Citroën e Peugeot têm futuro incerto no Brasil em novo plano da Stellantis
Autoesporte | Globo [Unofficial]
May 25, 2026
Durante o anúncio do plano de investimentos de US$ 70 bilhões ou R$ 350 bilhões para o Brasil, a Stellantis fez várias confirmações para o mercado brasileiro, que vão totalizar dez produtos inteiramente novos e a adoção de uma nova plataforma (a STLA Medium) e nova motorização eletrificada até 2030. Como já contamos em outros artigos, a estratégia prevê: uma nova geração do Fiat Argo; três novos SUVs da marca Fiat (novos Pulse e Fastback, e um inédito de sete lugares); novas gerações dos Jeep Renegade, Compass e Commander; novas gerações das picapes Fiat Strada, Fiat Toro e Ram Rampage; e uma inédita motorização híbrida plena (HEV) flex. Confira a lista completa aqui. Percebeu alguma ausência? Pois é: não há qualquer menção a Citroën ou Peugeot em todo o cronograma anunciado para o mercado brasileiro! E isso é um sinal não muito positivo para o futuro das duas marcas francesas em nosso país. + Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte Planos da Stellantis para até 2030: slide sobre o Brasil não menciona as marcas Citroën ou Peugeot Reprodução/Stellantis É claro que não se encerra duas operações antigas como as de Citroën e Peugeot em um mercado complexo como o Brasil de uma hora para outra. Especialmente quando sabemos que, nos últimos anos, as duas marcas atualizaram profundamente o portfólio de produtos, com os novos Citroën C3, Aircross e Basalt, além da troca de geração dos Peugeot 208 e 2008. Peugeot 2008 estreou em nova geração em 2024 Júlia Maria Toledo/Autoesporte Entretanto, apesar desses investimentos, a participação das duas francesas nos percentuais nacionais de venda insiste em não responder positivamente. Após uma perspectiva de crescimento pós-pandemia, com os melhores resultados em mais de uma década para as duas marcas obtidos em 2022, Citroën e Peugeot voltaram a perder terreno nos últimos três anos e, em 2026, estão com percentuais ainda mais baixos, especialmente devido ao avanço de novas concorrentes chinesas. Confira o histórico na tabela abaixo: Citroën e Peugeot - Histórico de participação no mercado brasileiro Por isso, não haver nenhuma menção às duas nos planos de médio prazo da Stellantis para o Brasil pode indicar que a empresa já não enxerga mais solução para elas. Mesmo com a troca de plataforma dos produtos e a adoção da mesma motorização 1.0 Firefly e 1.0 Turbo 200 usada em carros da Fiat, o antigo legado de falta de confiabilidade, má fama no pós-venda e desvalorização no mercado de usados parece ter se tornado um barreira intransponível. Autoesporte apurou que, entre concessionários, a sinalização implícita é a de falta de perspectiva de novos produtos e descontinuação gradual das operações. Como os contratos com a rede de revendedores são muito restritivos e preveem indenizações altíssimas em caso de rescisão antes da hora, a tendência é que a Stellantis ofereça, em vez disso, a representação de outras marcas de seu guarda-chuva, como a chinesa Leapmotor. Uma das soluções da Stellantis pode ser trocar aos poucos a rede de Peugeot e Citroën por lojas da chinesa Leapmotor Reprodução/Grupo Amazonas Segundo fontes, a montadora já estaria, inclusive, oferecendo a alguns grupos de lojistas a possibilidade de suspender a representação das marcas Citroën e Peugeot por até três anos, dando a eles a abertura para usar os espaços de revenda em operações de outras marcas no período. Passado esse prazo, o concessionário decide se quer voltar ou não, recebendo as devidas compensações financeiras caso opte por encerrar o contrato definitivamente. Além desse movimento, há outro fator em jogo. A partir deste ano, a Stellantis vai lançar os dois primeiros produtos Fiat e Jeep no Brasil com a plataforma CMP já