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Renata Saldanha fala sobre sexualidade e lembra quando era professora: "Eu explicava, mas orientava a conversar com a mãe"

Glamour | Home [Unofficial] April 26, 2026
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Renata Saldanha tem transformado seu perfil no Instagram em um espaço de escuta e troca. No quadro "Divã", a vencedora do Big Brother Brasil 2025 recebe mulheres para conversas abertas sobre temas que ainda carregam estigmas, como sexualidade, padrões e julgamento. No próximo episódio, que a Glamour pode conferir de forma antecipada com exclusividade, a convidada é a médica e influenciadora Marcela Mc Gowan, em um diálogo direto sobre prazer feminino, saúde íntima e o impacto da desinformação. Veja também Ao longo da conversa, Marcela chama atenção para um ponto central: o silêncio ainda presente nos consultórios. "Passou a fazer parte do meu trabalho conscientizar profissionais de saúde sobre a importância de falarmos abertamente sobre sexo. Muitas vezes, a paciente não traz o tema, porque ele ainda é tratado como tabu. Se o profissional não perguntar ativamente sobre a vida sexual, ela dificilmente vai abordar. Mas, quando há essa abertura, nove em cada dez pacientes falam; por isso, é fundamental tratar o assunto com mais naturalidade", afirma. Renata Saldanha e Marcela McGowan Divulgação A médica também destaca como crenças equivocadas sobre o próprio corpo atravessam a experiência feminina desde cedo. "O maior tabu dentro do corpo feminino, no geral, é que existem muitas crenças erradas sobre os órgãos íntimos. Muitas mulheres acham que não é normal ter nenhum tipo de secreção, que tem que ser sempre sequinha, ou que qualquer cheiro precisa ser tipo ‘flores do campo’, e isso é um mito muito grande", explica. Para ela, a ideia de que o corpo feminino é "complexo" muitas vezes nasce da falta de informação, o que pode impactar diretamente questões como desejo e orgasmo. Renata, por sua vez, relembra a própria experiência como professora para ilustrar como esse distanciamento começa ainda na adolescência. "Fui professora durante muitos anos, e 95% do meu público era feminino. E eu percebia que, ali, não era nem sobre sexualidade, mas sobre coisas simples do corpo, como a menstruação, e elas tinham dificuldade de conversar com a família", conta. Segundo ela, essas dúvidas acabavam sendo direcionadas a ela em sala. "Eu explicava, mas também orientava a conversar com a mãe e procurar uma médica, para que essa abertura existisse dentro de casa", diz. Para Renata, quando até temas básicos se tornam tabu, criam-se barreiras maiores ao longo da vida. "No fim, é a desinformação que acaba atrapalhando", resume. Veja também A conversa também passa pela importância de campanhas de saúde pública, como a vacinação contra o HPV. Renata menciona a relevância de levar esse tema às redes, enquanto Marcela reforça o impacto do vírus. "O HPV hoje é responsável por um dos cânceres que mais mata mulheres jovens no nosso país. Mas, por ser causado por um vírus sexualmente transmissível, ainda existe muito tabu", explica. Segundo a médica, cerca de 90% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida, o que torna a vacinação — oferecida gratuitamente pelo SUS — uma ferramenta essencial de prevenção. Esse ponto é reforçado por Marcela ao longo do episódio. "Desinformação é a pior coisa, porque ela sequestra a sua autonomia. Quando você não sabe sobre um assunto, não consegue decidir sobre a sua vida, sobre o seu corpo, nem ter clareza do que é melhor para você", diz. Para ela, ampliar o acesso à informação é uma das formas mais potentes de promover autonomia entre mulheres. Revistas Newsletter

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