a cidade inteira em um grande encontro de artistas, cineastas e pessoas apaixonadas por cinema. Você sente essa energia o tempo todo. Estar dentro das sessões, acompanhar as estreias tão de perto e ver a reação do público é algo muito especial. Você entra em contato com diferentes olhares, culturas e maneiras de contar histórias. Como atriz, isso me alimenta criativamente e amplia muito meu olhar. Cannes 2026 tem uma presença marcante de diretoras mulheres na competição. Como você enxerga esse movimento? Eu vejo como um movimento muito importante e necessário. Durante muito tempo, as mulheres tiveram menos espaço para ocupar posições de liderança no cinema, principalmente na direção. Então, ver tantas diretoras sendo reconhecidas em um festival tão relevante como Cannes mostra uma transformação que vem acontecendo de forma consistente. O mais bonito é perceber que essas mulheres estão trazendo narrativas muito diversas, íntimas, políticas, emocionais e com perspectivas muito particulares sobre o mundo. Isso enriquece o cinema como arte. Espero que cada vez mais esse espaço deixe de ser exceção e passe a ser algo natural. Você sente que o cinema mundial está mudando de fato em relação ao espaço dado às mulheres atrás das câmeras ou ainda é um caminho longo? Existe uma mudança real acontecendo, e isso é muito importante, mas ainda temos um caminho longo pela frente. Hoje vemos mais mulheres dirigindo, escrevendo, produzindo e ocupando espaços de liderança no cinema mundial, e isso naturalmente transforma as histórias que chegam às telas e a maneira como elas são contadas. Quanto mais diversidade de experiências, mais humanas, complexas e interessantes ficam as narrativas. Monique Alfradique @farhat Tem alguma diretora em competição este ano cujo trabalho te inspira ou você acompanha de perto? Sim, acompanho bastante o trabalho da Léa Mysius. Acho que ela tem um olhar muito singular sobre emoções, relações e feminilidade, sem cair em obviedades. Existe uma estética muito sensível no cinema dela, mas ao mesmo tempo muito forte narrativamente. É uma diretora que me inspira justamente por conseguir unir beleza visual e profundidade emocional. Como você enxerga o momento atual do audiovisual brasileiro? O audiovisual brasileiro está vivendo um momento muito potente criativamente. A gente tem profissionais extremamente talentosos, histórias muito fortes sendo contadas e uma produção cada vez mais diversa, tanto nos temas quanto nos formatos. Fico muito feliz de ver o cinema brasileiro ocupando espaços importantes. Isso mostra a força da nossa cultura e das nossas narrativas. O que vem por aí depois de Cannes? Tem algum projeto novo? Estou envolvida em um projeto para a Universal+, mas ainda não posso revelar muitos detalhes sobre o tema. É um trabalho que me deixa muito animada! Eu adoro estar em movimento, sempre me desafiando artisticamente Revistas Newsletter
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