usada por Citroën e Peugeot. No caso específico da Fiat, os novos Argo, Pulse, Fastback, além de um inédito SUV de sete lugares (estes dois últimos, derivados do projeto europeu Grizzly) usarão a mesma estrutura de C3, Basalt e Aircross, ocupando uma faixa parecida de preços. Não há por que manter tantos carros concorrendo entre si. Initial plugin text Por fim, um detalhe nada fortuito. Em sua participação no podcast CBN Autoesporte, que foi ao ar em 13 de maio, o diretor de operações da DFM (Dongfeng) no Brasil, Felipe Amaral de Souza, admitiu conversas com a Stellantis para compartilhar o uso da fábrica de Porto Real (RJ), que atualmente produz os três carros nacionais da Citroën. "As duas parcerias mais exitosas [da Dongfeng] na China [são com] Nissan e PSA [Peugeot e Citroën]. Então, naturalmente, esses parceiros já são quase que globais e conversas sempre vão existir. Ainda não está cravado, mas, sim, [a fábrica de Resende (RJ)] da Nissan é uma das opções. [A da Citroën em Porto Real (RJ)] é outra opção que a gente já olhou também", revelou Felipe Amaral de Souza, diretor de operações da DFM no Brasil. Citroën Basalt linha de produção fábrica Porto Real (RJ) Divulgação A revelação de Amaral não significa que o acordo de compartilhamento esteja fechado, mas dá bons indícios das perspectivas que a Stellantis tem para aquele complexo. Se a fabricante considera compartilhar o uso da fábrica fluminense com outra montadora, é sinal de que não pretende manter em linha os produtos da Citroën ali por muito mais tempo. Afinal, fora a fabricação do Jeep Avenger a partir deste ano, não há a previsão de nenhum outro investimento para o local. Se o destino da Citroën no Brasil parece já traçado, a Peugeot vive um cenário ligeiramente distinto, pois a marca tem força na Argentina e produção consolidada no país vizinho. Isso pode garantir sua sobrevida no Brasil, como um mercado secundário que apenas ajuda a operação na América do Sul a ter volumes um pouco melhores de vendas e produção. Segundo o Autos Segredos, há em desenvolvimento uma futura geração regional do Peugeot 3008, cuja produção poderia ser destinada para a Argentina. Entretanto, mesmo esse projeto fica em dúvida uma vez que ele sequer foi mencionado no plano estratégico da Stellantis. O que diz a Stellantis sobre o futuro de Peugeot e Citroën no Brasil Em nota, a Stellantis afirma que "Citroën e Peugeot seguem como parte relevante da estratégia da companhia no Brasil e na América do Sul". Sobre a Citroën, reforçou que "segue como parte relevante da estratégia da companhia no Brasil e na América do Sul", e que "irá se beneficiar futuramente de plataformas, powertrain e tecnologias compartilhadas globalmente". Confira na íntegra: A Stellantis reforça que a Citroën e a Peugeot seguem como parte relevante da estratégia da companhia no Brasil e América do Sul, uma região prioritária para o grupo, que mantém investimentos consistentes em desenvolvimento de produtos, tecnologia e produção local. Conforme apresentado hoje no Investor Day, a Citroën é uma marca regional que irá se beneficiar futuramente de plataformas, powertrain e tecnologias compartilhadas globalmente, ao mesmo tempo em que mantém sua identidade própria por meio de conteúdos específicos, ajustados às preferências e necessidades de cada mercado. Vale destacar que, nos últimos anos, a Citroën passou por uma completa renovação do portfólio no Brasil, que incluem os lançamentos do Citroën C3, Citroën Aircross e Citroën Basalt, produzidos no Polo Automotivo Stellantis de Porto Real (RJ). Essa nova fase reforça o posicionamento da marca, com foco em produtos espaçosos, confortáveis e adequados às necessidades do consumidor local. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital. Mais Lidas
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