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Documentos revelam possível influência da Rainha Elizabeth na nomeação de Andrew para cargo que levou à sua prisão

Vogue | Moda, Beleza, Desfiles, Lifestyle e Celebridades [Unoff… May 21, 2026
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Novos documentos divulgados pelo Parlamento britânico trouxeram à tona detalhes inéditos sobre o papel da falecida Rainha Elizabeth na nomeação do ex-príncipe Andrew para um cargo público que, anos depois, acabaria se tornando peça central em uma investigação criminal. O material foi tornado público após pressão de parlamentares, meses depois da prisão de Andrew, ocorrida em fevereiro, sob suspeita de má conduta em cargo público. O ex-Duque de York foi detido no dia 19 de fevereiro em um caso que provocou enorme repercussão no Reino Unido e aumentou ainda mais o desgaste envolvendo seu nome. A partir da prisão, membros do Parlamento votaram a favor da divulgação completa dos registros relacionados ao período em que Andrew atuou como enviado comercial do governo britânico. Entre os documentos revelados estão correspondências e memorandos anteriormente mantidos sob sigilo, indicando que a Rainha Elizabeth teria atuado pessoalmente para ampliar a participação do filho em funções de destaque dentro do governo britânico. Revistas Newsletter “A Rainha está muito interessada em que o Duque de York assuma um papel de destaque na promoção dos interesses nacionais”, dizia um dos documentos divulgados. As novas informações também levantaram questionamentos sobre a forma como Andrew foi escolhido para o cargo. Segundo Chris Bryant, ministro do Comércio no governo de Keir Starmer, não foram encontrados registros que comprovassem a realização de uma análise formal de antecedentes ou de qualquer processo rigoroso de avaliação antes da nomeação. A Rainha Elizabeth e o Príncipe Andrew GettyImages “Não encontramos nenhuma evidência de que um processo formal de due diligence ou verificação tenha sido realizado. Também não há evidências de que isso tenha sido sequer considerado”, afirmou Bryant, segundo declarações reproduzidas pelo The Sun e pelo The New York Times. Ainda assim, o ministro explicou que a escolha de Andrew ocorreu dentro de uma tradição da própria Família Real ligada à promoção de interesses comerciais britânicos no exterior. Segundo ele, a função foi vista como uma continuidade do trabalho exercido anteriormente pelo Duque de Kent no Conselho de Comércio Exterior. O príncipe Andrew comparece à missa de Páscoa em 20 de abril de 2025 GettyImages Os documentos também revelam preocupações internas envolvendo o comportamento do então enviado comercial. Um dos memorandos recomendava, por exemplo, que Andrew evitasse participar de partidas de golfe em compromissos internacionais privados. “Não deveria receber convites para jogar golfe em eventos privados no exterior”, dizia um trecho do material, enquanto um assessor descrevia o golfe como uma “atividade privada” e defendia que, “se ele levasse seus tacos, não jogaria em público”. Outro registro mostra a diplomata britânica Kathryn Colvin demonstrando preocupação com a preferência do ex-príncipe por viagens a destinos considerados mais “sofisticados”. Para parte dos parlamentares britânicos, porém, o aspecto mais alarmante foi justamente a ausência de documentação oficial demonstrando que Andrew havia sido adequadamente investigado antes de assumir o cargo público. Os Liberais Democratas, responsáveis por impulsionar a votação para divulgação dos documentos com apoio do Partido Trabalhista, classificaram a situação como “chocante e profundamente preocupante”. “Ninguém deveria estar acima de tais padrões”, afirmou o partido em comunicado divulgado em 21 de maio. “Isso levanta sérias questões sobre por que autoridades e ministros da época acharam isso aceitável.” Após a prisão de Andrew, especialistas em monarquia britânica também voltaram a discutir a influência da Rainha Elizabeth nas decisões envolvendo o filho. O escritor Robert Jobson afirmou anteriormente à revista PEOPLE que o então príncipe Charles - hoje Rei Charles - teria se posicionado contra a nomeação do irmão. “[Charles] achava que não era qualificado para isso e, como tinha acabado de sair da Marinha, deveria aprender o trabalho primeiro. Mas foi ignorado”, declarou Jobson. O ex-príncipe Andrew e o rei Charles GettyImages Há muitos anos circulam rumores de que Andrew era o filho favorito da rainha, e o especialista sugeriu que Elizabeth teria usado sua influência para proteger e favorecer o filho dentro da estrutura da monarquia. “Ela estava rodeada de pessoas que eram pagas para saber das coisas, e ela era extremamente inteligente quando Andrew foi nomeado e durante todo o seu mandato”, afirmou o autor de The Windsor Legacy. O nome de Andrew já vinha enfrentando forte desgaste internacional desde a repercussão de seus vínculos com Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual. Em outubro de 2025, o Rei Charles retirou oficialmente os títulos reais do irmão após novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mencionarem repetidamente o ex-duque. Príncipe Andrew e Rei Charles no funeral da Duquesa de Kent em 16 de setembro de 2025 GettyImages Antes disso, em 2022, Andrew já havia perdido títulos militares e patronatos oficiais após tentar encerrar judicialmente um processo de agressão sexual movido por Virginia Giuffre, uma das vítimas de Epstein. O caso terminou em acordo extrajudicial no mesmo ano, embora o ex-príncipe sempre tenha negado todas as acusações relacionadas ao escândalo. A prisão ocorrida em fevereiro, no entanto, não possui relação direta com as acusações sexuais. Andrew foi liberado após cerca de 11 horas sob custódia policial, mas segue enfrentando um cenário jurídico delicado e politicamente sensível. Príncipe Andrew, Virginia Giuffre e Ghislaine Maxwell GettyImages Após a detenção, o Rei Charles divulgou uma curta manifestação pública: “Recebi com profunda preocupação a notícia sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público... Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso.” Para Ailsa Anderson, ex-secretária de imprensa da Rainha Elizabeth, o posicionamento do monarca foi cuidadosamente calculado para marcar distância do irmão. “A reverência que as pessoas antes tinham pela família real está desaparecendo”, afirmou ela. “Esse é o dano que Andrew causou.” Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

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